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terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Mensagem de Quaresma - Papa Francisco

Estamos de volta!

Este tempo de Quaresma, que amanhã se inicia, é sobretudo dedicado à reflexão. Assim, convidamos os nossos leitores a conhecer e meditar na mensagem do Papa Francisco.




Fortalecei os vossos corações (Tg 5, 8)


Amados irmãos e irmãs,


Tempo de renovação para a Igreja, para as comunidades e para cada um dos fiéis, a Quaresma é sobretudo um «tempo favorável» de graça (cf. 2 Cor 6, 2). Deus nada nos pede, que antes não no-lo tenha dado: «Nós amamos, porque Ele nos amou primeiro» (1 Jo 4, 19). Ele não nos olha com indiferença; pelo contrário, tem a peito cada um de nós, conhece-nos pelo nome, cuida de nós e vai à nossa procura, quando O deixamos. Interessa-Se por cada um de nós; o seu amor impede-Lhe de ficar indiferente perante aquilo que nos acontece. Coisa diversa se passa connosco! Quando estamos bem e comodamente instalados, esquecemo-nos certamente dos outros (isto, Deus Pai nunca o faz!), não nos interessam os seus problemas, nem as tribulações e injustiças que sofrem; e, assim, o nosso coração cai na indiferença: encontrando-me relativamente bem e confortável, esqueço-me dos que não estão bem! Hoje, esta atitude egoísta de indiferença atingiu uma dimensão mundial tal que podemos falar de uma globalização da indiferença. Trata-se de um mal-estar que temos obrigação, como cristãos, de enfrentar.

Quando o povo de Deus se converte ao seu amor, encontra resposta para as questões que a história continuamente nos coloca. E um dos desafios mais urgentes, sobre o qual me quero deter nesta Mensagem, é o da globalização da indiferença.

Dado que a indiferença para com o próximo e para com Deus é uma tentação real também para nós, cristãos, temos necessidade de ouvir, em cada Quaresma, o brado dos profetas que levantam a voz para nos despertar.

A Deus não Lhe é indiferente o mundo, mas ama-o até ao ponto de entregar o seu Filho pela salvação de todo o homem. Na encarnação, na vida terrena, na morte e ressurreição do Filho de Deus, abre-se definitivamente a porta entre Deus e o homem, entre o Céu e a terra. E a Igreja é como a mão que mantém aberta esta porta, por meio da proclamação da Palavra, da celebração dos Sacramentos, do testemunho da fé que se torna eficaz pelo amor (cf. Gl 5, 6). O mundo, porém, tende a fechar-se em si mesmo e a fechar a referida porta através da qual Deus entra no mundo e o mundo n'Ele. Sendo assim, a mão, que é a Igreja, não deve jamais surpreender-se, se se vir rejeitada, esmagada e ferida.

Por isso, o povo de Deus tem necessidade de renovação, para não cair na indiferença nem se fechar em si mesmo. Tendo em vista esta renovação, gostaria de vos propor três textos para a vossa meditação.

1. «Se um membro sofre, com ele sofrem todos os membros» (1 Cor 12, 26): A Igreja.
 
Com o seu ensinamento e sobretudo com o seu testemunho, a Igreja oferece-nos o amor de Deus, que rompe esta reclusão mortal em nós mesmos que é a indiferença. Mas, só se pode testemunhar algo que antes experimentámos. O cristão é aquele que permite a Deus revesti-lo da sua bondade e misericórdia, revesti-lo de Cristo para se tornar, como Ele, servo de Deus e dos homens. Bem no-lo recorda a liturgia de Quinta-feira Santa com o rito do lava-pés. Pedro não queria que Jesus lhe lavasse os pés, mas depois compreendeu que Jesus não pretendia apenas exemplificar como devemos lavar os pés uns aos outros; este serviço, só o pode fazer quem, primeiro, se deixou lavar os pés por Cristo. Só essa pessoa «tem a haver com Ele» (cf. Jo 13, 8), podendo assim servir o homem.

A Quaresma é um tempo propício para nos deixarmos servir por Cristo e, deste modo, tornarmo-nos como Ele. Verifica-se isto quando ouvimos a Palavra de Deus e recebemos os sacramentos, nomeadamente a Eucaristia. Nesta, tornamo-nos naquilo que recebemos: o corpo de Cristo. Neste corpo, não encontra lugar a tal indiferença que, com tanta frequência, parece apoderar-se dos nossos corações; porque, quem é de Cristo, pertence a um único corpo e, n'Ele, um não olha com indiferença o outro. «Assim, se um membro sofre, com ele sofrem todos os membros; se um membro é honrado, todos os membros participam da sua alegria» (1 Cor 12, 26).

A Igreja é communio sanctorum, não só porque, nela, tomam parte os Santos mas também porque é comunhão de coisas santas: o amor de Deus, que nos foi revelado em Cristo, e todos os seus dons; e, entre estes, há que incluir também a resposta de quantos se deixam alcançar por tal amor. Nesta comunhão dos Santos e nesta participação nas coisas santas, aquilo que cada um possui, não o reserva só para si, mas tudo é para todos. E, dado que estamos interligados em Deus, podemos fazer algo mesmo pelos que estão longe, por aqueles que não poderíamos jamais, com as nossas simples forças, alcançar: rezamos com eles e por eles a Deus, para que todos nos abramos à sua obra de salvação.


