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quinta-feira, 18 de junho de 2015

Iniciação ao silêncio


Depois de um longo período de silêncio, aqui segue um texto sobre isso mesmo, o silêncio!

Vale a pena ler com atenção este texto de José Tolentino Mendonça publicado no jornal Expresso:



Precisamos de uma iniciação ao silêncio

Ao que parece, durante anos, o compositor John Cage sondou a possibilidade de elaborar uma obra completamente silenciosa, mas impedia-o duas coisas: a dúvida se uma tarefa assim não estaria, desde logo, votada ao fracasso, porque tudo é som; e a convicção de que uma composição tal seria incompreensível no espaço mental da cultura do Ocidente. Contudo, encorajado pelas experiências que se realizavam já nas artes visuais, construiu a sua peça intitulada 4’33’’.

A proposta de Cage era completamente insólita: os músicos deviam subir ao palco, saudar o público, sentar-se ao instrumento e permanecer, em silêncio, por quatro minutos e trinta e três segundos, até que, de novo, se levantassem, agradecessem à plateia e saíssem. Na assistência instalou-se a polémica e choveram as vaias. Mas ao longo de toda a sua vida, John Cage referiu-se a essa peça com sentida reverência: «A minha peça mais importante é essa silenciosa; não passa um só dia que não me sirva dela para a minha vida e para tudo o que faço. Recordo-a sempre que tenho de escrever uma nova peça».

Quando penso no contributo que a experiência poética ou religiosa possa dar num futuro próximo à humanidade, penso francamente que mais até do que a palavra será a partilha desse património imenso que é o silêncio. Na palavra fazemos a experiência da diferenciação, experiência certamente fundante, mas também ela parcial e insuficiente. Precisamos do auxílio de outra ciência, a que recorremos pouco: o silêncio. Isaac de Nínive, lá pelos finais do século VII, ensinava: “A palavra é o órgão do mundo presente. O silêncio é o mistério do mundo que está a chegar”. Creio que é absolutamente urgente revisitarmos com outro apreço os territórios dos nossos silêncios e fazermos deles lugares de troca, de diálogos, de encontros. O silêncio é um instrumento de construção, é uma lente, uma alavanca.

As nossas sociedades investem tanto na construção de competências na ordem da palavra (e pensemos como a escolarização está ao serviço da capacitação dos indivíduos em ordem a um funcionamento eficaz com a palavra) e tão pouco nas competências que operam com o silêncio. Somos analfabetos do silêncio e esse é um dos motivos porque não sabemos viver na paz.

O silêncio é um traço de união mais frequente do que se imagina, e mais fecundo do que se julga. O silêncio tem tudo para se tornar um saber partilhado sobre o essencial, sobre o que nos une, sobre o que pode alicerçar, para cada um enquanto indivíduo e para todos enquanto comunidade, os modos possíveis de nos reinventarmos. Mas para isso precisamos de uma iniciação ao silêncio, que é o mesmo que dizer uma iniciação à arte de escutar.

Na sociedade da comunicação há um défice de escuta. Numa cultura de avalanche como a nossa, a verdadeira escuta só pode configurar-se como uma re-significação do silêncio, um recuo crítico perante o frenesim das palavras e das mensagens que a todo o minuto pretendem aprisionar-nos. A arte da escuta é, por isso, um exercício de resistência. Ela estabelece uma descontinuidade em relação ao real aparente, à sucessão ociosa do discurso, à enxurrada que a telenovelização do quotidiano (seja ele político, económico ou cultural) comporta. A escuta constitui uma cesura, um corte simbólico, uma deslocação.

Pense-se em como o silêncio dá a ver o património de uma amizade. E a pergunta é: como percebemos que dois desconhecidos são amigos? Pela forma como conversam? Certamente. Pelo modo como se riem? Claro que sim. Mas ainda mais porque nitidamente acolhem o silêncio um do outro. Entre conhecidos o silêncio é um embaraço, sentimos imediatamente a necessidade de fazer conversa, de ocupar o espaço em branco da comunicação. Com os amigos o silêncio nada tem de embaraçoso. O silêncio é um vínculo que une.

domingo, 3 de maio de 2015

Dia da mãe

Neste dia dedicado às mães, deixamos a adaptação de texto da Diocese de Lisboa






Maria, Mãe de todas as mães,
a ti acorremos como modelo e exemplo
do Sim cheio de afecto e confiança.

Todas as mães
te louvam e bendizem porque aceitaste
ser a concretização do plano de Deus
para a salvação da humanidade.

Nós te pedimos, Mãe de Jesus e nossa Mãe,
dá-nos a graça de consagrarmos totalmente a Deus
a dedicação da nossa vontade
e a sinceridade do nosso coração.

Ó Maria, Mãe do Céu,
Ajuda-nos a ensinar aos nossos filhos
o Sim da obediência,
na confiança da fé que lhes transmitimos.

Torna-nos capazes, Mãe querida,
de nunca nos separarmos
do amor de teu Filho, Jesus.

A ti nos confiamos,
para que sejamos dignos das promessas de Cristo.
Ámen

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Mensagem de Quaresma - Papa Francisco

Estamos de volta!

Este tempo de Quaresma, que amanhã se inicia, é sobretudo dedicado à reflexão. Assim, convidamos os nossos leitores a conhecer e meditar na mensagem do Papa Francisco.




Fortalecei os vossos corações (Tg 5, 8)


Amados irmãos e irmãs,


Tempo de renovação para a Igreja, para as comunidades e para cada um dos fiéis, a Quaresma é sobretudo um «tempo favorável» de graça (cf. 2 Cor 6, 2). Deus nada nos pede, que antes não no-lo tenha dado: «Nós amamos, porque Ele nos amou primeiro» (1 Jo 4, 19). Ele não nos olha com indiferença; pelo contrário, tem a peito cada um de nós, conhece-nos pelo nome, cuida de nós e vai à nossa procura, quando O deixamos. Interessa-Se por cada um de nós; o seu amor impede-Lhe de ficar indiferente perante aquilo que nos acontece. Coisa diversa se passa connosco! Quando estamos bem e comodamente instalados, esquecemo-nos certamente dos outros (isto, Deus Pai nunca o faz!), não nos interessam os seus problemas, nem as tribulações e injustiças que sofrem; e, assim, o nosso coração cai na indiferença: encontrando-me relativamente bem e confortável, esqueço-me dos que não estão bem! Hoje, esta atitude egoísta de indiferença atingiu uma dimensão mundial tal que podemos falar de uma globalização da indiferença. Trata-se de um mal-estar que temos obrigação, como cristãos, de enfrentar.

