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terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Mensagem de Quaresma - Papa Francisco

Estamos de volta!

Este tempo de Quaresma, que amanhã se inicia, é sobretudo dedicado à reflexão. Assim, convidamos os nossos leitores a conhecer e meditar na mensagem do Papa Francisco.




Fortalecei os vossos corações (Tg 5, 8)


Amados irmãos e irmãs,


Tempo de renovação para a Igreja, para as comunidades e para cada um dos fiéis, a Quaresma é sobretudo um «tempo favorável» de graça (cf. 2 Cor 6, 2). Deus nada nos pede, que antes não no-lo tenha dado: «Nós amamos, porque Ele nos amou primeiro» (1 Jo 4, 19). Ele não nos olha com indiferença; pelo contrário, tem a peito cada um de nós, conhece-nos pelo nome, cuida de nós e vai à nossa procura, quando O deixamos. Interessa-Se por cada um de nós; o seu amor impede-Lhe de ficar indiferente perante aquilo que nos acontece. Coisa diversa se passa connosco! Quando estamos bem e comodamente instalados, esquecemo-nos certamente dos outros (isto, Deus Pai nunca o faz!), não nos interessam os seus problemas, nem as tribulações e injustiças que sofrem; e, assim, o nosso coração cai na indiferença: encontrando-me relativamente bem e confortável, esqueço-me dos que não estão bem! Hoje, esta atitude egoísta de indiferença atingiu uma dimensão mundial tal que podemos falar de uma globalização da indiferença. Trata-se de um mal-estar que temos obrigação, como cristãos, de enfrentar.

Quando o povo de Deus se converte ao seu amor, encontra resposta para as questões que a história continuamente nos coloca. E um dos desafios mais urgentes, sobre o qual me quero deter nesta Mensagem, é o da globalização da indiferença.

Dado que a indiferença para com o próximo e para com Deus é uma tentação real também para nós, cristãos, temos necessidade de ouvir, em cada Quaresma, o brado dos profetas que levantam a voz para nos despertar.

A Deus não Lhe é indiferente o mundo, mas ama-o até ao ponto de entregar o seu Filho pela salvação de todo o homem. Na encarnação, na vida terrena, na morte e ressurreição do Filho de Deus, abre-se definitivamente a porta entre Deus e o homem, entre o Céu e a terra. E a Igreja é como a mão que mantém aberta esta porta, por meio da proclamação da Palavra, da celebração dos Sacramentos, do testemunho da fé que se torna eficaz pelo amor (cf. Gl 5, 6). O mundo, porém, tende a fechar-se em si mesmo e a fechar a referida porta através da qual Deus entra no mundo e o mundo n'Ele. Sendo assim, a mão, que é a Igreja, não deve jamais surpreender-se, se se vir rejeitada, esmagada e ferida.

Por isso, o povo de Deus tem necessidade de renovação, para não cair na indiferença nem se fechar em si mesmo. Tendo em vista esta renovação, gostaria de vos propor três textos para a vossa meditação.

1. «Se um membro sofre, com ele sofrem todos os membros» (1 Cor 12, 26): A Igreja.
 
Com o seu ensinamento e sobretudo com o seu testemunho, a Igreja oferece-nos o amor de Deus, que rompe esta reclusão mortal em nós mesmos que é a indiferença. Mas, só se pode testemunhar algo que antes experimentámos. O cristão é aquele que permite a Deus revesti-lo da sua bondade e misericórdia, revesti-lo de Cristo para se tornar, como Ele, servo de Deus e dos homens. Bem no-lo recorda a liturgia de Quinta-feira Santa com o rito do lava-pés. Pedro não queria que Jesus lhe lavasse os pés, mas depois compreendeu que Jesus não pretendia apenas exemplificar como devemos lavar os pés uns aos outros; este serviço, só o pode fazer quem, primeiro, se deixou lavar os pés por Cristo. Só essa pessoa «tem a haver com Ele» (cf. Jo 13, 8), podendo assim servir o homem.

A Quaresma é um tempo propício para nos deixarmos servir por Cristo e, deste modo, tornarmo-nos como Ele. Verifica-se isto quando ouvimos a Palavra de Deus e recebemos os sacramentos, nomeadamente a Eucaristia. Nesta, tornamo-nos naquilo que recebemos: o corpo de Cristo. Neste corpo, não encontra lugar a tal indiferença que, com tanta frequência, parece apoderar-se dos nossos corações; porque, quem é de Cristo, pertence a um único corpo e, n'Ele, um não olha com indiferença o outro. «Assim, se um membro sofre, com ele sofrem todos os membros; se um membro é honrado, todos os membros participam da sua alegria» (1 Cor 12, 26).

A Igreja é communio sanctorum, não só porque, nela, tomam parte os Santos mas também porque é comunhão de coisas santas: o amor de Deus, que nos foi revelado em Cristo, e todos os seus dons; e, entre estes, há que incluir também a resposta de quantos se deixam alcançar por tal amor. Nesta comunhão dos Santos e nesta participação nas coisas santas, aquilo que cada um possui, não o reserva só para si, mas tudo é para todos. E, dado que estamos interligados em Deus, podemos fazer algo mesmo pelos que estão longe, por aqueles que não poderíamos jamais, com as nossas simples forças, alcançar: rezamos com eles e por eles a Deus, para que todos nos abramos à sua obra de salvação.


2. «Onde está o teu irmão?» (Gn 4, 9): As paróquias e as comunidades

Tudo o que se disse a propósito da Igreja universal é necessário agora traduzi-lo na vida das paróquias e comunidades. Nestas realidades eclesiais, consegue-se porventura experimentar que fazemos parte de um único corpo? Um corpo que, simultaneamente, recebe e partilha aquilo que Deus nos quer dar? Um corpo que conhece e cuida dos seus membros mais frágeis, pobres e pequeninos? Ou refugiamo-nos num amor universal pronto a comprometer-se lá longe no mundo, mas que esquece o Lázaro sentado à sua porta fechada (cf. Lc 16, 19-31)?

