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terça-feira, 20 de maio de 2014

Celebrando a família

Hoje dedicamos a publicação à família.



A mensagem do Cardeal Patriarca, D. Manuel Clemente, para este dia é a seguinte:

Caríssimas Famílias do Patriarcado de Lisboa

É com alegria e esperança que vos convoco para o nosso encontro de 25 de maio. Como sabeis, é uma iniciativa da Pastoral Familiar do Patriarcado e realiza-se em Mafra, com o lema “Família, vive a alegria da fé”.

Ao longo do dia teremos ocasião de conviver, partilhar e celebrar. Na Missa da tarde festejaremos especialmente as Bodas Matrimoniais de muitos casais presentes (10º, 25º e 50º aniversário). Cada um desses casais demonstra a possibilidade real e os frutos verdadeiros do matrimónio cristão.

Concretizam a esperança, que eles mesmos alimentam para todos. Pois há quem duvide, hoje em dia, de que a família, biblicamente compreendida, seja viável. Aumentam as uniões de facto e propõem-se outras formas de “conjugalidade”, que contrariam a proposta bíblica e a tradição da humanidade em geral: complementaridade masculino-feminino e abertura à geração de filhos. Questiona-se até a possibilidade de manter hoje uma união una, indissolúvel e fecunda, como se propõe no sacramento do matrimónio…

Mas quem «se casa no Senhor» (cf. 1ª Carta aos Coríntios 7, 39), enfrenta as dificuldades que sempre surgem em qualquer caminho humano com a convicção crescente de que a Páscoa de Cristo (morrer para si e viver para o outro, ganhando-se plenamente no conjunto) é o modo mais completo e feliz de realizar a sua vida, pois «a felicidade está mais em dar do que receber» (Actos dos Apóstolos 20, 35).

É para partilhar e celebrar esta verdade vivida e convivida da família cristã, na tradição das gerações que se sucedem, que nos encontraremos em Mafra no próximo Domingo 25. Porque sabemos que é possível, desde que cumpramos a nossa parte na preparação e acompanhamento do matrimónio e da família; e porque serenamente o propomos, confiados na graça do Senhor Jesus.

- Lá vos espero!

O hino para este dia é o seguinte:

Ser família é ser de Deus

Ser família é ser de Deus
(É um sonho, uma aventura)
Aprender a partilhar
Dar a vida com ternura
Ser família é ser de Deus

É ser de Deus, e cuidar do amor
Como quem cuida, de uma linda flor
É abraçar, com fé e alegria
O que Ele nos pede, dia após dia

É ser de Deus, e poder sonhar
Esta aventura, que Ele nos quis presentear
É não ter medo, de viver o encanto
De acreditar, na força do Espírito Santo

É ser de Deus, e aprender a partilhar
O dom da vida, ter a coragem de ousar
Dizer o nosso sim, e acolher o desafio
De caminhar, sobre as águas deste rio

É ser de Deus, e com ternura dar a vida
Na humildade, de quem não espera receber
É não fazer, da tristeza a despedida
É dar-se e assim morrer, para voltar a nascer

É ser de Deus
É uma aventura
É um sonho, é partilhar
É dar a vida
É ternura
É não ter medo de arriscar


domingo, 29 de setembro de 2013

Lembrando o Bispo D. Armindo

Passam hoje. 29 de Setembro, três anos que faleceu o bispo do Porto D. Armindo Lopes Coelho do qual muitos se recordarão.



A sua biografia (citando o jornal expresso)
 
Filho de José Lopes e de Etelvina Lopes Pereira Coelho, Armindo Coelho nasceu a 16 de fevereiro de 1931 na freguesia de Santa Comba de Regilde, concelho de Felgueiras, distrito e diocese do Porto.
 
Entrou no seminário em 1942 e concluiu o curso de Teologia no Seminário Maior do Porto em 1954. Ordenado sacerdote em 01 de agosto desse ano, foi enviado para Roma onde frequentou a Universidade Gregoriana até 1959, tendo-se licenciado em Filosofia (1956) e em Teologia (1958).
 
