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domingo, 7 de setembro de 2014

Santa Clara






Hoje é dia de festa na nossa paróquia do Bonfim, Porto (Portugal), é do dia da festa de Santa Clara. Podemos até dizer que é dia de festa na nossa cidade do Porto dada a tradição desta festa na cidade que reúne muitos devotos e romeiros não só da cidade como dos arredores.

Santa Clara nasceu no tempo do Império Romano. Os seus pais não eram cristãos, professavam o paganismo. Mas, reza a tradição, um dia Clara sentiu-se interpelada pelo testemunho de fé dos jovens da sua idade que eram martirizados nas arenas de Roma, por ordem dos imperadores. Procurou conhecer a fé cristã e pediu o baptismo.

Chamada a tribunal pelas autoridades do Império, defendeu a sua fé cristã e mostrou desejo de morrer por Cristo. Acabou martirizada no tempo das perseguições de Diocleciano e Maximiano, na mesma época em que as portuguesas santas Quitéria, Liberata e Gema. Foi sepultada nas catacumbas de S. Calisto.

Em 1777, o Cardeal Caprara pediu permissão ao Papa Pio VI para pôr à veneração dos fiéis as relíquias de Santa Clara. Nessa época, estudava em Roma um cidadão do Porto, o pintor e professor de desenho da Academia do Porto, José Teixeira, que foi religioso leigo da Ordem de S. Bento. 

Com o desejo de enriquecer a Igreja do Bonfim com tão precioso tesouro, pediu ao Cardeal Caprara o corpo da Mártir, tendo este acedido ao pedido. Dois anos depois, em 1779, o corpo de Santa Clara foi transportado de navio para Portugal. Durante esta viagem, a embarcação foi assolada por uma tempestade, mas por sua intercessão, nenhum mal aconteceu à tripulação. Antes de entrar em Portugal, passou por Barcelona, tendo sido procurada por grandes multidões. Em Saragoça, chegou a ser alvo dos esforços do Bispo local para ficar no altar de Nossa Senhora do Pilar. Em Lisboa, também foi alvo de “cobiça” de alguns párocos locais, tendo o mesmo sido verificado no Porto.

Após uma estadia na Igreja de Nossa Senhora do Terço e Caridade do Porto (Cimo de Vila) foi transladada, no primeiro domingo de Setembro de 1803, para a Igreja do Bonfim. Desde esta data, tornou-se alvo de grande devoção, sendo conhecida como a "Santa do Bonfim", intecessora e protectora dos marinheiros, mães com dores de parto e problemas de fala das crianças e também é “costume” os noivos oferecerem ovos a Santa Clara “em troca” de um dia de sol para o seu casamento.

Este ano, a eucaristia solene foi presidida pelo Bispo do Porto, D. António, e à hora desta publicação ainda poderão assistir nomeadamente no dia 7 a concertos (15h30 - Concerto de Rui Vilhena e Rita Azevedo e 21h30 - Quinteto de Jazz - Conservatório de Música do Porto), dia 12 a atuação do Rancho Folclórico do Porto e Companhia de Baile Flamenco às 21,30 h. realizam-se também no âmbito das festas duas conferências : "A Alegria do Evangelho e da Evangelização" dia 8 pelo Pe. Américo Aguiar e dia 11 por D. Ximenes Belo, ambas às 21:30h.
 
Por fim, deixamos aqui uma “viagem de quase 7 minutos” à igreja do Bonfim:



(texto adaptado de www.etc.pt)

sábado, 10 de maio de 2014

Homilia - Bênção das pastas 2014

Quase a terminar a tradicional semana académica na nossa cidade do Porto, transcrevemos aqui a mensagem que o nosso Bispo, D. António Francisco dos Santos no dia da benção das pastas, proferida na Avenida dos Aliados:




1.Hoje cumpre-se para vós, caros Finalistas, um sonho que vem de longe. O dia da Bênção constitui uma data inscrita no calendário da vossa vida. É um dia unificador de todos os dias da vida de cada estudante.

Nesta etapa da viagem da vossa vida não estais sós. Convosco estão as vossas famílias e muitas pessoas de bem que vos acompanham desde sempre.

O tempo da Universidade ofereceu-vos a bênção das pessoas encontradas, dos mestres competentes, dos funcionários dedicados e dos companheiros inesquecíveis.

Deus esteve e está presente nesta viagem. Assim o acreditamos, sentimos e celebramos.
Esta é, por isso, uma hora de bênção de Deus pelo caminho percorrido, pelo esforço feito, pelo trabalho realizado, pelo mérito alcançado e pelos resultados conseguidos.