Para receber e fazer frutificar plenamente aquilo que Deus nos dá, deve-se ultrapassar as fronteiras da Igreja visível em duas direcções.

Em primeiro lugar, unindo-nos à Igreja do Céu na oração. Quando a Igreja terrena reza, instaura-se reciprocamente uma comunhão de serviços e bens que chega até à presença de Deus. Juntamente com os Santos, que encontraram a sua plenitude em Deus, fazemos parte daquela comunhão onde a indiferença é vencida pelo amor. A Igreja do Céu não é triunfante, porque deixou para trás as tribulações do mundo e usufrui sozinha do gozo eterno; antes pelo contrário, pois aos Santos é concedido já contemplar e rejubilar com o facto de terem vencido definitivamente a indiferença, a dureza de coração e o ódio, graças à morte e ressurreição de Jesus. E, enquanto esta vitória do amor não impregnar todo o mundo, os Santos caminham connosco, que ainda somos peregrinos. Convicta de que a alegria no Céu pela vitória do amor crucificado não é plena enquanto houver, na terra, um só homem que sofra e gema, escrevia Santa Teresa de Lisieux, doutora da Igreja: «Muito espero não ficar inactiva no Céu; o meu desejo é continuar a trabalhar pela Igreja e pelas almas» (Carta 254, de 14 de Julho de 1897).

Também nós participamos dos méritos e da alegria dos Santos e eles tomam parte na nossa luta e no nosso desejo de paz e reconciliação. Para nós, a sua alegria pela vitória de Cristo ressuscitado é origem de força para superar tantas formas de indiferença e dureza de coração.

Em segundo lugar, cada comunidade cristã é chamada a atravessar o limiar que a põe em relação com a sociedade circundante, com os pobres e com os incrédulos. A Igreja é, por sua natureza, missionária, não fechada em si mesma, mas enviada a todos os homens.

Esta missão é o paciente testemunho d'Aquele que quer conduzir ao Pai toda a realidade e todo o homem. A missão é aquilo que o amor não pode calar. A Igreja segue Jesus Cristo pela estrada que a conduz a cada homem, até aos confins da terra (cf. Act 1, 8). Assim podemos ver, no nosso próximo, o irmão e a irmã pelos quais Cristo morreu e ressuscitou. Tudo aquilo que recebemos, recebemo-lo também para eles. E, vice-versa, tudo o que estes irmãos possuem é um dom para a Igreja e para a humanidade inteira.

Amados irmãos e irmãs, como desejo que os lugares onde a Igreja se manifesta, particularmente as nossas paróquias e as nossas comunidades, se tornem ilhas de misericórdia no meio do mar da indiferença!

3. «Fortalecei os vossos corações» (Tg 5, 8): Cada um dos fiéis

Também como indivíduos temos a tentação da indiferença. Estamos saturados de notícias e imagens impressionantes que nos relatam o sofrimento humano, sentindo ao mesmo tempo toda a nossa incapacidade de intervir. Que fazer para não nos deixarmos absorver por esta espiral de terror e impotência?
 
Em primeiro lugar, podemos rezar na comunhão da Igreja terrena e celeste. Não subestimemos a força da oração de muitos! A iniciativa 24 horas para o Senhor, que espero se celebre em toda a Igreja – mesmo a nível diocesano – nos dias 13 e 14 de Março, pretende dar expressão a esta necessidade da oração.

Em segundo lugar, podemos levar ajuda, com gestos de caridade, tanto a quem vive próximo de nós como a quem está longe, graças aos inúmeros organismos caritativos da Igreja. A Quaresma é um tempo propício para mostrar este interesse pelo outro, através de um sinal – mesmo pequeno, mas concreto – da nossa participação na humanidade que temos em comum.

E, em terceiro lugar, o sofrimento do próximo constitui um apelo à conversão, porque a necessidade do irmão recorda-me a fragilidade da minha vida, a minha dependência de Deus e dos irmãos. Se humildemente pedirmos a graça de Deus e aceitarmos os limites das nossas possibilidades, então confiaremos nas possibilidades infinitas que tem de reserva o amor de Deus. E poderemos resistir à tentação diabólica que nos leva a crer que podemos salvar-nos e salvar o mundo sozinhos.

Para superar a indiferença e as nossas pretensões de omnipotência, gostaria de pedir a todos para viverem este tempo de Quaresma como um percurso de formação do coração, a que nos convidava Bento XVI (Carta enc. Deus caritas est, 31). Ter um coração misericordioso não significa ter um coração débil. Quem quer ser misericordioso precisa de um coração forte, firme, fechado ao tentador mas aberto a Deus; um coração que se deixe impregnar pelo Espírito e levar pelos caminhos do amor que conduzem aos irmãos e irmãs; no fundo, um coração pobre, isto é, que conhece as suas limitações e se gasta pelo outro.

Por isso, amados irmãos e irmãs, nesta Quaresma desejo rezar convosco a Cristo: «Fac cor nostrum secundum cor tuum – Fazei o nosso coração semelhante ao vosso» (Súplica das Ladainhas ao Sagrado Coração de Jesus). Teremos assim um coração forte e misericordioso, vigilante e generoso, que não se deixa fechar em si mesmo nem cai na vertigem da globalização da indiferença.

Com estes votos, asseguro a minha oração por cada crente e cada comunidade eclesial para que percorram, frutuosamente, o itinerário quaresmal, enquanto, por minha vez, vos peço que rezeis por mim. Que o Senhor vos abençoe e Nossa Senhora vos guarde!