Quando o povo de Deus se converte ao seu amor, encontra resposta para as questões que a história continuamente nos coloca. E um dos desafios mais urgentes, sobre o qual me quero deter nesta Mensagem, é o da globalização da indiferença.

Dado que a indiferença para com o próximo e para com Deus é uma tentação real também para nós, cristãos, temos necessidade de ouvir, em cada Quaresma, o brado dos profetas que levantam a voz para nos despertar.

A Deus não Lhe é indiferente o mundo, mas ama-o até ao ponto de entregar o seu Filho pela salvação de todo o homem. Na encarnação, na vida terrena, na morte e ressurreição do Filho de Deus, abre-se definitivamente a porta entre Deus e o homem, entre o Céu e a terra. E a Igreja é como a mão que mantém aberta esta porta, por meio da proclamação da Palavra, da celebração dos Sacramentos, do testemunho da fé que se torna eficaz pelo amor (cf. Gl 5, 6). O mundo, porém, tende a fechar-se em si mesmo e a fechar a referida porta através da qual Deus entra no mundo e o mundo n'Ele. Sendo assim, a mão, que é a Igreja, não deve jamais surpreender-se, se se vir rejeitada, esmagada e ferida.

Por isso, o povo de Deus tem necessidade de renovação, para não cair na indiferença nem se fechar em si mesmo. Tendo em vista esta renovação, gostaria de vos propor três textos para a vossa meditação.

1. «Se um membro sofre, com ele sofrem todos os membros» (1 Cor 12, 26): A Igreja.
 
Com o seu ensinamento e sobretudo com o seu testemunho, a Igreja oferece-nos o amor de Deus, que rompe esta reclusão mortal em nós mesmos que é a indiferença. Mas, só se pode testemunhar algo que antes experimentámos. O cristão é aquele que permite a Deus revesti-lo da sua bondade e misericórdia, revesti-lo de Cristo para se tornar, como Ele, servo de Deus e dos homens. Bem no-lo recorda a liturgia de Quinta-feira Santa com o rito do lava-pés. Pedro não queria que Jesus lhe lavasse os pés, mas depois compreendeu que Jesus não pretendia apenas exemplificar como devemos lavar os pés uns aos outros; este serviço, só o pode fazer quem, primeiro, se deixou lavar os pés por Cristo. Só essa pessoa «tem a haver com Ele» (cf. Jo 13, 8), podendo assim servir o homem.

A Quaresma é um tempo propício para nos deixarmos servir por Cristo e, deste modo, tornarmo-nos como Ele. Verifica-se isto quando ouvimos a Palavra de Deus e recebemos os sacramentos, nomeadamente a Eucaristia. Nesta, tornamo-nos naquilo que recebemos: o corpo de Cristo. Neste corpo, não encontra lugar a tal indiferença que, com tanta frequência, parece apoderar-se dos nossos corações; porque, quem é de Cristo, pertence a um único corpo e, n'Ele, um não olha com indiferença o outro. «Assim, se um membro sofre, com ele sofrem todos os membros; se um membro é honrado, todos os membros participam da sua alegria» (1 Cor 12, 26).

A Igreja é communio sanctorum, não só porque, nela, tomam parte os Santos mas também porque é comunhão de coisas santas: o amor de Deus, que nos foi revelado em Cristo, e todos os seus dons; e, entre estes, há que incluir também a resposta de quantos se deixam alcançar por tal amor. Nesta comunhão dos Santos e nesta participação nas coisas santas, aquilo que cada um possui, não o reserva só para si, mas tudo é para todos. E, dado que estamos interligados em Deus, podemos fazer algo mesmo pelos que estão longe, por aqueles que não poderíamos jamais, com as nossas simples forças, alcançar: rezamos com eles e por eles a Deus, para que todos nos abramos à sua obra de salvação.


2. «Onde está o teu irmão?» (Gn 4, 9): As paróquias e as comunidades

Tudo o que se disse a propósito da Igreja universal é necessário agora traduzi-lo na vida das paróquias e comunidades. Nestas realidades eclesiais, consegue-se porventura experimentar que fazemos parte de um único corpo? Um corpo que, simultaneamente, recebe e partilha aquilo que Deus nos quer dar? Um corpo que conhece e cuida dos seus membros mais frágeis, pobres e pequeninos? Ou refugiamo-nos num amor universal pronto a comprometer-se lá longe no mundo, mas que esquece o Lázaro sentado à sua porta fechada (cf. Lc 16, 19-31)?

Para receber e fazer frutificar plenamente aquilo que Deus nos dá, deve-se ultrapassar as fronteiras da Igreja visível em duas direcções.

Em primeiro lugar, unindo-nos à Igreja do Céu na oração. Quando a Igreja terrena reza, instaura-se reciprocamente uma comunhão de serviços e bens que chega até à presença de Deus. Juntamente com os Santos, que encontraram a sua plenitude em Deus, fazemos parte daquela comunhão onde a indiferença é vencida pelo amor. A Igreja do Céu não é triunfante, porque deixou para trás as tribulações do mundo e usufrui sozinha do gozo eterno; antes pelo contrário, pois aos Santos é concedido já contemplar e rejubilar com o facto de terem vencido definitivamente a indiferença, a dureza de coração e o ódio, graças à morte e ressurreição de Jesus. E, enquanto esta vitória do amor não impregnar todo o mundo, os Santos caminham connosco, que ainda somos peregrinos. Convicta de que a alegria no Céu pela vitória do amor crucificado não é plena enquanto houver, na terra, um só homem que sofra e gema, escrevia Santa Teresa de Lisieux, doutora da Igreja: «Muito espero não ficar inactiva no Céu; o meu desejo é continuar a trabalhar pela Igreja e pelas almas» (Carta 254, de 14 de Julho de 1897).

Também nós participamos dos méritos e da alegria dos Santos e eles tomam parte na nossa luta e no nosso desejo de paz e reconciliação. Para nós, a sua alegria pela vitória de Cristo ressuscitado é origem de força para superar tantas formas de indiferença e dureza de coração.