Esta é uma hora de gratidão aos vossos pais, irmãos e avós, sempre presentes, desde o berço da vida, à mesa do pão repartido e à força recebida nos vários degraus das decisões que vos fizeram chegar aqui.

Este é um dia feliz para a Cidade, para a Igreja e para a Academia do Porto.

2. O Evangelho de hoje fala-nos dos peregrinos de Emaús numa página cheia de encanto e de beleza. O caminho de Emaús é também itinerário pascal que nos conduz ao encontro de Jesus ressuscitado. Outrora os discípulos de Jesus regressavam a Emaús, a sua terra, sem horizontes de futuro onde pudesse brilhar qualquer semáforo de esperança.

Traziam com eles apenas as recordações de um tempo feliz, vivido com Jesus, e a alma magoada pelas circunstâncias da Sua morte inocente e pelas notícias estranhas da sua ressurreição. Junta-se a eles um desconhecido, disposto a fazer uma viagem conjunta, ao ritmo dos passos de cada um. Este companheiro de viagem é Jesus ressuscitado, que eles reconhecem apenas quando lhes reparte o pão e lhes abre o coração à compreensão das Escrituras e à leitura da realidade vivida em Jerusalém naqueles dias. (Lc 24, 13-35).

Agora somos nós os peregrinos de Emaús. Neste caminho que aqui nasce, e hoje para vós começa, encontrareis Jesus sempre presente e próximo.

Cristo tem um lugar insubstituível na vida de cada um de nós. Com Jesus sentado à vossa mesa ou caminhando ao vosso lado abri o olhar do coração com a ousadia da fé aos desafios do futuro.

O Papa Francisco, na mensagem enviada para a Semana Mundial de oração pelas Vocações, que hoje começa, lembra-nos que “Jesus vive e caminha nas nossas realidades da vida e que a vocação para seguir Jesus brota do coração de Deus e germina na terra boa do povo fiel”.

Rezo convosco e por vós para que a coragem de seguir Jesus, o ânimo para assumir o Seu projeto e a perseverança para lhe ser fiel germinem na terra boa do vosso coração.

A Bênção que ides receber fortalece o vosso coração diante do horizonte de um País que vive uma hora difícil, mas que, por isso mesmo, mais precisa de vós e mais deve contar convosco. Convosco é possível sonhar e construir um Portugal melhor! Esta é para vós uma grande missão!

O mundo precisa de jovens como vós! Portugal deve saber ouvir a vossa voz, dar valor ao vosso saber, abrir espaço ao vosso trabalho e contar convosco na construção do bem comum. A Igreja acompanha-vos neste sonho e neste projeto de todos nós. É também essa a sua missão!

Conheceis os dramas das pessoas sem pão, sem casa, sem trabalho, sem paz, sem alegria e sem esperança. Estai atentos, sede sensíveis e mostrai-vos solidários com todos quantos diariamente percorrem caminhos novos, procuram soluções realistas e decidem respostas audazes para que o medo não se instale na vida das famílias e no coração do mundo.

Lembramos na nossa oração os jovens universitários que partiram prematuramente da vida em circunstâncias dolorosas. Não os esqueceremos nunca. Sabemos pela fé que a vida não acaba, apenas se transforma!

3.A Universidade é escola de saber e de sabedoria, de diálogo com a Cultura, de serviço ao Mundo e de solidariedade com a Humanidade, onde se aprendem os conhecimentos necessários e se descobrem os valores perenes que abrem caminhos ao futuro digno e feliz de todos nós.

O horizonte do sonho não se esgota hoje nem se circunscreve a esta bela moldura humana e à alma cristã que habita e anima a nossa Avenida dos Aliados. Recordo-vos a afirmação poética de Sophia de Mello Breyner:

“Sei que caminho como quem
É olhado amado e conhecido
E por isso em cada gesto ponho
Solenidade e risco.” (do poema “Escuto”)

Peço-vos que leveis das nossas Universidades do Porto o fascínio de um saber límpido e aberto, sólido e profundo, exigente e prestigiado. Pelo vosso saber e pelo vosso trabalho, pela vossa fé e pela vossa coragem sois chamados, também, a levar a alegria do Evangelho, a fortaleza da esperança e a ousadia da caridade cristã ao mundo em que vivemos.

Celebramos a Bênção, por feliz coincidência, no Dia da Mãe. Vós sois, caros Finalistas, o melhor dom hoje oferecido às vossas Mães e o melhor dom por elas oferecido ao Mundo e à Igreja.