2. «Onde está o teu irmão?» (Gn 4, 9): As paróquias e as comunidades

Tudo o que se disse a propósito da Igreja universal é necessário agora traduzi-lo na vida das paróquias e comunidades. Nestas realidades eclesiais, consegue-se porventura experimentar que fazemos parte de um único corpo? Um corpo que, simultaneamente, recebe e partilha aquilo que Deus nos quer dar? Um corpo que conhece e cuida dos seus membros mais frágeis, pobres e pequeninos? Ou refugiamo-nos num amor universal pronto a comprometer-se lá longe no mundo, mas que esquece o Lázaro sentado à sua porta fechada (cf. Lc 16, 19-31)?

Para receber e fazer frutificar plenamente aquilo que Deus nos dá, deve-se ultrapassar as fronteiras da Igreja visível em duas direcções.

Em primeiro lugar, unindo-nos à Igreja do Céu na oração. Quando a Igreja terrena reza, instaura-se reciprocamente uma comunhão de serviços e bens que chega até à presença de Deus. Juntamente com os Santos, que encontraram a sua plenitude em Deus, fazemos parte daquela comunhão onde a indiferença é vencida pelo amor. A Igreja do Céu não é triunfante, porque deixou para trás as tribulações do mundo e usufrui sozinha do gozo eterno; antes pelo contrário, pois aos Santos é concedido já contemplar e rejubilar com o facto de terem vencido definitivamente a indiferença, a dureza de coração e o ódio, graças à morte e ressurreição de Jesus. E, enquanto esta vitória do amor não impregnar todo o mundo, os Santos caminham connosco, que ainda somos peregrinos. Convicta de que a alegria no Céu pela vitória do amor crucificado não é plena enquanto houver, na terra, um só homem que sofra e gema, escrevia Santa Teresa de Lisieux, doutora da Igreja: «Muito espero não ficar inactiva no Céu; o meu desejo é continuar a trabalhar pela Igreja e pelas almas» (Carta 254, de 14 de Julho de 1897).

Também nós participamos dos méritos e da alegria dos Santos e eles tomam parte na nossa luta e no nosso desejo de paz e reconciliação. Para nós, a sua alegria pela vitória de Cristo ressuscitado é origem de força para superar tantas formas de indiferença e dureza de coração.

Em segundo lugar, cada comunidade cristã é chamada a atravessar o limiar que a põe em relação com a sociedade circundante, com os pobres e com os incrédulos. A Igreja é, por sua natureza, missionária, não fechada em si mesma, mas enviada a todos os homens.

Esta missão é o paciente testemunho d'Aquele que quer conduzir ao Pai toda a realidade e todo o homem. A missão é aquilo que o amor não pode calar. A Igreja segue Jesus Cristo pela estrada que a conduz a cada homem, até aos confins da terra (cf. Act 1, 8). Assim podemos ver, no nosso próximo, o irmão e a irmã pelos quais Cristo morreu e ressuscitou. Tudo aquilo que recebemos, recebemo-lo também para eles. E, vice-versa, tudo o que estes irmãos possuem é um dom para a Igreja e para a humanidade inteira.

Amados irmãos e irmãs, como desejo que os lugares onde a Igreja se manifesta, particularmente as nossas paróquias e as nossas comunidades, se tornem ilhas de misericórdia no meio do mar da indiferença!

3. «Fortalecei os vossos corações» (Tg 5, 8): Cada um dos fiéis

Também como indivíduos temos a tentação da indiferença. Estamos saturados de notícias e imagens impressionantes que nos relatam o sofrimento humano, sentindo ao mesmo tempo toda a nossa incapacidade de intervir. Que fazer para não nos deixarmos absorver por esta espiral de terror e impotência?
 
Em primeiro lugar, podemos rezar na comunhão da Igreja terrena e celeste. Não subestimemos a força da oração de muitos! A iniciativa 24 horas para o Senhor, que espero se celebre em toda a Igreja – mesmo a nível diocesano – nos dias 13 e 14 de Março, pretende dar expressão a esta necessidade da oração.

Em segundo lugar, podemos levar ajuda, com gestos de caridade, tanto a quem vive próximo de nós como a quem está longe, graças aos inúmeros organismos caritativos da Igreja. A Quaresma é um tempo propício para mostrar este interesse pelo outro, através de um sinal – mesmo pequeno, mas concreto – da nossa participação na humanidade que temos em comum.

E, em terceiro lugar, o sofrimento do próximo constitui um apelo à conversão, porque a necessidade do irmão recorda-me a fragilidade da minha vida, a minha dependência de Deus e dos irmãos. Se humildemente pedirmos a graça de Deus e aceitarmos os limites das nossas possibilidades, então confiaremos nas possibilidades infinitas que tem de reserva o amor de Deus. E poderemos resistir à tentação diabólica que nos leva a crer que podemos salvar-nos e salvar o mundo sozinhos.