Em segundo lugar, cada comunidade cristã é chamada a atravessar o limiar que a põe em relação com a sociedade circundante, com os pobres e com os incrédulos. A Igreja é, por sua natureza, missionária, não fechada em si mesma, mas enviada a todos os homens.

Esta missão é o paciente testemunho d'Aquele que quer conduzir ao Pai toda a realidade e todo o homem. A missão é aquilo que o amor não pode calar. A Igreja segue Jesus Cristo pela estrada que a conduz a cada homem, até aos confins da terra (cf. Act 1, 8). Assim podemos ver, no nosso próximo, o irmão e a irmã pelos quais Cristo morreu e ressuscitou. Tudo aquilo que recebemos, recebemo-lo também para eles. E, vice-versa, tudo o que estes irmãos possuem é um dom para a Igreja e para a humanidade inteira.

Amados irmãos e irmãs, como desejo que os lugares onde a Igreja se manifesta, particularmente as nossas paróquias e as nossas comunidades, se tornem ilhas de misericórdia no meio do mar da indiferença!

3. «Fortalecei os vossos corações» (Tg 5, 8): Cada um dos fiéis

Também como indivíduos temos a tentação da indiferença. Estamos saturados de notícias e imagens impressionantes que nos relatam o sofrimento humano, sentindo ao mesmo tempo toda a nossa incapacidade de intervir. Que fazer para não nos deixarmos absorver por esta espiral de terror e impotência?
 
Em primeiro lugar, podemos rezar na comunhão da Igreja terrena e celeste. Não subestimemos a força da oração de muitos! A iniciativa 24 horas para o Senhor, que espero se celebre em toda a Igreja – mesmo a nível diocesano – nos dias 13 e 14 de Março, pretende dar expressão a esta necessidade da oração.

Em segundo lugar, podemos levar ajuda, com gestos de caridade, tanto a quem vive próximo de nós como a quem está longe, graças aos inúmeros organismos caritativos da Igreja. A Quaresma é um tempo propício para mostrar este interesse pelo outro, através de um sinal – mesmo pequeno, mas concreto – da nossa participação na humanidade que temos em comum.

E, em terceiro lugar, o sofrimento do próximo constitui um apelo à conversão, porque a necessidade do irmão recorda-me a fragilidade da minha vida, a minha dependência de Deus e dos irmãos. Se humildemente pedirmos a graça de Deus e aceitarmos os limites das nossas possibilidades, então confiaremos nas possibilidades infinitas que tem de reserva o amor de Deus. E poderemos resistir à tentação diabólica que nos leva a crer que podemos salvar-nos e salvar o mundo sozinhos.

Para superar a indiferença e as nossas pretensões de omnipotência, gostaria de pedir a todos para viverem este tempo de Quaresma como um percurso de formação do coração, a que nos convidava Bento XVI (Carta enc. Deus caritas est, 31). Ter um coração misericordioso não significa ter um coração débil. Quem quer ser misericordioso precisa de um coração forte, firme, fechado ao tentador mas aberto a Deus; um coração que se deixe impregnar pelo Espírito e levar pelos caminhos do amor que conduzem aos irmãos e irmãs; no fundo, um coração pobre, isto é, que conhece as suas limitações e se gasta pelo outro.

Por isso, amados irmãos e irmãs, nesta Quaresma desejo rezar convosco a Cristo: «Fac cor nostrum secundum cor tuum – Fazei o nosso coração semelhante ao vosso» (Súplica das Ladainhas ao Sagrado Coração de Jesus). Teremos assim um coração forte e misericordioso, vigilante e generoso, que não se deixa fechar em si mesmo nem cai na vertigem da globalização da indiferença.

Com estes votos, asseguro a minha oração por cada crente e cada comunidade eclesial para que percorram, frutuosamente, o itinerário quaresmal, enquanto, por minha vez, vos peço que rezeis por mim. Que o Senhor vos abençoe e Nossa Senhora vos guarde!

Vaticano, Festa de São Francisco de Assis, 4 de Outubro de 2014

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Mensagem de Natal

Neste dia que antece o dia especial que é o Natal, transcrevemos aqui a mensagem de Natal do Bispo do Porto, António Francisco dos Santos:




Um Natal sem embargo

1. Mais do que de palavras, o Natal é feito de vida, de gestos e de pessoas. O Natal é feito de Deus. Celebrar Natal é celebrar o nascimento do Filho de Deus.
Nestas semanas de Advento tenho visitado paróquias e instituições. Em todos os lugares encontrei sempre pessoas e famílias, casas e comunidades com vida e alma de Natal.
Inspira-se esta mensagem de Natal, o primeiro que vivo no Porto, num relato simples, recebido por entre confidências de memórias do tempo e desafios da missão que Deus me confia. Vem esta história de vida de uma família de nome conhecido no País e prestigiado na nossa Cidade. O pai, médico de profissão, costumava sair de casa cedo, na véspera de Natal, como se tivesse diante de si um longo dia de trabalho.

No ano em que o seu terceiro de seis filhos concluiu o Curso de Medicina convidou-o a acompanhá-lo nessa aparente rotina de Natal. Levou-o a Valadares a visitar uma senhora pobre e só, doente cancerosa, sem família que a pudesse ajudar. Depois passou por um Orfanato do Porto, assim se dizia ao tempo, visitou as crianças e colocou discretamente nas mãos da Irmã Superiora um envelope com uma oferta. Aí se demorou durante a manhã.
O filho médico, agora dedicado a uma grande Instituição de Bem da nossa cidade, ao evocar com emoção este gesto, disse-me que, nesse dia, o pai lhe ensinou a viver sempre com espírito de Natal a sua vida como vocação e como missão de serviço ao bem.
O Natal é para os cristãos e para os homens e mulheres de boa vontade um tempo para que Deus nasça no coração humano e uma escola onde o bem, a bondade, a solidariedade e a alegria do evangelho se vivem, se encontram, se aprendem e se ensinam.

