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sábado, 4 de outubro de 2014

Sínodo dos Bispos



Desde o próximo domingo até ao dia 19 deste mês de Outubro decorre, no Vaticano, a primeira etapa do Sínodo dedicado à família. Trata-se, por agora, de “recolher testemunhos e propostas dos Bispos para anunciar e viver de maneira fidedigna o Evangelho para a família”; a segunda, destinada a “procurar linhas de acção para a pastoral da pessoa humana e da família”, cumprir-se-á no próximo ano (2015).
 
A expetativa é grande até porque o documento preparatório considera a reflexão “necessária”, “urgente” e “indispensável” e os temas a discutir abrangem as condicionantes socioeconómicas, as evoluções culturais e as dificuldades e complexidades que a família enfrenta em cada país ou região.
 
Assim, deixamos aqui hoje um pedido de oração à Sagrada Família pelo sínodo dos Bispos sobre a família:

Jesus, Maria e José,
em Vós, contemplamos
o esplendor do verdadeiro amor,
a Vós, com confiança, nos dirigimos.

Sagrada Família de Nazaré,
tornai também as nossas famílias
lugares de comunhão e cenáculos de oração,
escolas autênticas do Evangelho
e pequenas Igrejas domésticas.

Sagrada Família de Nazaré,
que nunca mais se faça, nas famílias, experiência
de violência, egoísmo e divisão:
quem ficou ferido ou escandalizado
depressa conheça consolação e cura.

Sagrada Família de Nazaré,
que o próximo Sínodo dos Bispos
possa despertar, em todos, a consciência
do carácter sagrado e inviolável da família,
a sua beleza no projecto de Deus.

Jesus, Maria e José,
escutai, atendei a nossa súplica


(texto adaptado da crónica de Pe. João Aguiar Campos - Agência Ecclesia)

terça-feira, 6 de maio de 2014

A chave do céu

Apesar do título desta publicação, ela não se refere a S. Pedro, o apóstolo que costuma ser representado com um molho de chaves...do céu. 

Hoje, uma vez mais, transcrevemos uma mensagem da Agência Ecclesia - desta vez da autoria de João Aguiar Campos, do Secretariado Nacional das Comunicações Sociais


Sou do tempo em que os pregadores, em sermões debitados do púlpito, recorriam a breves parábolas ou estórias para ilustrarem a doutrina. Na mesma época, os livros de devoções para o Mês de Maio, Mês do Coração de Jesus, Mês do Rosário ou Mês das Almas – tal como para uma qualquer novena – não prescindiam, no final de cada meditação diária, de apresentar um “Exemplo”.

Foi esse modo de ensinar que me abriu a noções eventualmente complicadas para a minha tenra idade; como por exemplo, a da santificação do trabalho e pelo trabalho, ilustrada no episódio da Religiosa que, em seu leito de morte, pediu à Comunidade que alguém lhe trouxesse a “chave do céu”.

Sem perceberem o sentido imediato daquela última vontade, todas as Irmãs se desdobraram em propostas: desde o seu objecto de mais visível devoção, até ao livro recomendado no último retiro. Nada, porém, parecia corresponder ao desejo, que se reafirmava, cada vez mais débil: “tragam-me a chave do céu”.

Foi uma noviça quem, num golpe inspirado, se lembrou que aquela religiosa toda a vida tinha exercido a discreta tarefa de costureira. Correu, então, à antiga sala do seu labor e de lá trouxe um carrinho de linhas e uma agulha. Perante o olhar de espanto das suas Irmãs, a agonizante ofereceu-lhe o mais sereno dos olhares. Sim, ali estava a sua chave do céu – porque, afinal, o trabalho (qualquer trabalho) feito com amor nos santifica!...

Importa (re) pensar esta dimensão. Porque, habituados a falar do suor do rosto como preço do pão de cada dia, muitos deixam-se desviar para uma visão do trabalho quase como castigo – em vez de o assumirem como cooperação dignificante no cuidado da criação e, consequentemente, abraçarem o valor divino deste caminho humano.

Realmente, apesar de desfigurado pelo pecado, não perdeu a bênção original que sobre ele poisou o Criador; de tal modo que, sendo embora um bem árduo, não deixou de ser um bem, uma necessidade vital e uma afirmação de liberdade: uma liberdade que cada um de nós defende quando resiste à obsessão produtiva avaramente procurada ou injustamente imposta; e que ora desumaniza o próprio, ora marginaliza os mais fracos e acaba por afundar no materialismo prático quem se julga vencedor… A lógica da produção e do lucro asfixia, seguramente, quem se lhe entrega.


No seu catecismo para adultos, os bispos italianos exprimem claramente a essência desta “riqueza desumana” que continuamente ganha adeptos: coloca as coisas no lugar de Deus, impede que se ajude o próximo, fixa a atenção nas vantagens imediatas e afasta o pensamento da vida futura. É, enfim, pobreza interior, enquanto a pobreza evangélica é riqueza interior (1123). Uma perspectiva claramente percebida pelo carpinteiro José, profissional competente, homem justo e pai cuidados.