Em 1959 foi nomeado Prefeito e Professor do Seminário do Porto, onde lecionou até 1974. Passou depois a dar aulas no Instituto de Ciências Humanas e Teológicas, até 1979, altura em que foi nomeado bispo titular de Elvas e auxiliar do Porto.
 
Foi ainda professor do Liceu Normal de D. Manuel II (Rodrigues de Freitas), do Instituto de Serviço Social do Porto e do Centro de Cultura Católica.
 
Assistente diocesano da Juventude Universitária Católica de 1962 a 1965, foi também assistente da Pastoral Familiar nas Equipes de Nossa Senhora e na Escola de Pais Nacional, de que foi cofundador em Portugal e membro do Conselho Pedagógico.
 
Em 1975 foi nomeado vigário episcopal para o Clero e Renovação do Ministério Eclesiástico, e em 1976 pró vigário geral da Diocese do Porto. Desde 1971 até ser chamado ao Episcopado foi cónego da Sé do Porto.
 
Em 27 de setembro de 1982 foi nomeado bispo da Diocese de Viana do Castelo, tendo tomado posse em 1982. Em 1991 foi encarregado de fazer a visita apostólica aos Seminários da Província Bracarense, por parte da Congregação para os Seminários e Universidades. Em 1997 desempenhou a mesma missão nos Seminários de Moçambique, por incumbência da Congregação para a Evangelização dos Povos.
 
Em 13 de junho de 1997 foi nomeado bispo do Porto, tendo tomado posse da Diocese em 29 de julho.

 
Disse D. Manuel Clemente, à época Bispo do Porto e atual cardeal patriarca:

O Senhor D. Armindo foi um fiel e generoso pastor da Igreja, com abnegada dedicação à causa do Evangelho em todos os importantes cargos que lhe foram confiados. A todos nos deixa um grande exemplo de serviço eclesial, que nos cabe agradecer e continuar.

Nas últimas ordenações sacerdotais a que presidiu nesta Sé, o Senhor D. Armindo deixou-nos palavras que certamente ouvirão com renovado assentimento os novos presbíteros desse dia, como acolheremos nós todos, especialmente os que compartilhamos o sacerdócio ministerial:  “Agora ides vós que sois os apóstolos deste tempo e para este mundo. Ides na pessoa de Jesus (in persona Christi) […], para serdes seus representantes, a sua presença entre o povo. […] Apesar de ataques, marginalizações, desconsiderações e desconfortos, é preciso haver quem ensine o Evangelho e esteja disponível para o ministério de Deus e para a paz entre os homens” (Homilia nas Ordenações Sacerdotais, 9 de Julho de 2006).

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Lembrar João XXIII





No passado dia 3 de Junho passaram-se 50 anos da morte do Papa João XXIII. Para assinalar a efeméride, transcrevemos alguns depoimentos retirados da Agência Ecclesia, que relembram este importante exemplo e homem da igreja.