2. No mesmo dia e à mesma hora em que ouvia esta bela lição de Natal, que vai habitar a minha vida toda e para sempre, soube que, com a ajuda discreta, silenciosa e eficaz do Papa Francisco, a celebrar, nesse dia, o seu aniversário, tinha terminado o embargo da poderosa Nação americana à pequena Ilha de Cuba, depois de 53 anos de sofrimento desnecessário e de protestos inúteis.
O fim do embargo não foi apenas a melhor prenda de aniversário para o Papa Francisco. Foi, também, uma grande bênção de Natal para o Mundo.
Há 2.000 anos, apesar de todas as profecias e advertências divinas, Jesus não teve lugar para nascer nas hospedarias convencionais. Nasceu na periferia da cidade de Belém, no seio de uma família estrangeira, que vinha de longe!
É propósito pastoral da nossa Diocese fazer da “alegria do evangelho a nossa missão”. Queremos construir no coração de cada um de nós, no espaço abençoado das nossas famílias e no âmbito celebrativo da fé das nossas paróquias “uma casa para a alegria do evangelho”.
Queremos ser casas e igrejas de portas abertas onde todos possam entrar e celebrar Natal. Queremos sentar os pobres à nossa mesa de Natal, mas precisamos, também nós, de nos sentarmos à mesa dos pobres e com eles partilharmos a vida, afirmarmos a nossa presença solidária e testemunhamos a beleza da fé para que não haja espaços vazios que ninguém ocupe, caminhos que ninguém percorra, pessoas que ninguém conheça, visite ou ame.

3. Partilharei a refeição de Consoada dos “Sós”, preparada numa das paróquias da periferia da nossa Cidade, e viverei o domingo a seguir ao Natal, que é o dia litúrgico da Família de Nazaré, com os sem abrigo numa das paróquias do centro do Porto.
Penso com particular afeto e permanente oração nas famílias feridas pela morte prematura de algum dos seus membros, magoadas pela doença, atingidas pela rutura do amor ou a viver a provação da falta de trabalho que o desemprego sem fim à vista provoca. Sei que para estas famílias o Natal é mais difícil mas mais necessário!
São muitas também as lágrimas de tantas mães que choram a morte dos seus filhos e de muitas famílias que se vêm separadas pela emigração forçada pela crise social que atinge o nosso País ou imposta pelas guerras e desavenças políticas em tantos povos do Mundo.
O Natal é, também, tempo para saudar as pessoas e agradecer as instituições que neste tempo afirmam com a verdade de sempre e com maior visibilidade o bem que realizam como apóstolos da bondade de Deus e como servidores da alegria do evangelho, para que o Natal aconteça e esteja ao alcance de todos.
Procuremos fazer do Natal de 2014 tempo de alegria, de esperança, de paz, de misericórdia, de bondade e de reconciliação, ancorando-nos na certeza de que Deus fez morada entre nós, tem berço no coração dos cristãos e está vivo e presente no meio do seu Povo.
Em comunhão fraterna com os Bispos que servem esta Igreja do Porto ou aqui vivem, desejo aos sacerdotes, diáconos, consagrados (as) e leigos (as) diocesanos e diocesanas desta amada Diocese do Porto, a quantos aqui habitam ou nos visitam nesta época do ano, um santo e abençoado Natal!

Porto, 21 de dezembro de 2014
António, Bispo do Porto

domingo, 7 de dezembro de 2014

Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria - Padroeira principal de Portugal

Amanhã vamos celebrar a solenidade de Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria - padroeira principal de Portugal.




Este ano a celebração foi organizada pelo grupo de catequese de adultos do nosso centro de catequese, composto por aproximadamente duas dezenas de adultos e jovens adultos do centro de catequese (catequistas), elementos do grupo coral, da mesa administrativa da confraria do Senhor Jesus da Boa-vista e por alguns membros da comunidade. É um grupo plural e diversificado com idades entre os 17 e os 70's...aqui a idade deixa de ter limite máximo. 

Para este grupo em particular esta solenidade tem um significado muito especial pois durante muitos anos este foi o "dia da mãe". Assim, e seguindo a proposta da Pastoral Familiar do Patriarcado de Lisboa vamos nele incluir a bênção das grávidas - pedindo aos nossos leitores que partilhem esta publicação com as futuras mães que conhecem:



Ó Maria, Mãe de Jesus e nossa Mãe, 
estrela da nova evangelização, 
Senhora da vida,intercedei ao vosso Divino Filho
por todas as mulheres que esperam o nascimento dos seus filhos,
para que cada mãe que acalenta no seu seio uma vida nascente, 
viva na saúde da alma e do corpo a alegria do amor de Deus pela humanidade.

Ó Maria bem-aventurada perante todas as gerações, 
porque o Todo-Poderoso realizou em vós maravilhas, 
rogai a Deus por todas as mulheres grávidas, 
com o vosso amor de Mãe, Mestra e Rainha portadora da salvação, 
para que as abençoe, proteja e guarde na paz, alegria, fidelidade e bem-estar.
Nós vos pedimos por vosso Filho Jesus Cristo, que é Deus com o Pai na unidade do Espírito Santo.
Ámen
 



segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Advento - tempo de Alegria

Hoje transcrevemos um texto do Editorial do Altos Voos, sobre este tempo de Advento



ESPERAMOS COM ALEGRIA

“A alegria é algo que sempre esperamos. É um golpe de asa que faz gigantes os desejos mais tímidos. Saber esperar. Esperar é uma sabedoria... É experimentar o “click”!  Com o Advento, a espera, a certeza e a alegria ganham nova e profunda dimensão.  O Advento faz-me voltar para o interior. O tempo da espera é esta grande metáfora de me dar conta  de  que  estou  sempre  em  caminho  em  direcção  a algo  que  me  está  a  ser  dado continuamente.  Quando  esperamos,  o  que  acontece  em  nós? 

Esperamos algo  que  não  temos,  e  é precisamente  a  espera  que  dá  alegria  ao  momento  em que  obtemos  o  que  esperávamos. Todos temos imensas histórias que podem dar exemplo disso! Quando se espera, deixa-se o presente para centrar energias num futuro que é uma promessa feliz. Por isso, a espera tem sempre  uma  surpresa  escondida,  é  uma  fonte  de  alegria  e  vem  sempre  associada  com  a confiança e esperança. Deixar-me levar na esperança e confiança de um Sonho de Deus para a minha Vida... Quando me dou conta de coisas fundamentais como ser amigo, saber perdoar, ser justo, solidário, esperar sem pressa.... Surgem encontros que trazem luz e cor... Não seria razoável esperar indefinidamente algo que nunca poderá vir a acontecer. O Natal é a celebração do nascimento de Deus que se faz Homem. Deus que entra na nossa história. O Natal faz-me ter a certeza de que acontece já a  manifestação de Deus na minha Vida, que verdadeiramente Ele chega até mim. Ir à Fonte da Alegria! Uma alegria tão profunda, como se nos revela no Evangelho de Lucas: os diálogos de Maria, o seu cântico; no relato do velho Simeão; da profetiza Ana... Este  tempo,  é  assim  um  tempo  de  procura  e  encontro de  Paz,  com novas  partilhas,  novos projectos, novas dimensões... Estar atento é saber ver os sinais! O tempo traz sempre sinais de esperança...   Cultivar a Alegria, alegria mais profunda, de ter a certeza que Deus nunca desiste de nós e que está sempre connosco, em tudo! Só nos resta agradecer, por tudo ser assim... tão pleno...e é esta Alegria de Deus connosco, que irradia poemas de Esperança.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Encontros com Jesus