Vaticano, Festa de São Francisco de Assis, 4 de Outubro de 2014

segunda-feira, 31 de março de 2014

Quaresma em Montebelo

Hoje transcrevemos uma mensagem da coordenadora do nosso centro de catequese que é também um convite à leitura e reflexão para todos os catequistas...e não só






Caros Catequistas

Achei relevante relembrar a todos algumas características  para ser  catequista e aproveitem a Quaresma para fazer esta reflexão.

·         Virtudes do Catequista:
 

  • Catequista é um mestre de oração (catecismo da IC. 2663).
  • O Catequista é um mediador, que facilita a comunicação entre Deus e o Homem (diretório geral para catequese pág. 162, cap. 156).
  • O Catequista é um intérprete da igreja junto aos catequizados (catequese renovada 26, pág 56).
  • O Catequista é alguém que catequiza em nome de Deus e da comunidade profética. Em comunhão com os pastores da igreja (catequese renovada 26, pág 56 nº 146).
  • O Catequista é testemunha ativa do evangelho em nome da igreja (diretório geral para catequese pág. 165)


Para ser bom catequista é necessário:


  • Espiritualidade profunda – rezar e testemunhar o cristianismo, não perder nunca a intimidade com Deus.
  • Integração na comunidade – Participar ativamente de toda a vida da Igreja. O catequista deve exercer o ministério de forma continuada e permanente.
  • Senso crítico – ler, estudar, e analisar coerentemente os factos da Igreja do mundo. A alienação é um mal que jamais deve tomar o catequista.
  • Animação – saber ouvir e dialogar, procurar não mostrar dúvidas e insegurança, animar de tal forma o encontro de catequese, que leve o catequizando a um conhecimento  alegre da doutrina da Igreja.
  • Qualidade humanas – didática, psicológicas, equilíbrio, carinho.
  • Formação doutrinária – procurar conhecer a doutrina católica, estudar sobre seus diversos aspetos, através de leituras, cursos etc.


Nota - Ser catequista não é ser professor. Aulas são dadas na escola. Os encontros de catequese têm a preocupação de anunciar Jesus e levar o catequizando a uma aproximação maior com a Igreja.

Por ser considerado pelas crianças como modelo, o catequista deve dar testemunho daquilo que prega, de viver o que anuncia.
 
O essencial a um bom catequista é o AMOR, daí emana:

  • Compreensão
  • Carinho
  • Dedicação
  • Atenção
  • Preparação
  • Serviço


ORAÇÃO DO CATEQUISTA:
Senhor, tu me chamaste a ser catequista na tua Igreja neste país, na tua comunidade que também é minha. Tu me confiaste a missão de anunciar a tua palavra, de denunciar o pecado, de testemunhar, pela minha própria vida, os valores do evangelho. Recuo diante do teu chamado. É pesada, Senhor, a minha responsabilidade. Mas, se me escolhestes confio na tua graça. Caminharemos juntos, Senhor, tu, apoiando-me, iluminando-me; eu, colocando-me à tua disposição, à disposição da tua Igreja, preparando-me, atualizando-me sempre mais para servir melhor o teu povo. Faz-me teu instrumento para que venha o teu reino, reino de amor e paz, de fraternidade e justiça, reino, onde Deus será tudo em todos. Amém. 

Boa reflexão, boa oração e uma óptima semana para todos.

sexta-feira, 7 de março de 2014

Quaresma de 2014 - Mensagem do Papa Francisco

Como hoje é a primeira sexta-feira da Quaresma, deixamos aqui a mensagem do Santo Padre, Papa Francisco




Queridos irmãos e irmãs!

Por ocasião da Quaresma, ofereço-vos algumas reflexões com a esperança de que possam servir para o caminho pessoal e comunitário de conversão. Como motivo inspirador tomei a seguinte frase de São Paulo: «Conheceis bem a bondade de Nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, Se fez pobre por vós, para vos enriquecer com a sua pobreza» (2 Cor 8, 9). O Apóstolo escreve aos cristãos de Corinto encorajando-os a serem generosos na ajuda aos fiéis de Jerusalém que passam necessidade. A nós, cristãos de hoje, que nos dizem estas palavras de São Paulo? Que nos diz, hoje, a nós, o convite à pobreza, a uma vida pobre em sentido evangélico?

A graça de Cristo

Tais palavras dizem-nos, antes de mais nada, qual é o estilo de Deus. Deus não Se revela através dos meios do poder e da riqueza do mundo, mas com os da fragilidade e da pobreza: «sendo rico, fez-Se pobre por vós». Cristo, o Filho eterno de Deus, igual ao Pai em poder e glória, fez-Se pobre; desceu ao nosso meio, aproximou-Se de cada um de nós; despojou-Se, «esvaziou-Se», para Se tornar em tudo semelhante a nós (cf. Fil 2, 7; Heb 4, 15). A encarnação de Deus é um grande mistério. Mas, a razão de tudo isso é o amor divino: um amor que é graça, generosidade, desejo de proximidade, não hesitando em doar-Se e sacrificar-Se pelas suas amadas criaturas. A caridade, o amor é partilhar, em tudo, a sorte do amado. O amor torna semelhante, cria igualdade, abate os muros e as distâncias. Foi o que Deus fez connosco. Na realidade, Jesus «trabalhou com mãos humanas, pensou com uma inteligência humana, agiu com uma vontade humana, amou com um coração humano. Nascido da Virgem Maria, tornou-Se verdadeiramente um de nós, semelhante a nós em tudo, exceto no pecado» (CONC. ECUM. VAT. II, Const. past. Gaudium et spes, 22).