Apresentando-o, Angelo Giuseppe Roncalli nasceu em 1881 na localidade de Sotto il Monte, Bérgamo, onde foi pároco, professor no Seminário, secretário do bispo e capelão do exército durante a I Guerra Mundial.
João XXIII iniciou a sua carreira diplomática como visitador apostólico na Bulgária, de 1925 a 1935; foi depois delegado apostólico na Grécia e Turquia, de 1935 a 1944, e Núncio Apostólico na França, de 1944 a 1953.
Em 1953, Angelo Roncalli foi nomeado patriarca de Veneza e no dia 28 de outubro de 1958 foi eleito Papa, sucedendo a Pio XII.
O Papa Francisco definiu João XXIII como um “modelo de santidade”, e que foi um homem “capaz de transmitir paz” e construir amizades, mesmo em ambientes distantes do catolicismo.
“Precisamente nestes ambientes, ele mostrou-se um eficaz tecedor de relações e um válido promotor da unidade, dentro e fora da comunidade eclesial, aberto ao diálogo com cristãos de outras Igrejas, com representantes do mundo judaico e muçulmano e com muitos outros homens de boa vontade”, declarou Francisco, perante milhares de pessoas reunidas na Basílica de São Pedro, após uma missa que assinalou o 50.º aniversário da morte do Papa italiano.
 “O mundo inteiro tinha reconhecido no Papa João um pastor e um pai. Pastor porque era pai”, disse Francisco, após a cerimónia, evocando os momentos de “comoção” que antecederam a morte de João XXIII.
O Papa que convocou e iniciou os trabalhos do Concílio Vaticano II foi lembrado como alguém que chegou ao “coração de pessoas muito diferentes, mesmo de muitos não cristãos”.
Francisco acrescentou que a “obediência” foi para João XXIII uma “disposição interior” que o levou a obedecer aos seus superiores sem “procurar nada para si” e a ser exemplo de "santidade".
“Este é um ensinamento para cada um de nós, mas também para a Igreja do nosso tempo: se soubermos deixar-nos conduzir pelo Espírito Santo, se soubermos mortificar o nosso egoísmo para dar espaço ao amor do Senhor e à sua vontade, então encontraremos a paz”, declarou.
O novo patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, afirmou que o Papa João XXIII teve uma “vida providencial” para a Igreja e o mundo e recorda que Angelo Roncalli “passou por todas as fronteiras onde tinha de passar”. Acrescentou ainda que João XXIII teve “a intuição de uma Igreja que tem de incorporar o que foi a sua própria vivência nas várias fronteiras da Cristandade, também com o mundo islâmico e, sobretudo, com um mundo diferente do pós-guerra, que ele tinha absorvido muito nos seus tempos da nunciatura em Paris”.
Manuela Silva, antiga presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz, recorda o Papa italiano como “uma personalidade”, que deve ser recordado pela sua “bondade”, mas também “por outros atributos, por ter sido alguém que “rompeu fronteiras” e “rasgou horizontes”.
Já o historiador António Matos Ferreira sublinha que Angelo Roncalli “era um homem do terreno, para além de ser de uma grande espiritualidade”.
“João XXIII encarna a necessidade de uma transição geracional, que depois se vai consolidar com Paulo VI. Foi um Papa que desencadeou processos de mudança importantes no interior do catolicismo”, sustenta.

D. Manuel Monteiro de Castro, penitenciário-mor da Santa Sé, esteve na Arquidiocese de Bérgamo a 24 de junho de 2012 para presidir à festa patronal da paróquia de São João Batista, no dia seguinte, visitar a casa dos pais do Papa João XXIII relata: “Notei uma fotografia junto a uma carta escrita à mão. Aproximei-me e li: ‘Queridos pais, celebrei 50 anos de sacerdote e não vos escrevi porque o tempo não me permitiu, mas quero dizer-vos que li muitos livros mas o melhor da minha vida foi o vosso, foi o que aprendi convosco em casa. A família é a melhor escola’”.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

D. Manuel Clemente ruma a Lisboa


Certos que D. Manuel, que agora ruma a Lisboa, leva um pouco do Porto no seu coração e deixa uma marca no coração dos fieis da Diocese do Porto (e não só), transcrevemos as suas palavras aos diocesanos do Porto e a sua saudação ao Patriarcado de Lisboa. 
Muito obrigado pela dedicação, entrega e pelo seu exemplo nas várias acções que teve e promoveu na nossa Diocese. Todas as palavras que pudesse escrever eram insuficientes para transcrever o que de bom e novo nos trouxe.
 