Para superar a indiferença e as nossas pretensões de omnipotência, gostaria de pedir a todos para viverem este tempo de Quaresma como um percurso de formação do coração, a que nos convidava Bento XVI (Carta enc. Deus caritas est, 31). Ter um coração misericordioso não significa ter um coração débil. Quem quer ser misericordioso precisa de um coração forte, firme, fechado ao tentador mas aberto a Deus; um coração que se deixe impregnar pelo Espírito e levar pelos caminhos do amor que conduzem aos irmãos e irmãs; no fundo, um coração pobre, isto é, que conhece as suas limitações e se gasta pelo outro.

Por isso, amados irmãos e irmãs, nesta Quaresma desejo rezar convosco a Cristo: «Fac cor nostrum secundum cor tuum – Fazei o nosso coração semelhante ao vosso» (Súplica das Ladainhas ao Sagrado Coração de Jesus). Teremos assim um coração forte e misericordioso, vigilante e generoso, que não se deixa fechar em si mesmo nem cai na vertigem da globalização da indiferença.

Com estes votos, asseguro a minha oração por cada crente e cada comunidade eclesial para que percorram, frutuosamente, o itinerário quaresmal, enquanto, por minha vez, vos peço que rezeis por mim. Que o Senhor vos abençoe e Nossa Senhora vos guarde!

Vaticano, Festa de São Francisco de Assis, 4 de Outubro de 2014

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Papa Francisco - mensagem pascal




Hoje transcrevemos a mensagem pascal do Papa Francisco, disponível no site da Agência Ecclesia




Amados irmãos e irmãs, boa e santa Páscoa!

Ressoa na Igreja espalhada por todo o mundo o anúncio do anjo às mulheres: «Não tenhais medo. Sei que buscais Jesus, o crucificado; não está aqui, pois ressuscitou (...). Vinde, vede o lugar onde jazia» (Mt 28,5-6).

 Este é o ponto culminante do Evangelho, é a Boa Nova por excelência: Jesus, o crucificado, ressuscitou! Este acontecimento está na base da nossa fé e da nossa esperança: se Cristo não tivesse ressuscitado, o cristianismo perderia o seu valor; toda a missão da Igreja via esgotar-se o seu ímpeto, porque dali partiu e sempre parte de novo. A mensagem que os cristãos levam ao mundo é esta: Jesus, o Amor encarnado, morreu na cruz pelos nossos pecados, mas Deus Pai ressuscitou-O e fê-Lo Senhor da vida e da morte. Em Jesus, o Amor triunfou sobre o ódio, a misericórdia sobre o pecado, o bem sobre o mal, a verdade sobre a mentira, a vida sobre a morte.

Por isso, nós dizemos a todos: «Vinde e vede». Em cada situação humana, marcada pela fragilidade, o pecado e a morte, a Boa Nova não é apenas uma palavra, mas é um testemunho de amor gratuito e fiel: é sair de si mesmo para ir ao encontro do outro, é permanecer junto de quem a vida feriu, é partilhar com quem não tem o necessário, é ficar ao lado de quem está doente, é idoso ou excluído... «Vinde e vede»: o Amor é mais forte, o Amor dá vida, o Amor faz florescer a esperança no deserto.

Com esta jubilosa certeza no coração, hoje voltamo-nos para Vós, Senhor ressuscitado!

Ajudai-nos a procurar-Vos para que todos possamos encontrar-Vos, saber que temos um Pai e não nos sentimos órfãos; que podemos amar-Vos e adorar-Vos.

Ajudai-nos a vencer a chaga da fome, agravada pelos conflitos e por um desperdício imenso de que muitas vezes somos cúmplices.

Tornai-nos capazes de proteger os indefesos, sobretudo as crianças, as mulheres e os idosos, por vezes objeto de exploração e de abandono.

Fazei que possamos cuidar dos irmãos atingidos pela epidemia de ébola na Guiné Conacri, Serra Leoa e Libéria, e daqueles que são afetados por tantas outras doenças, que se difundem também pela negligência e a pobreza extrema.

Consolai quantos hoje não podem celebrar a Páscoa com os seus entes queridos porque foram arrancados injustamente dos seus carinhos, como as numerosas pessoas, sacerdotes e leigos, que foram sequestradas em diferentes partes do mundo.

Confortai aqueles que deixaram as suas terras emigrando para lugares onde possam esperar um futuro melhor, viver a própria vida com dignidade e, não raro, professar livremente a sua fé.

Pedimo-Vos, Jesus glorioso, que façais cessar toda a guerra, toda a hostilidade grande ou pequena, antiga ou recente!

Suplicamo-Vos, em particular, pela Síria, a amada Síria, para que quantos sofrem as consequências do conflito possam receber a ajuda humanitária necessária e as partes em causa cessem de usar a força para semear morte, sobretudo contra a população inerme, mas tenham a audácia de negociar a paz, há tanto tempo esperada.

Jesus glorioso, pedimo-Vos que conforteis as vítimas das violências fratricidas no Iraque e sustenteis as esperanças suscitadas pela retomada das negociações entre israelitas e palestinianos.

Imploramo-Vos que se ponha fim aos combates na República Centro-Africana e que cessem os hediondos ataques terroristas em algumas zonas da Nigéria e as violências no Sudão do Sul.