Nos últimos fins de semana, o grupo de catequistas auxiliares da nossa Comunidade tem participado em sessões de formação de como catequizar. No passado domingo dia 27, o tema tratado foi "Os elementos de uma catequese". Nesta sessão, os formandos aprenderam os vários pontos chave de uma catequese e estratégias para utilizar nos  encontros de catequese.

Todos os encontros de Jesus devem ter como objetivo acolher de modo fraterno e promover o encontro para que se criem laços.

O objetivo da catequese é promover a criação de laços com Jesus que nos acolhe fraternalmente.

FASES DA CATEQUESE:


- O Acolhimento:

Devemos proporcionar um encontro de relação pessoal, começando a criar laços. O modo como os acolhemos vai influenciar a relação estabelecida com eles, porque todos nós somos sensíveis ao acolhimento que nos fazem. Para um bom acolhimento é preciso saber: "ver", "ouvir", "falar", "dialogar", "refletir", "estar com", "estar para", ...
A alegria e a humildade são indispensáveis para um bom acolhimento.
O catequista é o melhor exemplo para dar testemunho aos seus catequizandos, é nele que eles confiam. Antes de acolher os filhos, o catequista deve acolher os pais estando pelo menos 15 minutos antes do início no local (acolhimento humano - como foi a semana...) Para além disso, já dentro da sala, o acolhimento continua (acolhimento ambiencial - sala pré-preparada, diálogo...).

- Elementos de uma Catequese:

1) Experiência Humana,
Partimos de experiências concretas e reais. Esta tem de ser vivida (que se vive atualmente), evocada (de consciências vistas nos media, por exemplo) e provocada (o catequista é que os faz viver e experienciar através de dinâmicas ou estratégias. A experiência humana tem de ser alargada/universalizada e, posteriormente, aprofundada.

2) Palavra ou Experiência da Fé,
Propomos a palavra recorrendo à Sagrada Escritura (Bíblia), à Sagrada Tradição (atividades dos apóstolos) ou ao Magistério (ao Papa e a escrituras atuais). Confrontamos a nossa vida com a de Cristo. Depois de anunciada, essa Palavra tem de ser interiorizada e, posteriormente, convertida para ser vivida.

3) Expressão da Fé,

Em catequese celebrar é responder ao convite de Deus, aderir à Igreja, promover uma interação entre a fé e a vida e exteriorizar uma atitude de ação de graças e de louvor.
Celebramos a fé através de orações, cânticos, gestos...
Doutrina ou Síntese da Fé: é importante, portanto, sintetizar a fé na catequese através de perguntas e respostas, frases ou expressões do Evangelho, dísticos, foto-montagens, imagens, etc.
 
Compromisso: a catequese consiste em iluminar a vida, propondo a mudança da mesma.

(Manuel Gerardo)

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Primeiro dia do peregrino



Hoje, 13 de outubro, celebra-se o primeiro Dia Nacional do Peregrino em Portugal, uma decisão recente do Parlamento português aprovou a instituição do Dia do Peregrino que reconhece a importância do fenómeno do peregrinar.
 
Para Lourenço de Almeida, membro da direção do Centro Nacional da Cultura e responsável pelo projeto “Caminhos de Fátima”, a iniciativa vem reconhecer a importância do ato de peregrinar", não só do ponto de vista “religioso” mas também ao nível de todas as “atividades complementares” que a partir dele se geram. Salienta ainda que “Hoje já ninguém duvida que a cultura ultrapassa a informação e os conhecimentos e integra o cultivo das relações com a natureza, na qual nos inserimos. É o fruto dessa interação que o peregrinar nos proporciona”.
 
A delegada e voluntária do Centro Nacional da Cultura para o Caminho do Mar acredita que a criação do Dia do Peregrino resulta também de uma nova forma de encarar esta atividade.
 
“Há uns anos confidenciavam-me que cumpriam promessas. Hoje vejo que vão à procura de algo, à procura de Deus. A instituição deste dia faz-nos olhar para os peregrinos como pessoas que procuram algo de bom, para além de fatores económicos que não deixam de ser importantes”, aponta Isabel Blanco Ferreira.
 
Em jeito de conclusão transcrevemos um texto, de autor desconhecido, intitulada: Cristo e eu

Eu, peregrino. Ele o caminho.
Eu, a pergunta. Ele a resposta.
Eu, a água. Ele a fonte.
Eu, tão fraco. Ele a força.
Eu, as trevas. Ele a luz.
Eu, o pecado. Ele o perdão.
Eu, a luta. Ele a vitória.
Eu, o inverno. Ele o sol.
Eu, caindo. Ele a Rocha.
Eu, doente. Ele o milagre.
Eu, a pauta. Ele a sinfonia.
Eu, o grão de trigo. Ele o pão.
Eu, comungando. Ele a Eucaristia.
Eu, a gota. Ele o oceano.
Eu, a procura. Ele o endereço.
Meu passado e meu presente em suas mãos.
Meu futuro: todo Dele.
Eu, no tempo.....E Cristo a Ressurreição

(texto adaptado da Agência Ecclesia)

sábado, 4 de outubro de 2014

Sínodo dos Bispos



Desde o próximo domingo até ao dia 19 deste mês de Outubro decorre, no Vaticano, a primeira etapa do Sínodo dedicado à família. Trata-se, por agora, de “recolher testemunhos e propostas dos Bispos para anunciar e viver de maneira fidedigna o Evangelho para a família”; a segunda, destinada a “procurar linhas de acção para a pastoral da pessoa humana e da família”, cumprir-se-á no próximo ano (2015).
 