 
 
 
Caríssimos diocesanos do Porto
Nesta hora, que começa a ser de despedida pela minha nomeação para o Patriarcado de Lisboa, quero agradecer-vos do coração toda a estima e proximidade com que me acompanhastes, desde que o Papa Bento XVI me nomeou para vosso bispo diocesano, a 22 de fevereiro de 2007.
Levarei comigo e em ação de graças as mil e uma expressões da amizade com que me recebestes e ajudastes no exercício do ministério. Nas comunidades cristãs, nas várias associações de fiéis e movimentos, nos institutos religiosos e seculares, bem como nas diversas instituições públicas e civis da grande região portuense, encontrei sempre o mais generoso acolhimento e a vontade firme de servir o bem comum. Em tempos tão exigentes como os que atravessamos, todas essas realidades a que dais corpo e alma são a melhor garantia daquele futuro fraterno, justo e solidário, de que ninguém desistirá decerto.
Quando vos saudei em 2007, disse trazer um só propósito e programa: conhecer, servir e amar a Diocese do Porto. Com a graça de Deus, algo se cumpriu de tal desiderato. Conheci-vos de perto, servi-vos como pude e com estima que permanece, em perpétua gratidão. Em tudo foi da maior valia a colaboração de muitos, começando pelos Senhores Bispos que me acompanharam no serviço diocesano, com incansável entrega. Com eles, os vigários gerais, os membros do colégio de consultores (cabido da sé) e todos os membros da cúria diocesana e da casa episcopal; bem assim os responsáveis pelos nossos três seminários diocesanos, os vigários da vara e seus adjuntos, os responsáveis pelos secretariados diocesanos, os membros dos conselhos presbiteral e pastoral e de outros conselhos e comissões, instâncias de participação e organismos. Referência especialíssima quero fazer ao clero paroquial, secular ou regular, incansável na sua dedicação ao serviço quotidiano do Povo de Deus, especialmente aonde tem de acumular várias comunidades e serviços. Saliento também os diáconos permanentes, os consagrados/as e os milhares de fiéis leigos que colaboram ativamente na catequese e no serviço da Palavra e da oração, na vida litúrgica e na ação sociocaritativa. – Grande e bela é a Diocese do Porto, na imensa aplicação dos seus membros ao serviço de Deus e do próximo!
É por tudo isto que vos quero reiterar uma palavra de agradecimento e bons votos. Agradecimento, que traduzirei em oração por todos e cada um de vós, as vossas comunidades e famílias. A minha entrada no Patriarcado será a 7 de julho, ficando convosco até perto desse dia. O coração não tem distância, só profundidade acrescida. Aqui ou além, continuaremos juntos, no coração de Deus.
Sempre vosso amigo e irmão,
+ Manuel Clemente (Porto, 18 de maio de 2013)
 
 
 