Pedimos-Vos que os ânimos se inclinem para a reconciliação e a concórdia fraterna na Venezuela.

Pela vossa Ressurreição, que este ano celebramos juntamente com as Igrejas que seguem o calendário juliano, vos pedimos que ilumine e inspire as iniciativas de pacificação na Ucrânia, para que todas as partes interessadas, apoiadas pela Comunidade internacional, possam empreender todo esforço para impedir a violência e construir, num espírito de unidade e diálogo, o futuro do País. Que eles como irmãos possam cantar ‘Xphctoc Bocĸpec’.

Pedimo-Vos, Senhor, por todos os povos da terra: Vós que vencestes a morte, dai-nos a vossa vida, dai-nos a vossa paz! "Christus surrexit, venite et videte!" Queridos irmãos e irmãs, feliz Páscoa!

Saudação
Queridos irmãos e irmãs,

Renovo os meus votos de feliz Páscoa a todos vós reunidos nesta Praça, vindos de todas as partes do mundo. Estendo as minhas felicitações pascais a todos que, de diversos países, estão conectados através dos meios de comunicação social. Levai às vossas famílias e às vossas comunidades o feliz anúncio que Cristo, nossa paz e nossa esperança, ressuscitou!
Obrigado pela vossa presença, pela vossa oração e pelo vosso testemunho de fé. Um pensamento particular e de reconhecimento pelo dom das belíssimas flores, oriundas dos Países Baixos. Feliz Páscoa para todos!

terça-feira, 9 de abril de 2013

Montebelo numa Páscoa mais feliz





O Centro de Catequese de Montebelo em geral, particularmente os jovens e pais dos grupos de 9º e 10º ano, agarraram o desafio de ajudar a campanha “Por uma Páscoa mais Feliz” que já vai na sua 4ª edição.

Esta campanha visa ajudar uma instituição “onde a simplicidade reina e onde a Paz de Espírito irradia em cada pedaço de chão que se pise!”, como a define a nossa amiga e coordenadora da campanha, Laura Cerqueira M. Lima.

O desafio proposto foi ajudar a Casa do Redolho, em Águeda, com todo o tipo de produtos que fazem falta numa casa, ou não fosse esse o seu nome. Esta casa é parte integrante da obra de Nossa Senhora das Candeias e está localizada em Águeda.

Representaram o nosso centro de catequese na entrega: Leonor, Maria João, Rita, Alexandre, João, Carlos, Mariana, Madalena, Ana Paula, Manuel, Laura, Emília, Susana, Daniela Alexandra, Helena, Rita Guerra, Sofia, Maria do Rosário, Mafalda, Miguel, Nuno, Andreia, Luis, Clara, Rita Gomes e Daniela Pinto.


Apresentam-se aqui imagens do momento de entrega dos géneros e a lista dos géneros entregues. 



Todos os que estivemos lá ficamos com a certeza que o trabalho não ficou “feito”. Os donativos são sempre úteis e necessários porque a casa tem  que “manter” os seus residentes 365 dias por ano, e não apenas nas épocas festivas como o Natal e, agora, a Páscoa, onde os donativos compõem a despensa - a amabilíssima directora da casa, professora Rosa Maria Vilar, informou- nos que chegamos numa altura muito importante, porque a despensa estava vazia.  




A ajuda a esta casa também pode ser feita através da consignação do IRS (as entidades reconhecidas pelo ministério das finanças estão disponíveis neste link http://info.portaldasfinancas.gov.pt/NR/rdonlyres/14AC8CD5-EF4C-4D73-A704-F44B0BD0541C/0/2012_20130228.pdf), ou através de transferência bancária.

Agradecemos aos coordenadores de campanha, Laura e Hernâni, pelo privilégio que nos deram de poder participar na entrega dos géneros e também aos particulares (muitos, felizmente, e que não conseguimos aqui enumerar) e empresas  que contribuíram (Cafés Delta - Comendador Nabeiro, grupo Sarbec, Nutricafés e Achbrito) - espero não esquecer aqui ninguém.

Ajudem e ajudem-nos a ajudar. Qualquer dúvida, nomeadamente sobre os donativos que poderão fazer, podem contactar-nos através do nosso endereço de correio electrónico (capelamontebelo@gmail.com indicando como assunto Casa do Redolho).

sábado, 6 de abril de 2013

Homilia da Páscoa de D. Manuel Clemente

Hoje, transcrevemos a homilia da Páscoa da Ressurreição do Senhor (de D. Manuel Clemente):



Sepulcro vazio, ou espaço oferecido à resposta crente

«Pedro entrou no sepulcro e viu as ligaduras no chão e o sudário que tinha estado sobre a cabeça de Jesus, não com as ligaduras, mas enrolado à parte. Entrou também o outro discípulo que chegara primeiro ao sepulcro: viu e acreditou.»


Amados irmãos e irmãs, reunidos na Páscoa de Cristo: O trecho evangélico que acabámos de escutar, na sua aparente linearidade, contém quase tudo o que precisamos de aprender para “ver” pascalmente as coisas, como testemunhas da ressurreição de Cristo.