A expetativa é grande até porque o documento preparatório considera a reflexão “necessária”, “urgente” e “indispensável” e os temas a discutir abrangem as condicionantes socioeconómicas, as evoluções culturais e as dificuldades e complexidades que a família enfrenta em cada país ou região.
 
Assim, deixamos aqui hoje um pedido de oração à Sagrada Família pelo sínodo dos Bispos sobre a família:

Jesus, Maria e José,
em Vós, contemplamos
o esplendor do verdadeiro amor,
a Vós, com confiança, nos dirigimos.

Sagrada Família de Nazaré,
tornai também as nossas famílias
lugares de comunhão e cenáculos de oração,
escolas autênticas do Evangelho
e pequenas Igrejas domésticas.

Sagrada Família de Nazaré,
que nunca mais se faça, nas famílias, experiência
de violência, egoísmo e divisão:
quem ficou ferido ou escandalizado
depressa conheça consolação e cura.

Sagrada Família de Nazaré,
que o próximo Sínodo dos Bispos
possa despertar, em todos, a consciência
do carácter sagrado e inviolável da família,
a sua beleza no projecto de Deus.

Jesus, Maria e José,
escutai, atendei a nossa súplica


(texto adaptado da crónica de Pe. João Aguiar Campos - Agência Ecclesia)

domingo, 28 de setembro de 2014

Senhora do Porto

Hoje transcrevemos um artigo da autoria do historiador Germano Silva, publicado no Jornal de Notícias do passado domingo, 21 de setembro de 2014, dia das Festividades em Honra de Nossa Senhora do Porto





Aquele morro altissimo que fica entre a Rua das Antas e a igreja paroquial do Bonfim chamou-se antigamente o Fojo – palavra que significa “cova funda com uma abertura disfarçada para apanhar animais”.


Pode hoje não parecer, mas, há pouco mais de duzentos anos, antes de toda aqueça zona se desentranhar em urbanismo, o sitio em questão tinha mesmo o aspeto medonho de um barranco inóspito, de um perigoso precipício.


No cimo do penhasco foram construídas, há muitos anos, por viajantes piedosos, umas “alminhas” que no seculo XVIII, mais concretamente em 1767, a generosidade do cónego da Sé do Porto José Maria de Sousa e as esmolas do povo devoto transformaram numa capela sob a invocação do Senhor Jesus do Fojo que, anos mais tarde, passaria a chamar-se Senhor Jesus da Boa-vista.


O nome de Senhor Jesus da Boa-vista, assim como o topónimo de Montebelo (atual Fernão de Magalhães) têm a ver com o ambiente rural que naqueles recuados tempos envolvia o Fojo.

Descrições da zona feitas ainda nos meados do século XIX fazem referências a “amplas zonas cobertas de férteis campos” e de um “panorama verdadeiramente paradisíaco” que, por esses tempos, era possível desfrutar do pequeno adro que havia em frente da capela, “todo circundado de arvoredo, o que o torna (ao adro) muito agradável para quem ali quiser pousar”.


Bom, este panorama já não é possível contemplar. Mas a capela, depois de ter sido construída em 1864, ainda se lá se encontra e hoje mesmo está em festa porque nela se celebra a festividade da Senhora do Porto cuja imagem se venera em altar próprio no interior do pequeno templo.


É bem curiosa a história desta Senhora do Porto. Escrevemos desta, porque há mais duas imagens da mesma invocação: uma que é a da padroeira da paróquia da Senhora do Porto, ao Monte dos Burgos, e a terceira foi da casa da Prelada e está no Museu da Santa Casa da Misericórdia do Porto, na Rua das Flores. 


Mas, vamos à história da Senhora do Porto do Montebelo, ou do Fojo, se preferirem.
Durante a segunda invasão francesa, que ocorreu sob comando do general Soult, no ano de 1809, a cidade esteve a saque. Os soldados franceses, durante vários dias, além de terem cometido toda a sorte de tropelias e vilezas para com os portuenses, saquearam casas e igrejas de onde roubaram tudo o que tivesse valor.


Um certo dia, ainda no decurso da ocupação, apareceu ali para os lados do Bonfim um soldado francês a oferecer à venda, a quem com ele se cruzava, uma imagem de Nossa Senhora. Passou por ele um funcionário da Câmara que ofereceu pela imagem um pinto, moeda de prata corrente na época. Fez-se o “negócio” e o comprador levou a imagem à capela do Senhor Jesus da Boa-vista onde ficou sob a invocação de Nossa Senhora do Porto, que tem a sua festa anual exatamente hoje, terceiro domingo do mês de setembro.


Mas esta não é a única festa que se realiza ma capela. Importante também é a que se faz no primeiro domingo de Julho em louvor do próprio Senhor Jesus da Boa-vista, cuja imagem ocupa o lugar de honra, se assim se pode dizer, do altar principal da capela. Também esta imagem tem uma história. Foi seu autor o escultor portuense Manuel Soares de Oliveira, que um dia fez a promessa de esculpir uma imagem do Senhor Jesus da Boa-vista, em tamanho natural, que ofereceria à capela se ficasse livre do serviço militar. Assim aconteceu e o artista cumpriu a promessa.


Durante o Cerco (1832/1833) foi construída uma linha de defesa do Porto que, nesta zona da cidade, passava junto da capela do Senhor Jesus da Boa-vista. Por causa disso, o pequeno templo foi muito danificado pelos obuses que a atingiram durante os renhidos combates que se travaram no alto do penhasco do Fojo. O sitio era privilegiado porque dele era impossível atingir a sempre muito movimentada estrada de Valongo. A ampliação da capela feita em 1864 teve, também, entre outros, o objetivo de reparar as mazelas causadas pela guerra civil que opôs as tropas de D. Miguel ao exército de D. Pedro IV.