 
Caríssimos diocesanos do Patriarcado de Lisboa
Por nomeação do Santo Padre, o Papa Francisco, regressarei a Lisboa em julho próximo, para vos servir como Bispo Diocesano. É um regresso enriquecido por quanto aprendi na Igreja Portucalense, na grande generosidade e aplicação dos seus membros, a tantos títulos notáveis. Como sabeis, não é a primeira vez que um bispo portucalense continua o seu ministério entre vós: assim aconteceu designadamente com D. Tomás de Almeida, que daqui partiu para ser o primeiro Patriarca de Lisboa, em 1716.
De Lisboa trouxe eu para o Porto cinquenta e oito anos de vida convivida, como leigo e ministro ordenado, sob o pastoreio dos Cardeais Cerejeira, Ribeiro e Policarpo. De todos eles guardo larga e agradecida recordação, em especial do Senhor D. José Policarpo, de quem fui aluno e depois colaborador próximo no Seminário dos Olivais e no serviço episcopal, muito ganhando com a sua amizade, inteligência e conselho. A ele dirijo neste momento palavras sentidas de muita gratidão e estima, sabendo que posso contar com a sua sabedoria e experiência. Do Porto levo para Lisboa mais seis anos, plenos de vida pastoral intensa nesta grande Igreja e região, quer no dia a dia das suas comunidades cristãs, quer no dinamismo cívico e cultural dos seus habitantes e instituições.
Assim vos reencontrarei. As minhas palavras vão cheias do grande afeto que sempre mantive por todas e cada uma das terras e populações que, de Lisboa a Alcobaça e do Ribatejo ao Atlântico, integram o Patriarcado de Lisboa. Falo das comunidades cristãs e de quantos, ministros ordenados, consagrados e fiéis leigos, nelas dão o seu melhor nas diversas concretizações apostólicas. Falo das associações de fiéis e movimentos, dos institutos religiosos e seculares, das famílias, das instituições e iniciativas de todo o tipo em que a seiva evangélica dá bom fruto. E refiro-me também a todas as realidades sociais e cívicas onde se constrói aquele futuro melhor, justo e solidário de que ninguém de boa vontade pode e quer desistir. Da minha parte, contareis com tudo o que puder, n’ Aquele que nos dá força (cf. Fl 4, 13).
Saúdo com grande amizade os Senhores D. Joaquim Mendes e D. Nuno Brás, bem como todos os membros do cabido e do presbitério, do diaconado e dos serviços diocesanos, dos seminários, paróquias, institutos, associações e movimentos: Todos juntos, na complementaridade dos carismas e ministérios que o Espírito distribui, seremos o Corpo eclesial de Cristo, para que o seu programa vivamente continue, como o enunciou na sinagoga de Nazaré: «O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu para anunciar a Boa Nova aos pobres…» (cf. Lc 4, 18 ss).
Vosso irmão e amigo, com Cristo e Maria,
+ Manuel Clemente (Porto, 18 de maio de 2013

sábado, 6 de abril de 2013

Homilia da Páscoa de D. Manuel Clemente

Hoje, transcrevemos a homilia da Páscoa da Ressurreição do Senhor (de D. Manuel Clemente):



Sepulcro vazio, ou espaço oferecido à resposta crente

«Pedro entrou no sepulcro e viu as ligaduras no chão e o sudário que tinha estado sobre a cabeça de Jesus, não com as ligaduras, mas enrolado à parte. Entrou também o outro discípulo que chegara primeiro ao sepulcro: viu e acreditou.»


Amados irmãos e irmãs, reunidos na Páscoa de Cristo: O trecho evangélico que acabámos de escutar, na sua aparente linearidade, contém quase tudo o que precisamos de aprender para “ver” pascalmente as coisas, como testemunhas da ressurreição de Cristo.

E bem precisamos desta visão novíssima das coisas, especialmente dos grandes “vazios” com que deparamos à nossa volta e em tantas vidas, material ou espiritualmente esvaziadas, ou nos dois sentidos ao mesmo tempo. Bem precisamos, para nos reanimarmos de outro Espírito e reencontrarmos Quem nos faça recomeçar – e recomeçar doutra maneira e a outra luz.

Quase tudo, de facto, poderemos “ver” à luz da Páscoa, mesmo sem precisarmos de recorrer à ornamentação que séculos de exercícios plásticos nos têm oferecido para ilustrar aquele momento único, que aliás ultrapassa qualquer representação possível.

Compreendemos a intenção dos artistas e agradecemos ao Deus que os inspira. Ainda assim, deixai-me dizer, que aprecio mais o que eles nos fazem adivinhar do que propriamente o que pretendem evidenciar. Como na boa literatura ou na boa música, que valem muito pelo que nos oferecem em letra e som, mas não valem menos pelo que nos deixam a ecoar na memória deslumbrada. Como na verdadeira amizade, que tanto se alegra com a presença como persevera – ou até se experimenta mais - na própria ausência.

Basicamente, tudo nos reconduz à surpresa daquele sepulcro vazio. De seguida, os evangelistas sugerem-nos as respostas encontradas para tal facto, que se condensam na presença nova do Ressuscitado no meio dos seus, traduzida pelas várias narrativas recolhidas.