E bem precisamos desta visão novíssima das coisas, especialmente dos grandes “vazios” com que deparamos à nossa volta e em tantas vidas, material ou espiritualmente esvaziadas, ou nos dois sentidos ao mesmo tempo. Bem precisamos, para nos reanimarmos de outro Espírito e reencontrarmos Quem nos faça recomeçar – e recomeçar doutra maneira e a outra luz.

Quase tudo, de facto, poderemos “ver” à luz da Páscoa, mesmo sem precisarmos de recorrer à ornamentação que séculos de exercícios plásticos nos têm oferecido para ilustrar aquele momento único, que aliás ultrapassa qualquer representação possível.

Compreendemos a intenção dos artistas e agradecemos ao Deus que os inspira. Ainda assim, deixai-me dizer, que aprecio mais o que eles nos fazem adivinhar do que propriamente o que pretendem evidenciar. Como na boa literatura ou na boa música, que valem muito pelo que nos oferecem em letra e som, mas não valem menos pelo que nos deixam a ecoar na memória deslumbrada. Como na verdadeira amizade, que tanto se alegra com a presença como persevera – ou até se experimenta mais - na própria ausência.

Basicamente, tudo nos reconduz à surpresa daquele sepulcro vazio. De seguida, os evangelistas sugerem-nos as respostas encontradas para tal facto, que se condensam na presença nova do Ressuscitado no meio dos seus, traduzida pelas várias narrativas recolhidas.

Assim continua a ser hoje, se repetirmos ao nosso modo o que aqueles discípulos fizeram. Primeiro que tudo, se “corrermos juntos” ao sepulcro. Aqui estamos nós, muito mais do que dois e em idêntica manhã. Nisto mesmo figuramos a Igreja do mundo inteiro, que se apressa a procurar e servir o seu Senhor em tudo quanto O assinale, em qualquer tempo e espaço.

Escrevendo aos coríntios, São Paulo lembrava-lhes os atletas à conquista do prémio que só caberia ao mais veloz. Mas, se incitava à corrida, repartia cristãmente a vitória: «Não sabeis que os que correm no estádio correm todos, mas só um recebe o prémio? Correi, pois, assim, para o alcançardes. Os atletas impõem-se toda a espécie de privações: eles, para ganhar uma coroa corruptível; nós, porém, para ganhar uma coroa incorruptível» (1 Cor 9, 24-25).

Caríssimos irmãos, não desistamos de procurar o Senhor, correndo após Ele, para resumirmos a nossa vida do modo como o mesmo apóstolo resumiu a sua, pascalmente almejada: «Corro, para ver se o alcanço, já que fui alcançado por Cristo Jesus» (Fl 3, 12).

Aqui acorremos nós, em manhã de Páscoa, cada um por si ou com os seus, na Igreja de todos. Não deparamos com um espaço vazio, como aconteceu com os dois discípulos; mas, como eles, só podemos verificar os sinais duma existência que ultrapassa muito o que os nossos olhos geralmente captam.

Finalmente, como o discípulo predileto, “vemos e acreditamos”, ou seja, nos sinais da ausência entrevemos uma presença, precisamente a de Cristo, que preenche e transcende todos os vazios do mundo. E assim a ausência se transforma em oportunidade, para um vazio preenchido.

Fala-se do “discípulo predileto”, nome onde cabemos bem, preferindo Cristo a todos sem exceção. Mas tal predileção também há de ser nossa por Cristo, para mais rapidamente O reconhecermos, com a prontidão dum amor sem despiste.

Quando a pessoa de Jesus Cristo, como os Evangelhos no-lo descrevem e transmitem, é motivo constante da nossa lembrança e meditação, vai-nos preenchendo de tal modo a visão interior e contemplativa que mais facilmente se projeta em todo o espaço e circunstância.  Pois é bem dentro que desponta a luz...

Assim o podemos verificar em todos quantos experimentaram e exercitaram nas suas vidas a predileção de Jesus e a predileção por Jesus. E na relação viva com Ele, ressuscitam para um outro modo de viver, que já começa a ser divino (cf. 2 Pe 1, 4).

Um outro modo de viver, que é também outra maneira de ver. Com os colossenses, que facilmente divagavam em especulações ou coisas acessórias, Paulo insiste: «Tudo isto não é mais que uma sombra das coisas que hão de vir; a realidade é Cristo!» (Cl 2, 17).

Cristo em si mesmo, como se desprende da letra evangélica ou se recebe nas “espécies” eucarísticas. Cristo nos outros, como tantos o divisaram e ouviram no rosto e no clamor dos pobres, espaços “vazios” que só o amor preencherá – e urgentemente deve preencher.

Oiçamos Francisco de Assis, logo a abrir o seu Testamento: «Deus, nosso Senhor, quis dar a sua graça a mim, o irmão Francisco, para que eu começasse a fazer penitência; porque quando eu estava em pecados, parecia-me muito amargo dar com os olhos nos leprosos; mas o mesmo Senhor, um dia, me conduziu ao meio deles e com eles usei de misericórdia. E ao afastar-me deles, o que antes me parecera amargo, converteu-se para mim em doçura de alma e corpo».