A finalidade de Jesus Se fazer pobre não foi a pobreza em si mesma, mas – como diz São Paulo – «para vos enriquecer com a sua pobreza». Não se trata dum jogo de palavras, duma frase sensacional. Pelo contrário, é uma síntese da lógica de Deus: a lógica do amor, a lógica da Encarnação e da Cruz. Deus não fez cair do alto a salvação sobre nós, como a esmola de quem dá parte do próprio supérfluo com piedade filantrópica. Não é assim o amor de Cristo! Quando Jesus desce às águas do Jordão e pede a João Batista para O batizar, não o faz porque tem necessidade de penitência, de conversão; mas fá-lo para Se colocar no meio do povo necessitado de perdão, no meio de nós pecadores, e carregar sobre Si o peso dos nossos pecados. Este foi o caminho que Ele escolheu para nos consolar, salvar, libertar da nossa miséria. Faz impressão ouvir o Apóstolo dizer que fomos libertados, não por meio da riqueza de Cristo, mas por meio da sua pobreza. E todavia São Paulo conhece bem a «insondável riqueza de Cristo» (Ef 3, 8), «herdeiro de todas as coisas» (Heb 1, 2).

Em que consiste então esta pobreza com a qual Jesus nos liberta e torna ricos? É precisamente o seu modo de nos amar, o seu aproximar-Se de nós como fez o Bom Samaritano com o homem abandonado meio morto na berma da estrada (cf. Lc 10, 25-37). Aquilo que nos dá verdadeira liberdade, verdadeira salvação e verdadeira felicidade é o seu amor de compaixão, de ternura e de partilha. A pobreza de Cristo, que nos enriquece, é Ele fazer-Se carne, tomar sobre Si as nossas fraquezas, os nossos pecados, comunicando-nos a misericórdia infinita de Deus. A pobreza de Cristo é a maior riqueza: Jesus é rico de confiança ilimitada em Deus Pai, confiando-Se a Ele em todo o momento, procurando sempre e apenas a sua vontade e a sua glória. É rico como o é uma criança que se sente amada e ama os seus pais, não duvidando um momento sequer do seu amor e da sua ternura. A riqueza de Jesus é Ele ser o Filho: a sua relação única com o Pai é a prerrogativa soberana deste Messias pobre. Quando Jesus nos convida a tomar sobre nós o seu «jugo suave» (cf. Mt 11, 30), convida-nos a enriquecer-nos com esta sua «rica pobreza» e «pobre riqueza», a partilhar com Ele o seu Espírito filial e fraterno, a tornar-nos filhos no Filho, irmãos no Irmão Primogénito (cf. Rm 8, 29).

Foi dito que a única verdadeira tristeza é não ser santos (Léon Bloy); poder-se-ia dizer também que só há uma verdadeira miséria: é não viver como filhos de Deus e irmãos de Cristo.


O nosso testemunho

Poderíamos pensar que este «caminho» da pobreza fora o de Jesus, mas não o nosso: nós, que viemos depois d'Ele, podemos salvar o mundo com meios humanos adequados. Isto não é verdade. Em cada época e lugar, Deus continua a salvar os homens e o mundo por meio da pobreza de Cristo, que Se faz pobre nos Sacramentos, na Palavra e na sua Igreja, que é um povo de pobres. A riqueza de Deus não pode passar através da nossa riqueza, mas sempre e apenas através da nossa pobreza, pessoal e comunitária, animada pelo Espírito de Cristo.

À imitação do nosso Mestre, nós, cristãos, somos chamados a ver as misérias dos irmãos, a tocá-las, a ocupar-nos delas e a trabalhar concretamente para as aliviar. A miséria não coincide com a pobreza; a miséria é a pobreza sem confiança, sem solidariedade, sem esperança. Podemos distinguir três tipos de miséria: a miséria material, a miséria moral e a miséria espiritual. A miséria material é a que habitualmente designamos por pobreza e atinge todos aqueles que vivem numa condição indigna da pessoa humana: privados dos direitos fundamentais e dos bens de primeira necessidade como o alimento, a água, as condições higiénicas, o trabalho, a possibilidade de progresso e de crescimento cultural. Perante esta miséria, a Igreja oferece o seu serviço, a sua diakonia, para ir ao encontro das necessidades e curar estas chagas que deturpam o rosto da humanidade. Nos pobres e nos últimos, vemos o rosto de Cristo; amando e ajudando os pobres, amamos e servimos Cristo. O nosso compromisso orienta-se também para fazer com que cessem no mundo as violações da dignidade humana, as discriminações e os abusos, que, em muitos casos, estão na origem da miséria. Quando o poder, o luxo e o dinheiro se tornam ídolos, acabam por se antepor à exigência duma distribuição equitativa das riquezas. Portanto, é necessário que as consciências se convertam à justiça, à igualdade, à sobriedade e à partilha.

Não menos preocupante é a miséria moral, que consiste em tornar-se escravo do vício e do pecado. Quantas famílias vivem na angústia, porque algum dos seus membros – frequentemente jovem – se deixou subjugar pelo álcool, pela droga, pelo jogo, pela pornografia! Quantas pessoas perderam o sentido da vida; sem perspetivas de futuro, perderam a esperança! E quantas pessoas se veem constrangidas a tal miséria por condições sociais injustas, por falta de trabalho que as priva da dignidade de poderem trazer o pão para casa, por falta de igualdade nos direitos à educação e à saúde. Nestes casos, a miséria moral pode-se justamente chamar um suicídio incipiente. Esta forma de miséria, que é causa também de ruína económica, anda sempre associada com a miséria espiritual, que nos atinge quando nos afastamos de Deus e recusamos o seu amor. Se julgamos não ter necessidade de Deus, que em Cristo nos dá a mão, porque nos consideramos autossuficientes, vamos a caminho da falência. O único que verdadeiramente salva e liberta é Deus.