O sítio onde agora corre a Avenida Fernão de Magalhães, antes da abertura das artérias circundantes e da construção de enormes edifícios, chamava-se simplesmente Montebelo. A Rua do Amparo (evocação a Nossa Senhora do Amparo?) era, antigamente, a Viela da Palha. E havia o lugar de Goelas de Pau, com seu belo mirante, onde também se travaram combates durante a segunda invasão francesa e no tempo do Cerco. O Governo português comprou esta propriedade em 1892 e, sete anos depois, por ocasião de uma epidemia que assolou a cidade, chamada a peste bubónica, construiu-se ali um hospital para tratamento dos pestíferos. O Hospital Joaquim Urbano.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Homilia - Abertura do ano pastoral

Hoje transcrevemos a homilia do Bispo do Porto, aquando da abertura do ano pastoral:



1. Acompanha-me nesta hora de abertura solene do novo Ano Pastoral na nossa Diocese a bela saudação de S. Paulo aos cristãos de Roma: “Graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e da do Senhor Jesus Cristo” (Rom.1,7).
S. Paulo diz aos romanos que pelo Evangelho foi chamado a ser apóstolo e diz-nos a nós que os cristãos de Roma foram igualmente chamados pelo mesmo Evangelho a “serem de Cristo”.

A vocação do apóstolo é modelo da vocação dos cristãos. Mas a vocação do apóstolo é mais do que modelo. É missão. Foi pela missão que S. Paulo se tornou testemunha qualificada da alegria do Evangelho

Nas cartas, na vida, nas viagens, no trabalho de S. Paulo escreve-se a vida e afirma-se a missão da Igreja. Assim se escreveram, igualmente, os Atos dos Apóstolos, que nos falam da beleza e do encanto da Igreja nascente.

Também nesta hora se escreve mais uma página da vida da Igreja do Porto, escrita ao jeito de S. Paulo, com alegria, com entusiasmo e com esperança.

Abre-se, em dia da Dedicação da Igreja Catedral, para a nossa Diocese o novo caminho pastoral, que vamos percorrer ao longo deste ano. Temos o nosso olhar colocado no horizonte da celebração dos 150 anos do nosso Seminário Maior de Nossa Senhora da Conceição, no próximo dia 15 deste mês, e dos 900 anos da restauração da Diocese, em outubro próximo, e daí partiremos no rumo do futuro, com datas a recordar e com metas a percorrer.

2. O início de cada Ano Pastoral exige um olhar novo e projeta-nos para um horizonte diferente. Temos diante de nós um método de pedagogia pastoral, alicerçado na corresponsabilidade eclesial nos diversos níveis, âmbitos e instâncias, e uma meta definida, concreta e marcada no tempo. Um ano é uma breve etapa que nos vai permitir uma reflexão mais ampla a afirmar a nossa disponibilidade para realizarmos um esforço pastoral comum de maior alcance para que a Igreja do Porto consciente na fé, mobilizada no seu todo, fortalecida na comunhão e renovada na caridade seja sinal de esperança para o mundo.

Sabemo-nos todos necessários e queremo-nos todos envolvidos, cultivando formas, meios e oportunidades para viver de Cristo e anunciar em seu nome a alegria do Evangelho.
Queremos ser, como diz S. Paulo aos Coríntios: “uma carta de Cristo, ministrada por nós, escrita, não com tinta, mas com o Espírito de Deus vivo; não em tábuas de pedra, mas em tábuas que são corações de carne”(2 Cor.3,3).

Convido-vos a ler e a escrever esta carta com o mesmo encanto com que se escreveram as páginas do início da Igreja no Porto, da restauração da Diocese, séculos depois, da sua organização pastoral, da construção dos seus Seminários e doutras necessárias estruturas pastorais, do testemunho vivo dos seus bispos, sacerdotes, diáconos, seminaristas e consagrados e da afirmação pública dos cristãos do Porto, conscientes da sua fé e da implicação do seu testemunho coerente de vida no viver da Cidade e do País.

Convoco-vos para a missão. Ao verem-nos disponíveis e generosos e ao sentirem-nos discípulos de Jesus, o Mestre e Senhor, outros se juntarão a nós, guiados pelo mesmo Espírito de Deus.

3. Escolhemos como lema para este Ano pastoral: “A alegria do evangelho é a nossa missão”. Inspira-nos nesta escolha a recente Exortação Apostólica do Papa Francisco: “A alegria do Evangelho”.

Desta Exortação Apostólica faremos texto e tema para a nossa formação, no decorrer do tempo, e orientação de atividades e iniciativas ao longo de todo o Ano pastoral, concretamente nas Caminhadas de Advento-Natal e de Quaresma-Páscoa, que em tempo oportuno apresentarei à Diocese.

Desde o início do meu ministério, no Porto, encontrei na Igreja, que Deus me enviou a servir, esta alegria do Evangelho, desenhada e esculpida na alma de uma Igreja com um belo e longo percurso histórico e mais recentemente impressa e expressa em inovadoras experiências pastorais, vividas a nível das pessoas, das paróquias, das vigararias, dos movimentos e das instituições, de que destaco: a Missão 2010, as Jornadas Vicariais da Fé e a celebração dos Dias diocesanos, a que acresce o dinamismo vicarial e paroquial sentido nas nossas Comunidades cristãs.

Um novo ano pastoral, e este em concreto, que é o primeiro que vivo convosco como bispo para vós e como irmão convosco, deve ter a esperança como motor e como força propulsora das atitudes a cultivar e dos programas a realizar nas várias vertentes pastorais. Queremos ser um Igreja onde as pessoas sintam o gosto de a ela pertencerem.

A esperança surge assim na Igreja diocesana como presença irradiante da renovação que se deseja e do serviço aos mais pobres que realizamos.

O serviço aos mais pobres exige atenção demorada e criativa. Implica proximidade e escuta. Necessita de persistência e de aprendizagem. Procura respostas novas para problemas diferentes e para pessoas concretas, únicas e irrepetíveis. É necessário ir ao coração dos problemas sociais para proteger os mais frágeis e promover a sua dignidade.

A pobreza não é uma fatalidade nem pode ser uma tirania a subjugar os mais frágeis ou desprotegidos. A Igreja do Porto nunca deixará esgotar na sua missão nem extinguir em cada um de nós a generosidade e a caridade ao serviço dos mais pobres.

Cada batizado, como sabemos, é responsável pela sorte do Evangelho em ordem a construir um mundo melhor. Deve viver esta responsabilidade e realizar esta missão integrado na comunidade cristã e possuindo o sentido da Igreja Diocesana.

Convido-vos, irmãos e irmãs, a viverdes este desafio prioritário que nos torne acolhedores, disponíveis e com espírito de comunhão nas paróquias, nas vigararias, nos secretariados, nos movimentos, nas instituições e na pastoral diocesana no seu todo.