De Camilo de Lélis, padroeiro dos doentes, dos moribundos e dos que os tratam, conta um seu companheiro: «Via nos enfermos a pessoa de Cristo com tão sentida emoção que muitas vezes quando lhes dava de comer, considerando-os em sua alma como seus “cristos”, chegava a pedir-lhes a graça e o perdão dos pecados. Por isso estava diante deles com tanto respeito como se estivesse realmente na presença do próprio Senhor» (Liturgia das Horas, 14 de julho).

E, podendo a multidão ser um deserto, também foi num comboio apinhado que Teresa de Calcutá “ouviu” Jesus, como ela própria contou: «Foi naquele comboio que [a 10 de setembro de 1946] ouvi um chamamento para abandonar tudo e O seguir para os bairros da lata – para O servir nos mais pobres de entre os pobres. […] Percebi que era a sua vontade e que tinha de O seguir. Não havia dúvida alguma de que seria uma obra dele» (Vem, se a minha luz, p. 57).

Irmãos e irmãs, nesta alegre e sofrida Páscoa de 2013: Como o “discípulo predileto”, acreditemos na presença do Ressuscitado, que nos espera nos vazios do mundo. À luz pascal, o aparente vazio é apenas espaço oferecido à nossa resposta crente. Tiremos toda a consequência prática da celebração que jubilosamente fazemos.



Sé do Porto, 31 de março de 2013

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Mensagem de Páscoa do Cardeal Patriarca



Hoje transcrevemos as palavras do nosso cardeal-patriarca de Lisboa, D. José Policarpo (fonte: Agência Ecclesia), na sua homilia de Páscoa:




“A Ressurreição de Jesus e a surpresa da vida”

1. A Páscoa é a festa da vida. Esta é a maravilha da criação, encerra toda a beleza, é o desafio de todas as descobertas, a semente do horizonte que se abre sempre de novo em busca da sua plenitude. É na nossa experiência de seres vivos que podemos descobrir Deus, o Vivo e fonte da vida. O respeito pela vida é o pilar decisivo de toda a civilização.

A ressurreição de Jesus foi surpresa, mesmo para os seus amigos mais próximos, porque a plenitude da vida exprimiu-se na vitória sobre a morte, que em termos humanos, aparece como o fim da vida, a negação da vida. Afinal, a vida venceu a morte.

A ressurreição de Jesus é a plenitude do mistério da encarnação. Quem ressuscitou foi o Homem, Jesus de Nazaré. Aquela vida nova, desconhecida e misteriosa, é uma vida humana, do Filho de Deus feito Homem, para garantir a todos os homens, seus irmãos, que o triunfo da vida é possível. Tendo-se unido a todos os homens, a sua ressurreição encerra a promessa do maior anseio da humanidade: viver sempre, aprofundar a experiência da vida. Quem se uniu a Cristo nunca desiste de viver, nada o trava no anseio da vida em plenitude.



2. A ressurreição de Cristo encerra o segredo da vida, comunica-nos uma pedagogia da vida. Ela revela-nos que é preciso fazer da vida um dom, para a descobrir e alcançar. A generosidade do dom é a essência do amor e o segredo da vida. Aprofundar a vida é indesligável do amor. Do seu triunfo sobre o sofrimento e a morte, recebemos força para fazer da nossa existência um dom. Todas as causas generosas para o bem da humanidade recebem dessa fonte a coragem da generosidade. A ressurreição de Cristo continua a ser uma força decisiva para o triunfo do homem.

A beleza da vida está impressa na criação como dinamismo fundamental.

Basta contemplar o êxtase da mãe que dá à luz um filho, ou a exultação de um amor sincero que dá sentido a toda a existência e a inunda de felicidade. Esta está sempre ligada à fruição da vida. A vida sente-se quando se descobre a vida do outro. A alegria da vida é sempre a alegria do amor. A ressurreição de Cristo dá perenidade a estas experiências belas da natureza, que sem a ligação à vida, corremos o risco de deixar esmorecer ou mesmo atraiçoar. É como se a vida se desmoronasse sob os escombros da infidelidade humana. Percebe-se porque é que Jesus pregou aos discípulos com tanta insistência: “Dou-vos um mandamento novo, que vos ameis uns aos outros como Eu vos amei” (Jo. 13, 34).

A nossa fragilidade continua e a sua concretização mais grave é atraiçoar a vida, desistir da vida. É o pregão do Apóstolo Paulo aos Coríntios: “Celebremos a festa, não com fermento velho, nem com fermento de malícia e perversidade, mas com os pães ázimos da pureza e da verdade” (1Co. 5,8). Unidos à ressurreição de Cristo, a nossa vida transforma-se progressivamente na força que nos aguenta, na alegria de viver, fazendo viver, descobrindo sempre novas manifestações desse dom supremo de Deus.

Vivemos num tempo em que se fez da qualidade de vida um valor a conseguir.

Mas não haverá qualidade de vida se reduzirmos esta ao bem estar material. Ela só se consegue com um coração aberto à surpresa da ressurreição. Nela é-nos revelada a fonte da vida, o amor de Deus pelo Seu Filho Jesus Cristo, amor que envolve todos os homens nossos irmãos.