O Evangelho é o verdadeiro antídoto contra a miséria espiritual: o cristão é chamado a levar a todo o ambiente o anúncio libertador de que existe o perdão do mal cometido, de que Deus é maior que o nosso pecado e nos ama gratuitamente e sempre, e de que estamos feitos para a comunhão e a vida eterna. O Senhor convida-nos a sermos jubilosos anunciadores desta mensagem de misericórdia e esperança. É bom experimentar a alegria de difundir esta boa nova, partilhar o tesouro que nos foi confiado para consolar os corações dilacerados e dar esperança a tantos irmãos e irmãs imersos na escuridão. Trata-se de seguir e imitar Jesus, que foi ao encontro dos pobres e dos pecadores como o pastor à procura da ovelha perdida, e fê-lo cheio de amor. Unidos a Ele, podemos corajosamente abrir novas vias de evangelização e promoção humana.

Queridos irmãos e irmãs, possa este tempo de Quaresma encontrar a Igreja inteira pronta e solícita para testemunhar, a quantos vivem na miséria material, moral e espiritual, a mensagem evangélica, que se resume no anúncio do amor do Pai misericordioso, pronto a abraçar em Cristo toda a pessoa. E poderemos fazê-lo na medida em que estivermos configurados com Cristo, que Se fez pobre e nos enriqueceu com a sua pobreza. A Quaresma é um tempo propício para o despojamento; e far-nos-á bem questionar-nos acerca do que nos podemos privar a fim de ajudar e enriquecer a outros com a nossa pobreza. Não esqueçamos que a verdadeira pobreza dói: não seria válido um despojamento sem esta dimensão penitencial. Desconfio da esmola que não custa nem dói.

Pedimos a graça do Espírito Santo que nos permita ser «tidos por pobres, nós que enriquecemos a muitos; por nada tendo e, no entanto, tudo possuindo» (2 Cor 6, 10). Que Ele sustente estes nossos propósitos e reforce em nós a atenção e solicitude pela miséria humana, para nos tornarmos misericordiosos e agentes de misericórdia. Com estes votos, asseguro a minha oração para que cada crente e cada comunidade eclesial percorra frutuosamente o itinerário quaresmal, e peço-vos que rezeis por mim. Que o Senhor vos abençoe e Nossa Senhora vos guarde!


Vaticano, 26 de dezembro de 2013

quarta-feira, 5 de março de 2014

Quaresma: Renascer das Cinzas

Hoje que começa a Quaresma, transcrevemos um texto de Octávio Carmo publicado na Agência Ecclesia que nos convida a pensar no sentido deste tempo de preparação para a Páscoa:



O início da Quaresma convida à reflexão e à ação, pela mão do Papa Francisco, relativamente aos temas da pobreza, da miséria, da construção da sociedade e da relação com Deus e entre pessoas. Iniciado simbolicamente sob as cinzas, este tempo de preparação para a Páscoa convida a um renascimento, uma mensagem particularmente importante no momento que se vive, a nível nacional.
O debate sobre o magistério social e económico do Papa argentino tem padecido, em muitos casos, do mesmo mal que dimensionou avassaladoramente a atual crise: qualquer questão pessoal, humana, ética e transcendente é colocada em segundo plano face às estruturas, ao discurso centrado no mundo financeiro, à guerra político-partidária.

Discutir a pobreza, pela mão do primeiro Papa sul-americano, é falar de uma cultura de desperdício, é questionar os fatores que, dentro da mesma sociedade, fazem aumentar as desigualdades e o sofrimento humano, sem direito a uma vida digna. Mas discutir a pobreza, segundo Francisco, não é apenas contestar uma condição socioeconómica que limita o horizonte da existência humana: a pobreza é também uma atitude de discernimento, uma hierarquia de valores interna e social que leva a utilizar os recursos em função dos outros, promovendo os desfavorecidos e respeitando as gerações futuras.

Esta Igreja «pobre para os pobres» que o Papa quer levar os católicos a formar exige uma conversão profunda, que é mais do que uma mera transformação administrativa ou estrutural. Contra a corrente, cada cristão é chamado a aprender a ser pobre, a projetar a sua existência para lá das contingências quotidianas, sacudindo o pó sem deixar-se agarrar pela terra do presente, com a certeza do futuro que a fé lhe oferece.

A pobreza é uma marca do cristão e, sem qualquer dúvida, uma exigência fundamental para a credibilidade da mensagem que procura transmitir. Muitos são os que lhe pedem este testemunho de sobriedade, centrado no essencial, condenando quaisquer sinais de luxo ou exibicionismo. A esses, é preciso dar a conhecer os fundamentos do valioso património espiritual que a Igreja transporta consigo.

É importante, por isso, repetir com Francisco que a pobreza se transforma em miséria(s) quando cada pessoa perde um horizonte de esperança, de confiança e de solidariedade. Não se pode esperar que sejam quem queimou a sociedade a promover a sua recuperação. Só um mundo verdadeiramente novo, que na fé católica nasce do Alto, poderá ajudar todos a renascer das cinzas.

quinta-feira, 28 de março de 2013

O Santo Sepulcro



Hoje, quase no final da Semana Santa, convidamos os nossos leitores a visitar o Santo Sepulcro.

Trata-se de um olhar sobre o génio do homem aliado à perícia da técnica...com um resultado fantástico!


Para "navegarem" usem o rato nas várias direcções.

Há uma "lista" no canto inferior esquerdo onde podem escolher o que querem ver e os "details" no canto inferior direito. Usem e "abusem" do zoom e recomendamos que vejam em full screen (ecrã cheio).

De acordo com a Wikipedia:

A Basílica do Santo Sepulcro é um local em Jerusalém onde a tradição cristã afirma que Jesus Cristo foi crucificado, sepultado e de onde ressuscitou no Domingo de Páscoa. Constitui um dos locais mais sagrados da cristandade.