Senti, igualmente, hoje e aqui, no Porto, Cidade da Virgem, Senhora de Vandoma, a bênção terna da Mãe de Jesus e nossa Mãe, a quem vos confio com filial afeto e devoção.
Queridas Mães: continuai a abençoar os vossos filhos com o dom do vosso amor, com a ternura do vosso carinho, com o exemplo da vossa vida, com a generosidade da vossa doação, com o testemunho da vossa oração e com o encanto da vossa alegria. As Mães são o dom maior e mais belo do amor de Deus.

Obrigado Mães! Parabéns Finalistas!
Porto, Avenida dos Aliados, 4 de maio de 2014

António, Bispo do Porto

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Novo Bispo do Porto - mensagem aos diocesanos

Transcrevemos a mensagem do novo Bispo do Porto, conhecido hoje 21 de Fevereiro de 2014, D. António Francisco dos Santos. 

Antes da transcrição, deixamos um obrigado a D. Pio Alves que com o seu carisma, simpatia, simplicidade e saber tocar no coração do outro (entre outros aspectos), deixa a sua marca na nossa Diocese do Porto.

A D. António dizemos: PRESENTE! Aqui nos tem e, em nome de Montebelo (paróquia do Bonfim), faço o convite para conhecer a não só a nossa Capela, mas também a nossa Comunidade.



Caros Diocesanos,

Era tão imprevisível este chamamento que Deus agora me faz que não consegui balbuciar palavra, quando a decisão do Papa Francisco me foi comunicada.

Sei que é ao Santo Padre, como Bispo de Roma e Pastor Universal da Igreja, que compete dar Pastores a todas as Igrejas. Lembrei nesse momento a Palavra de Deus ao Profeta Jeremias: “Irás aonde Eu te enviar” (Jer 1,7).

Apesar desta palavra recorrente ao meu espírito e presente no meu coração, muitas as dúvidas e grande o temor com que me defrontei ao ver as minhas limitações e fragilidades, perante a grandeza da missão.

Interroguei-me dia e noite sobre o que posso eu levar de novo a uma Diocese habitada por tanta gente de bem e de valor e habituada a tão generosos servidores como bispos, presbíteros, diáconos, consagrados e leigos.

À Diocese de Aveiro peço a compreensão para este meu gesto ao serviço da Igreja, que em nada significa, menos respeito ou menor amor. Aveiro sabe como sempre aqui me senti feliz como bispo e como é grande a dor da separação.

Todavia, senti que só conseguiria reencontrar a serenidade de coração e a liberdade de espírito, quando com a ajuda de Deus vencesse todos os receios e temores.

Levo comigo o modo próximo de ser e de viver, a alegria convicta da fé e o desejo fraterno de a todos olhar com os olhos de Deus, para a todos servir como Deus quer e ama.

IN MANUS TUAS é o lema episcopal que escolhi, quando o Papa João Paulo II, me chamou a ser bispo auxiliar de Braga e titular de Meinedo. Renovei este mesmo compromisso diante do Papa Bento XVI quando me enviou para Aveiro. É com igual verdade que agora o afirmo diante do Papa Francisco. Este lema e os sentimentos que ele exprime unem-me a Cristo e à Sua Cruz e colocam-me sob o olhar terno da Mãe de Jesus, Senhora da Assunção, nossa Mãe e Padroeira.

Saúdo, como irmão que sempre serei, o senhor Administrador Apostólico, D. Pio Alves, os senhores Bispos Auxiliares, D. António Taipa e D. João Lavrador, os senhores Bispos Eméritos, os senhores Vigários Gerais, o Cabido da Catedral, os Sacerdotes, Seminários, Diáconos, Consagrados e Leigos.

Desde já afirmo a alegria de servir a grande comunidade humana da Diocese do Porto, com os seus eleitos e representantes autárquicos, as Autoridades Locais, as Universidades e Escolas, Instituições e Associações.

Quero dirigir uma palavra de muito afeto às crianças, aos jovens e às famílias.

Serei irmão e presença junto dos doentes, dos pobres e dos que sofrem e com eles procurarei fazer caminho de bondade e de esperança na busca comum de um mundo melhor.

Quero ser apóstolo das Bem-Aventuranças nestes tempos difíceis que vivemos.

Sei que é grande a missão que agora me é confiada, mas vou com alegria e generosidade ao vosso encontro para amar a Deus e vos servir.

Alegra-me e conforta-me ser irmão convosco, tão belo é o testemunho cristão da Igreja do Porto.

Que Deus me ajude e vos abençoe.

Abençoai-me, também vós, caros diocesanos.

Aveiro, 21 de fevereiro de 2014
D. António Francisco dos Santos, bispo eleito do Porto