Nesta Páscoa façamos como o Apóstolo João: aos primeiros sinais da morte vencida, acreditou. Esta nova manifestação da vida surpreendeu-os; deixemo-nos surpreender pela Vida.

Sé Patriarcal, 31 de março de 2013

domingo, 31 de março de 2013

Mensagem de Páscoa do Papa Francisco



Transcrevendo a Agência Ecclesia:


Amados irmãos e irmãs de Roma e do mundo inteiro, boa Páscoa!

Que grande alegria é para mim poder dar-vos este anúncio: Cristo ressuscitou! Queria que chegasse a cada casa, a cada família e, especialmente onde há mais sofrimento, aos hospitais, às prisões...
Sobretudo queria que chegasse a todos os corações, porque é lá que Deus quer semear esta Boa Nova: Jesus ressuscitou, uma esperança despertou para ti, já não estás sob o domínio do pecado, do mal! Venceu o amor, venceu a misericórdia!

Também nós, como as mulheres discípulas de Jesus que foram ao sepulcro e o encontraram vazio, nos podemos interrogar que sentido tenha este acontecimento (cf. Lc 24, 4). Que significa o fato de Jesus ter ressuscitado? Significa que o amor de Deus é mais forte que o mal e a própria morte; significa que o amor de Deus pode transformar a nossa vida, fazer florir aquelas parcelas de deserto que ainda existem no nosso coração.

Este mesmo amor pelo qual o Filho de Deus Se fez homem e prosseguiu até ao extremo no caminho da humildade e do dom de Si mesmo, até a morada dos mortos, ao abismo da separação de Deus, este mesmo amor misericordioso inundou de luz o corpo morto de Jesus e transfigurou-o, o fez passar à vida eterna. Jesus não voltou à vida que tinha antes, à vida terrena, mas entrou na vida gloriosa de Deus e o fez com a nossa humanidade, abrindo-nos um futuro de esperança.

Eis o que é a Páscoa: é o êxodo, a passagem do homem da escravidão do pecado, do mal, à liberdade do amor, do bem. Porque Deus é vida, somente vida, e a sua glória é o homem vivo (cf. Ireneu, Adversus haereses, 4, 20, 5-7).

Amados irmãos e irmãs, Cristo morreu e ressuscitou de uma vez para sempre e para todos, mas a força da Ressurreição, esta passagem da escravidão do mal à liberdade do bem, deve realizar-se em todos os tempos, nos espaços concretos da nossa existência, na nossa vida de cada dia. Quantos desertos tem o ser humano de atravessar ainda hoje! Sobretudo o deserto que existe dentro dele, quando falta o amor a Deus e ao próximo, quando falta a consciência de ser guardião de tudo o que o Criador nos deu e continua a dar. Mas a misericórdia de Deus pode fazer florir mesmo a terra mais árida, pode devolver a vida aos ossos ressequidos (cf. Ez 37, 1-14).

Eis, portanto, o convite que dirijo a todos: acolhamos a graça da Ressurreição de Cristo! Deixemo-nos renovar pela misericórdia de Deus, deixemo-nos amar por Jesus, deixemos que a força do seu amor transforme também a nossa vida, tornando-nos instrumentos desta misericórdia, canais através dos quais Deus possa irrigar a terra, guardar a criação inteira e fazer florir a justiça e a paz.

E assim, a Jesus ressuscitado que transforma a morte em vida, peçamos para mudar o ódio em amor, a vingança em perdão, a guerra em paz. Sim, Cristo é a nossa paz e, por seu intermédio, imploramos a paz para o mundo inteiro.

Paz para o Médio Oriente, especialmente entre israelitas e palestinos, que sentem dificuldade em encontrar a estrada da concórdia, a fim de que retomem, com coragem e disponibilidade, as negociações para pôr termo a um conflito que já dura há demasiado tempo. Paz no Iraque, para que cesse definitivamente toda a violência, e sobretudo para a amada Síria, para a sua população vítima do conflito e para os numerosos refugiados, que esperam ajuda e conforto. Já foi derramado tanto sangue… Quantos sofrimentos deverão ainda atravessar antes de se conseguir encontrar uma solução política para a crise?

Paz para a África, cenário ainda de sangrentos conflitos: no Mali, para que reencontre unidade e estabilidade; e na Nigéria, onde infelizmente não cessam os atentados, que ameaçam gravemente a vida de tantos inocentes, e onde não poucas pessoas, incluindo crianças, são mantidas como reféns por grupos terroristas. Paz no leste da República Democrática do Congo e na República Centro-Africana, onde muitos se veem forçados a deixar as suas casas e vivem ainda no medo.

Paz para a Ásia, sobretudo na península coreana, para que sejam superadas as divergências e amadureça um renovado espírito de reconciliação.

Paz para o mundo inteiro, ainda tão dividido pela ganância de quem procura lucros fáceis, ferido pelo egoísmo que ameaça a vida humana e a família – um egoísmo que faz continuar o tráfico de pessoas, a escravatura mais extensa neste século vinte e um. Paz para todo o mundo dilacerado pela violência ligada ao narcotráfico e por uma iníqua exploração dos recursos naturais. Paz para esta nossa Terra! Jesus ressuscitado leve conforto a quem é vítima das calamidades naturais e nos torne guardiões responsáveis da criação.