Na sequência da destruição de Jerusalém em 70 d.C, o imperador romano Adriano visitou a cidade em 129-130, ordenando a sua reconstrução segundo um modelo que visava fazer dela uma cidade pagã chamada Aelia Capitolina. Neste sentido, o imperador ordena que o local identificado com a sepultura de Jesus seja coberto com terra e que nele fosse construído um templo dedicado a Vénus.
Em 313 o imperador Constantino decretou o Édito de Tolerância para com os cristãos (ou Édito de Milão), que implicou o fim das perseguições. Em 326, sua mãe Helena visitou Jerusalém com o objectivo de procurar os locais associados aos últimos dias de Cristo. Em Jerusalém, ela identificou o local da crucificação (o rochedo chamado Gólgota) e a tumba próxima conhecida como Anastasis ("ressurreição", em grego). O imperador decidiu então construir um santuário apropriado no local, a Igreja do Santo Sepulcro. Os arquitectos inspiraram-se não nas estruturas religiosas pagãs, mas na basílica, um edifício que entre os romanos servia como local de encontro, de comércio e de administração da justiça. Em 614, a igreja de Constantino foi destruída pela invasão dos persas sassânidas que roubaram os seus tesouros. A basílica foi reconstruída pelos bizantinos.

Em 638, a cidade de Jerusalém passa para as mãos dos muçulmanos. Os primeiros líderes muçulmanos de Jerusalém revelaram-se tolerantes para com o cristianismo. Porém em 1009 o califa fatímida Al-Hakim ordenou a destruição de todas as igrejas de Jerusalém, incluindo o Santo Sepulcro (veja destruição do Santo Sepulcro). A notícia da sua destruição foi um dos factores que estiveram na origem das Cruzadas.

Em 1099, os Cruzados tomaram Jerusalém e construíram uma nova basílica que, no seu essencial, é a que se encontra hoje no local. A nova igreja foi consagrada em 1149. Debaixo da igreja encontra-se a cripta de Santa Helena, local onde a mãe de Constantino I afirmou ter encontrado averdadeira cruz na qual Jesus Cristo foi crucificado.

Com o regresso de Jerusalém ao domínio islâmico, Saladino proibiu a destruição de qualquer edifício religioso associado ao Cristianismo. No século XIV, o local começou a ser administrado por monges católicos e por monges ortodoxos gregos. Outras comunidades pediam também a possibilidade de gerir o local (coptas egípcios e coptas sírios)

No século XVIII, procedeu-se à reparação da cúpula da Igreja do Santo Sepulcro. Em 1808 um incêndio destruiu o local e a restauração iniciou-se em1810. Novos restauros ocorrem entre 1863 e 1868.

Em 1927 um sismo em Jerusalém causou graves estragos à estrutura.

Desde o tempo dos cruzados, os recintos e o edifício da Basílica do Santo Sepulcro tornaram-se propriedade das três maiores denominações - osgreco-ortodoxos, os armênio-ortodoxos e os católicos romanos. Outras comunidades - os copta-ortodoxos egípcios, os etíope-ortodoxos e os sírio-ortodoxos - também têm certos direitos e pequenas propriedades dentro ou a pouca distância do edifício. Os direitos e os privilégios de todas estas comunidades são protegidos pelo Status Quo dos Lugares Santos (1852), conforme estabelece o Artigo LXII do Tratado de Berlim (1878).


terça-feira, 26 de março de 2013

Quaresma: tempo de conversão




Quaresma é tempo, por excelência, para ser dedicado à reflexão. Deixamos hoje um texto da autoria do Padre José Cruz (Capelão Hospitalar) que nos pretende levar, também, à conversão:



A Quaresma é a oportunidade de viver a sós e em comunidade, em Igreja, um tempo feliz e transformador. Deixar que o Espírito Santo atue com a Sua Graça no que somos, no que temos e no que fazemos, em tudo o que traduz a nossa história.


A Conversão é o processo da transformação que permite realizar o sonho e a vontade de mudança, de valorizar. Deixar-se aconchegar novamente pelo dinamismo do amor de Deus.

É-nos familiar a publicidade de um conhecido site que dá a possibilidade de converter um objeto em valor monetário. Durante um tempo foi útil e apreciado, presentemente é inútil e um estorvo, mas que pode ser rentabilizado.

Também na nossa vida, podemos mudar algumas atitudes, gestos, hábitos, palavras, pensamentos, sentimentos, olhares e relações, que num tempo foram para nós um prazer, um bem, ainda que mesmo momentâneo, e que agora são um incómodo, uma doença ou uma prisão, quando confrontados com a nossa consciência e com a proposta de Jesus Cristo.

Permanecer instalado no meu comodismo, ter maltratado ou enganado alguém; iniciar-me em alguns vícios, tornando-me dependente, como o jogo, as redes sociais e o mundo virtual, o álcool e/ou outras drogas; utilizar linguagem difamadora e destruidora, desrespeitando o próximo; julgar os outros e viver alienado; guardar sentimentos que me vão destruindo e esmagando a possibilidade de reconciliação com alguém; olhar para mim, para os outros e para o mundo de uma forma distorcida; desvalorizar a dignidade da pessoa nos meus relacionamentos... Todas estas e outras possíveis "dores" podem transformar-se numa aprendizagem e num bem para mim - pessoa que se quer inteira e íntegra em relação com os outros e com Deus.

Tenhamos presente a história de Zaqueu (cf. Lc19,1-10), um homem pequeno, mal conceituado pelos outros, cobrador de impostos que enganou a muitos. Sabe que Jesus vai passar próximo, quer vê-Lo e por isso esforça-se e consegue subir à árvore. Jesus responde ao seu gesto, surpreendendo a todos "hoje preciso de ficar em tua casa". De imediato a conversão daquele homem acontece. Aquele que enganara a muitos, que toda a vida amealhara riquezas, logo que deixa Cristo entrar na sua casa, na sua história, transforma-se no homem que faz justiça e reparte pelos mais pobres. Constatamos que existe um sinal que é uma epifania - o desejo e o fazer por ver de Zaqueu e a própria iniciativa de Jesus. Tenhamos nós coragem e determinação para também subirmos à árvore, e deixarmos Cristo entrar no nosso coração. Ele é o caminho, que permite transformar os nossos longos e frios invernos (as incompreensões, rejeições e injustiças de cada história no mundo) numa esperança de Primavera. Semelhante à amendoeira despida da sua folhagem, tremendo com os ventos frios, mas que ousa no seu interior cuidar da seiva, que miraculosamente faz brotar a beleza da nova vida em flor e despertar a atenção de todos os olhares.