Assim continua a ser hoje, se repetirmos ao nosso modo o que aqueles discípulos fizeram. Primeiro que tudo, se “corrermos juntos” ao sepulcro. Aqui estamos nós, muito mais do que dois e em idêntica manhã. Nisto mesmo figuramos a Igreja do mundo inteiro, que se apressa a procurar e servir o seu Senhor em tudo quanto O assinale, em qualquer tempo e espaço.

Escrevendo aos coríntios, São Paulo lembrava-lhes os atletas à conquista do prémio que só caberia ao mais veloz. Mas, se incitava à corrida, repartia cristãmente a vitória: «Não sabeis que os que correm no estádio correm todos, mas só um recebe o prémio? Correi, pois, assim, para o alcançardes. Os atletas impõem-se toda a espécie de privações: eles, para ganhar uma coroa corruptível; nós, porém, para ganhar uma coroa incorruptível» (1 Cor 9, 24-25).

Caríssimos irmãos, não desistamos de procurar o Senhor, correndo após Ele, para resumirmos a nossa vida do modo como o mesmo apóstolo resumiu a sua, pascalmente almejada: «Corro, para ver se o alcanço, já que fui alcançado por Cristo Jesus» (Fl 3, 12).

Aqui acorremos nós, em manhã de Páscoa, cada um por si ou com os seus, na Igreja de todos. Não deparamos com um espaço vazio, como aconteceu com os dois discípulos; mas, como eles, só podemos verificar os sinais duma existência que ultrapassa muito o que os nossos olhos geralmente captam.

Finalmente, como o discípulo predileto, “vemos e acreditamos”, ou seja, nos sinais da ausência entrevemos uma presença, precisamente a de Cristo, que preenche e transcende todos os vazios do mundo. E assim a ausência se transforma em oportunidade, para um vazio preenchido.

Fala-se do “discípulo predileto”, nome onde cabemos bem, preferindo Cristo a todos sem exceção. Mas tal predileção também há de ser nossa por Cristo, para mais rapidamente O reconhecermos, com a prontidão dum amor sem despiste.

Quando a pessoa de Jesus Cristo, como os Evangelhos no-lo descrevem e transmitem, é motivo constante da nossa lembrança e meditação, vai-nos preenchendo de tal modo a visão interior e contemplativa que mais facilmente se projeta em todo o espaço e circunstância.  Pois é bem dentro que desponta a luz...

Assim o podemos verificar em todos quantos experimentaram e exercitaram nas suas vidas a predileção de Jesus e a predileção por Jesus. E na relação viva com Ele, ressuscitam para um outro modo de viver, que já começa a ser divino (cf. 2 Pe 1, 4).

Um outro modo de viver, que é também outra maneira de ver. Com os colossenses, que facilmente divagavam em especulações ou coisas acessórias, Paulo insiste: «Tudo isto não é mais que uma sombra das coisas que hão de vir; a realidade é Cristo!» (Cl 2, 17).

Cristo em si mesmo, como se desprende da letra evangélica ou se recebe nas “espécies” eucarísticas. Cristo nos outros, como tantos o divisaram e ouviram no rosto e no clamor dos pobres, espaços “vazios” que só o amor preencherá – e urgentemente deve preencher.

Oiçamos Francisco de Assis, logo a abrir o seu Testamento: «Deus, nosso Senhor, quis dar a sua graça a mim, o irmão Francisco, para que eu começasse a fazer penitência; porque quando eu estava em pecados, parecia-me muito amargo dar com os olhos nos leprosos; mas o mesmo Senhor, um dia, me conduziu ao meio deles e com eles usei de misericórdia. E ao afastar-me deles, o que antes me parecera amargo, converteu-se para mim em doçura de alma e corpo».