Amados irmãos e irmãs, originários de Roma ou de qualquer parte do mundo, a todos vós que me ouvis, dirijo este convite do Salmo 117: «Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom, porque é eterno o seu amor. Diga a casa de Israel: É eterno o seu amor» (vv. 1-2).  

Páscoa 2013





Hoje é Domingo de Páscoa, o dia da grande festa!

Chegou a VIDA, Cristo Ressuscitou! Vamos todos renascer, temos vida nova.

Deixamos como mensagem um cântico que é muitas vezes cantado na nossa Capela de Montebelo mas, neste caso, é interpretado por elementos da Catequese da Bobadela:


É preciso renascer


É preciso renascer. É preciso renascer.

Deixai ódios, violências. É preciso renascer. 



1. Convertei-vos e acreditai. / Eis a nova que venho dar-vos:

Amai todos sem distinção, / Porque todos somos irmãos.
Aceitai, aceitai, aceitai o Reino de Deus.

2. Tudo quanto vos ensinei / É que ameis os vossos irmãos.

Sereis dignos do meu amor / Se fizerdes o que vos mando.
Aceitai, aceitai, aceitai o Reino de Deus.


3. Se alguém diz que me tem amor / Guardará a minha palavra.

O meu Pai também o amará / E faremos nele morada.
Aceitai, aceitai, aceitai o Reino de Deus.


4. Na verdade sois meus amigos, / Não vos posso tratar por servos.

Porque o servo vive distante / dos caminhos do seu senhor.
Aceitai, aceitai, aceitai o Reino de Deus.




quarta-feira, 27 de março de 2013

O compasso no Porto

Mais uma notícia da Agência Ecclesia que aqui partilhamos:


Anunciar a ressurreição implica uma «alegria espontânea» difícil de acontecer entre «vizinhos que mal se conhecem», aponta sacerdote

O padre Manuel Correia Fernandes, diretor do jornal Voz Portucalense, diz que a tradição pascal do Compasso “perdeu muito” do seu sentido comunitário quando passou do ambiente rural para “os caixotes habitacionais das cidades”. 

Num texto publicado na edição desta quarta-feira do Semanário ECCLESIA, o sacerdote da Diocese do Porto realça que estas alterações, sinais da evolução dos tempos, devem obrigar a Igreja Católica a apostar num “anúncio novo”. 
 Em causa está sobretudo a necessidade de uma pastoral de “proximidade” que aprofunde a “convivência” das pessoas e o valor da “fraternidade” no meio de realidades “desumanizadas”.

De acordo com o padre Manuel Correia Fernandes, o Compasso Pascal, para além de funcionar como “memória do anúncio da ressurreição, evoca caminhada, festa e alegria espontânea”, o que é difícil de acontecer entre “vizinhos que tantas vezes mal se conhecem”. 

Por outro lado, o percurso que antes era percorrido pelo pároco, para visitar as casas das famílias, é hoje muitas vezes entregue a “leigos generosos” mas a quem falta um pouco da “sacralidade advinda da batina e da estola”. 

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Quarta-feira de cinzas




Findo o Carnaval, passamos a fase da folia. Além da sequência lógica que à terça-feira se segue a quarta-feira, neste caso estamos perante uma situação especial, isto é, a passagem é da “terça-feira de Carnaval” para a “quarta-feira de cinzas” que é o primeiro dia da Quaresma.

Neste dia os cristãos católicos recebem as cinzas (o sacerdote marca a testa dos membros da assembleia com cinzas) que são um símbolo para a reflexão e lembram o que os deve orientar neste tempo: o dever de conversão, da mudança de vida Este simbolismo relembra a antiga tradição do Médio Oriente de atirar cinzas sobre a cabeça como símbolo de arrependimento perante Deus.

Esta quarta-feira “especial” ocorre quarenta dias antes da Páscoa, sem contar os domingos (quarenta e seis dias contando os domingos).

Na sua mensagem para a Quaresma para este ano, o cardeal-patriarca de Lisboa, reforça o convite deixado por Bento XVI: Neste tempo litúrgico preparamos a Páscoa, manifestação forte do amor de Deus pelos homens, tão intenso que se pode fazer sentir, no coração humano, até ao fim dos tempos” e que este é o tempo de “acreditar e amar”.  Acrescenta: será que a fé “está enraizada na escuta atual e continuada da Palavra do Senhor?”. Será que a mensagem de Cristo “toca” hoje “o coração” das pessoas? 

D. José Policarpo acrescenta – “cada um analise as principais expressões de amor na sua vida, e peça a Deus que as purifique e lhes dê a pureza da caridade, isto é, do amor que tem a sua fonte em Deus e é participação no modo de Cristo amar, o Pai e os homens seus irmãos”. 

Em jeito de previsão (ou curiosidade) informamos as datas das próximas quarta-feira de cinzas:

2014 - 5 de março
2015 - 18 de fevereiro 
2016 - 10 de fevereiro 
2017 - 1 de março 
2018 - 14 de fevereiro 
2019 - 6 de março 
2020 - 26 de fevereiro

(fonte: wikipedia e agencia ecclesia)