Chegar à Páscoa, requer viver a Quaresma, deixar-se mergulhar mais fundo em apneia, surfar a melhor onda, ou voar mais alto em conversão.

Qualquer arte ou desporto requer aprendizagem, dedicação, entrega e treino. Deixemos também que isso se traduza na nossa transformação.



Cristo Jesus,

Ainda que na condição de espera, de revolta, sem trabalho, de doença, de luto, ou em abandonos...

Ensina-nos a afastar os nossos medos e a acreditar!

Permite que a Tua luz ressuscitadora, do amor e da esperança, seja presença e fonte de conversão nos corações de todas as pessoas!

Ámen!

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Quaresma - para refletir

Hoje transcrevemos um texto convidativo à reflexão:




"Desde que entramos neste corpo mortal, a morte nunca mais deixou de estar a vir (...) O tempo que se vive, é vida que se corta e cada dia que passa, é menos vida que nos fica. O tempo da nossa vida é caminho para a morte onde não está previsto um segundo de atraso (...). Se começarmos a morrer logo que, em nós, começa a actuação da morte, deve dizer-se que começamos a morrer logo que começamos a viver (...). Consumida a vida, fica terminada a morte que se vinha realizando pouco a pouco. Por isso, o homem nunca está em vida: é mais um morto que um vivo- já que não pode estar simultaneamente morto e vivo".

(In: De Civitate Dei - Santo Agostinho)

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

As Bem-Aventuranças em tempo de Quaresma



A Quaresma é um tempo de reflexão e de preparação para aquele que é o motivo do ser cristão. Torna-se assim importante parar e escutar a mensagem que Jesus nos deixou, em cada uma das Suas palavras e atos.
A sociedade encontra-se numa situação complicada e a busca pela felicidade parece, por vezes, loucura. No entanto a felicidade é o projeto que Deus traça para cada um de nós.
Mas como é possível ser feliz? As respostas que se pode encontrar no quotidiano apenas preenchem momentaneamente o espirito e é preciso estar consciente que há valores que são o fundamento da felicidade para que esta seja completa e estável. Através das Bem-Aventuranças, Jesus renova os Mandamentos e propõe um projeto assente em valores sólidos e sendo estes o caminho a seguir:
- Bem-aventurados os pobres em Espírito, porque deles é o Reino dos Céus.
O pobre de espírito representa a pessoa humilde, trabalhadora, justa, caridosa e solidária. Ela depositara em Deus toda a sua confiança, e a sua vida. Ao viver desta forma o desejo de Jesus concretiza-se. A Eucaristia é o alimento dos pobres em espírito.
- Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados.
Jesus revela-nos uma nova realidade ao compreender a dor do ser Humano. Ele mostra-nos que a verdadeira paz pode ser alcançada; esta está em Deus que sempre esteve ao nosso lado ao longo dos tempos: Nele encontramos a paz interior e o consolo verdadeiro.
- Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra.
Mansos são aqueles que mais do que evitar a guerra, promovem a Paz. O Reino de Deus começa na Terra e faz sentido que o Homem se possa esforçar por um mundo melhor. Assim Jesus pede que cada um de nós seja pró-ativo na conquista de um Mundo melhor.
- Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão saciados.
A fome significa a lembrança do Deus que nos dá a vida. Jesus disse: “Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome e quem acredita em mim nunca mais terá sede”. Acreditamos que Deus fará justiça aos que são oprimidos pela injustiça.
- Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.
Misericórdia é olhar para a miséria do outro, do próximo, com o coração e não com a razão. É por isso que os “misericordiosos” têm uma atitude diferente face a qualquer realidade. Jesus insiste na virtude da misericórdia e aqueles que têm o espírito de Jesus misericordioso terão uma atitude de amor, de perdão, de compreensão, de partilha. Como recompensa serão felizes e alcançarão a misericórdia.
- Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus.
Segundo Jesus "é do coração que vêm as más intenções: crimes, adultério, imoralidade, roubos, falsos testemunhos, calúnias. Essas coisas é que tornam o homem impuro...". No Antigo Testamento, a pureza dependia de uma série de ritos mediante os quais as pessoas tinham acesso a Deus. Na nova Aliança, a pureza é sinónimo de opção pelo Reino de Deus e de respeito pela vida das pessoas, sem preconceito sobre quem nos rodeia.
- Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus.
Quem trabalha para alcançar a paz entre os homens, segue a vontade de Deus, porque Deus é sinónimo de paz. A promoção da paz é fruto de pureza de coração e de misericórdia. A paz que o Evangelho propõe é a dignidade da vida em todos os sentidos. Não se trata de uma paz meramente pessoal, mas também a nível social, a paz entre todos os Homens.
- Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o Reino do Céu.
A perseguição é um dos ingredientes principais da vida cristã. Jesus prometeu felicidade aos perseguidos. Afirmou que a vida cristã não seria fácil. Muitos foram perseguidos injustamente, foram afrontados, caluniados e até mortos por causa de Cristo, entretanto o mestre afirmou que esse tipo de perseguição é motivo de alegria e não de tristeza. 
Jesus concluiu afirmando: “Alegrai-vos e exultai, porque é grande a vossa recompensa nos céus”. Movidos por esta certeza, devemos viver uma vida alicerçada nos padrões do reino de Deus, ainda que isso implique sofrer duras e difíceis perseguições.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Via Sacra




A Via Sacra é, sobretudo, um exercício espiritual. Esta é uma oração que tem como objectivo meditar na paixão, morte e ressurreição de Jesus, revivendo os últimos momentos da sua vida na Terra. São 15 estações, que nos ajudam a percorrer um caminho espiritual e a compreender melhor a pessoa de Jesus e o amor que teve por nós ao ponto de se deixar matar, sofrendo para que todos aprendêssemos o que é verdadeiramente amar.