4. Inicia-se no próximo dia 5 de outubro, em Roma, o Sínodo extraordinário dos Bispos sobre “Os desafios pastorais da família no contexto da evangelização”. Teremos presente, ao longo de todo o ano, esta iniciativa do Papa Francisco e a sua intenção de dar centralidade à família, na oração e na missão da Igreja.

Vamos viver, igualmente, em comunhão com o Papa Francisco o Ano dedicado à Vida Consagrada. Queremos agradecer a Deus o dom das comunidades religiosas e da vida consagrada na nossa Diocese e dar mais visibilidade e atenção ao testemunho da vida consagrada.

Nunca perderemos na linha do horizonte desta viagem pastoral a prioridade a dar à pastoral vocacional que deve impregnar de espírito e de esperança toda a pastoral. Somos chamados, em Igreja, a sermos promotores das diferentes formas de realização vocacional, muito em especial das vocações sacerdotais e das vocações de consagração.

Partimos, irmãos sacerdotes, diáconos, seminaristas, consagrados e consagradas, leigos e leigas, catequistas, educadores, professores de Educação Moral e Religiosa Católica, agentes de pastoral nas diferentes vanguardas da missão pastoral para esta viagem feliz de um novo ano pastoral, dispostos a trabalhar como se tudo dependesse de nós e decididos a rezar, sabendo que tudo depende de Deus.

A palavra de Deus, hoje proclamada, ajuda-nos neste propósito pastoral que aqui se faz compromisso de missão e ilumina-nos no caminho que agora iniciamos.

Este é o templo do Senhor, de que nos falava a primeira leitura. Este templo é sinal de que Deus habita no meio do seu povo (Ez 43, 1-7). Sabemos todos que “o templo de Deus é santo e nós somos esse templo” (cf 1 Cor 3, 9-17). Igualmente expressivo é o texto do Evangelho que nos narra o encontro e o diálogo de Jesus com Zaqueu. Faz-nos bem ouvir de Jesus esta palavra, também dita para nós: “Hoje entrou a salvação nesta casa” (Lc 19, 1-10).

São muitos, aqueles que procuram Deus, porventura de forma tímida e de modo discreto. A todos somos enviados em missão, ao longo do ano que hoje começa, para que também neles Deus tenha o seu templo e para que Jesus entre em sua casa.

Procuremos ver Jesus. Caminhemos em frente. “Façamo-nos ao largo”, neste oceano imenso do mistério santo de Deus e da urgência do Absoluto. Demos prioridade à incessante procura do essencial na vida e na missão de todos nós bispos, sacerdotes, seminaristas, diáconos, religiosos e leigos.

5. Confio este Ano Pastoral e as realizações que nele vão decorrer à proteção terna de Nossa Senhora da Assunção, padroeira da Catedral e da nossa Diocese.

É sob o seu olhar materna que a Diocese do Porto sempre caminhou ao longo da história. É sob a bênção constante deste mesmo olhar que vamos caminhar ao longo do novo Ano Pastoral, que hoje aqui se inicia. Feliz Ano Pastoral!

domingo, 7 de setembro de 2014

Santa Clara






Hoje é dia de festa na nossa paróquia do Bonfim, Porto (Portugal), é do dia da festa de Santa Clara. Podemos até dizer que é dia de festa na nossa cidade do Porto dada a tradição desta festa na cidade que reúne muitos devotos e romeiros não só da cidade como dos arredores.

Santa Clara nasceu no tempo do Império Romano. Os seus pais não eram cristãos, professavam o paganismo. Mas, reza a tradição, um dia Clara sentiu-se interpelada pelo testemunho de fé dos jovens da sua idade que eram martirizados nas arenas de Roma, por ordem dos imperadores. Procurou conhecer a fé cristã e pediu o baptismo.

Chamada a tribunal pelas autoridades do Império, defendeu a sua fé cristã e mostrou desejo de morrer por Cristo. Acabou martirizada no tempo das perseguições de Diocleciano e Maximiano, na mesma época em que as portuguesas santas Quitéria, Liberata e Gema. Foi sepultada nas catacumbas de S. Calisto.

Em 1777, o Cardeal Caprara pediu permissão ao Papa Pio VI para pôr à veneração dos fiéis as relíquias de Santa Clara. Nessa época, estudava em Roma um cidadão do Porto, o pintor e professor de desenho da Academia do Porto, José Teixeira, que foi religioso leigo da Ordem de S. Bento. 

Com o desejo de enriquecer a Igreja do Bonfim com tão precioso tesouro, pediu ao Cardeal Caprara o corpo da Mártir, tendo este acedido ao pedido. Dois anos depois, em 1779, o corpo de Santa Clara foi transportado de navio para Portugal. Durante esta viagem, a embarcação foi assolada por uma tempestade, mas por sua intercessão, nenhum mal aconteceu à tripulação. Antes de entrar em Portugal, passou por Barcelona, tendo sido procurada por grandes multidões. Em Saragoça, chegou a ser alvo dos esforços do Bispo local para ficar no altar de Nossa Senhora do Pilar. Em Lisboa, também foi alvo de “cobiça” de alguns párocos locais, tendo o mesmo sido verificado no Porto.

Após uma estadia na Igreja de Nossa Senhora do Terço e Caridade do Porto (Cimo de Vila) foi transladada, no primeiro domingo de Setembro de 1803, para a Igreja do Bonfim. Desde esta data, tornou-se alvo de grande devoção, sendo conhecida como a "Santa do Bonfim", intecessora e protectora dos marinheiros, mães com dores de parto e problemas de fala das crianças e também é “costume” os noivos oferecerem ovos a Santa Clara “em troca” de um dia de sol para o seu casamento.

Este ano, a eucaristia solene foi presidida pelo Bispo do Porto, D. António, e à hora desta publicação ainda poderão assistir nomeadamente no dia 7 a concertos (15h30 - Concerto de Rui Vilhena e Rita Azevedo e 21h30 - Quinteto de Jazz - Conservatório de Música do Porto), dia 12 a atuação do Rancho Folclórico do Porto e Companhia de Baile Flamenco às 21,30 h. realizam-se também no âmbito das festas duas conferências : "A Alegria do Evangelho e da Evangelização" dia 8 pelo Pe. Américo Aguiar e dia 11 por D. Ximenes Belo, ambas às 21:30h.
 
Por fim, deixamos aqui uma “viagem de quase 7 minutos” à igreja do Bonfim:



(texto adaptado de www.etc.pt)