A celebração da Via Sacra pode ser feita dentro de uma Igreja, mas também pode ser feita em qualquer outro lugar, rua, montanha, praia... e os lugares onde se pára, podem estar afastados poucos metros ou até alguns quilómetros (no caso de uma peregrinação a pé).

A celebração da Via Sacra, muito frequente no tempo litúrgico da Quaresma, teve origem na época das Cruzadas (séculos XI/XIII): os fiéis que então percorriam na Terra Santa os lugares sagrados da Paixão de Cristo, quiseram reproduzir no Ocidente a peregrinação feita ao longo da Via Dolorosa em Jerusalém.

Fica assim feito mais um convite à reflexão pessoal neste tempo de quaresma na nossa comunidade de Montebelo. A foto acima é de um local que nos é muito "familiar" e onde costumamos fazer a Via Sacra todos os anos, em Fátima e, para o fim, deixamos uma sugestão que pode ajudar na reflexão...


sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Reflexão quaresmal



Hoje partilhamos a reflexão do Secretariado Nacional de Liturgia para este tempo da Quaresma (do sermão 206 de Santo Agostinho):


Voltou o tempo aniversário da Quaresma, no qual tenho a obrigação de vos dirigir uma exortação, porque tendes o dever de oferecer a Deus obras que estejam de acordo com estes dias do calendário. Tais obras, porém, não são úteis para o Senhor, mas para vós. Também nas outras épocas do ano o cristão se deve entregar com ardor à oração, ao jejum e à esmola; mas esta solenidade deve estimular inclusive aqueles que habitualmente são preguiçosos; e aqueles que já se entregam com esmero a tais ocupações devem realizá-las ainda com maior intensidade... A repetição anual da solenidade equivale a uma repetição do que Cristo Senhor sofreu por nós na sua única morte. O que teve lugar uma só vez na história para a renovação da nossa vida, celebra-se todos os anos para perpetuar a sua memória... Depois dos dias do nosso abatimento, chegará o tempo da nossa exaltação, não ainda no repouso da visão, mas na satisfação de o contemplar nas celebrações que o simbolizam...

Às nossas orações juntamos a esmola e o jejum, como asas da piedade com as quais podem chegar mais facilmente até Deus... 

Não sejam os vossos jejuns como aqueles que o profeta condena: Não é esse o jejum que Me agrada, diz o Senhor. Expulsa o jejum da gente litigiosa, busca o dos piedosos. Condena os que oprimem, busca os que libertam. Condena os que semeiam discórdias, busca os que fazem a paz. Este é o motivo pelo qual nestes dias deveis refrear os vossos desejos de coisas lícitas, para não sucumbirdes às ilícitas. Nunca se embriague nem cometa adultério quem nestes dias se abstém do matrimónio. Desta forma, a nossa oração, feita com humildade e caridade, com jejum e esmolas, moderação e perdão, leva-nos a praticar o bem e a não devolver o mal, afasta-nos do mal e entrega-nos à virtude, busca a paz e consegue-a. Na verdade, a oração, ajudada pelas asas de tais virtudes, voa e chega mais facilmente ao Céu, onde nos precedeu Cristo, nossa paz.

(Antologia Litúrgica, 3774-3776)

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Quarta-feira de cinzas




Findo o Carnaval, passamos a fase da folia. Além da sequência lógica que à terça-feira se segue a quarta-feira, neste caso estamos perante uma situação especial, isto é, a passagem é da “terça-feira de Carnaval” para a “quarta-feira de cinzas” que é o primeiro dia da Quaresma.

Neste dia os cristãos católicos recebem as cinzas (o sacerdote marca a testa dos membros da assembleia com cinzas) que são um símbolo para a reflexão e lembram o que os deve orientar neste tempo: o dever de conversão, da mudança de vida Este simbolismo relembra a antiga tradição do Médio Oriente de atirar cinzas sobre a cabeça como símbolo de arrependimento perante Deus.

Esta quarta-feira “especial” ocorre quarenta dias antes da Páscoa, sem contar os domingos (quarenta e seis dias contando os domingos).

Na sua mensagem para a Quaresma para este ano, o cardeal-patriarca de Lisboa, reforça o convite deixado por Bento XVI: Neste tempo litúrgico preparamos a Páscoa, manifestação forte do amor de Deus pelos homens, tão intenso que se pode fazer sentir, no coração humano, até ao fim dos tempos” e que este é o tempo de “acreditar e amar”.  Acrescenta: será que a fé “está enraizada na escuta atual e continuada da Palavra do Senhor?”. Será que a mensagem de Cristo “toca” hoje “o coração” das pessoas? 

D. José Policarpo acrescenta – “cada um analise as principais expressões de amor na sua vida, e peça a Deus que as purifique e lhes dê a pureza da caridade, isto é, do amor que tem a sua fonte em Deus e é participação no modo de Cristo amar, o Pai e os homens seus irmãos”. 

Em jeito de previsão (ou curiosidade) informamos as datas das próximas quarta-feira de cinzas:

2014 - 5 de março
2015 - 18 de fevereiro 
2016 - 10 de fevereiro 
2017 - 1 de março 
2018 - 14 de fevereiro 
2019 - 6 de março 
2020 - 26 de fevereiro

(fonte: wikipedia e agencia ecclesia)