De Camilo de Lélis, padroeiro dos doentes, dos moribundos e dos que os tratam, conta um seu companheiro: «Via nos enfermos a pessoa de Cristo com tão sentida emoção que muitas vezes quando lhes dava de comer, considerando-os em sua alma como seus “cristos”, chegava a pedir-lhes a graça e o perdão dos pecados. Por isso estava diante deles com tanto respeito como se estivesse realmente na presença do próprio Senhor» (Liturgia das Horas, 14 de julho).

E, podendo a multidão ser um deserto, também foi num comboio apinhado que Teresa de Calcutá “ouviu” Jesus, como ela própria contou: «Foi naquele comboio que [a 10 de setembro de 1946] ouvi um chamamento para abandonar tudo e O seguir para os bairros da lata – para O servir nos mais pobres de entre os pobres. […] Percebi que era a sua vontade e que tinha de O seguir. Não havia dúvida alguma de que seria uma obra dele» (Vem, se a minha luz, p. 57).

Irmãos e irmãs, nesta alegre e sofrida Páscoa de 2013: Como o “discípulo predileto”, acreditemos na presença do Ressuscitado, que nos espera nos vazios do mundo. À luz pascal, o aparente vazio é apenas espaço oferecido à nossa resposta crente. Tiremos toda a consequência prática da celebração que jubilosamente fazemos.



Sé do Porto, 31 de março de 2013

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

A leitura de D. Manuel sobre a resignação de Bento XVI



Em entrevista à Rádio Renascença, D. Manuel Clemente admite que “não estava minimamente preparado para receber” esta notícia, no entanto realça que ela “é reveladora de um testemunho de sabedoria, de coragem e de verdade com que Bento XVI assumiu as funções tão difíceis de sucessor de Pedro”.
D. Manuel Clemente esteve com Bento XVI em outubro, durante o último sínodo dos bispos, e admite ter encontrado um Papa em “evidente fraqueza física” mas ainda “absolutamente capaz do ponto de vista mental”.
Apesar de “algumas dificuldades de locomoção, ele teve uma atenção muito grande aos trabalhos. Nas intervenções em que esteve presente, e foram muitas, demonstrou muita sabedoria nas suas intervenções espontâneas", sustenta o Bispo do Porto.
No entanto, a “maior complexidade dos problemas e a maior disponibilidade que exigem levaram o Papa a tomar esta decisão, que deve ser respeitada”, conclui D. Manuel Clemente.
(fonte: Agência Ecclesia)

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Homilia de Natal - 2012

Transcrevemos, abaixo, a homilia do Bispo do Porto, D. Manuel Clemente (quem sabe inspirado pela Missa do Galo na nossa Paróquia do Bonfim):




– Que em nós se repercuta e progrida o que aconteceu em Maria!

1. Amados irmãos, aqui reunidos na igreja catedral do Porto, ou, também connosco, pela rádio e a televisão, celebrando o Natal do Senhor:
É com plena alegria que vos saúdo a todos e a cada um, especialmente aos que estejam doentes ou sós, em dia como este que, apesar de tudo, de alegria pode ser, porque só alegria pode dar.
Entendamo-nos, porém, sobre a alegria do Natal, essa mesma que repassa as leituras, as orações e os cânticos desta quadra litúrgica. É uma alegria que de Deus parte e apenas Deus garante.

É por isso profunda e absolutamente transversal. Podemos senti-la aqui, em paz e boas condições exteriores. Mas sentem-na e testemunham-na também os irmãos nossos que celebram o Natal de 2012 em situações pesadas e gravosas, por falta de liberdade religiosa ou mesmo perseguições que sofrem, noutros lugares do mundo. Não esqueçamos que, no ano que está a terminar, o cristianismo foi a religião mais perseguida, segundo o relatório da Ajuda à Igreja que Sofre… E nem por isso deixam de celebrar o Natal, como quem se reconforta na certeza de não estar só, antes divinamente acompanhado.
Eu próprio o pude verificar na recente assembleia do Sínodo dos Bispos, da parte de alguns intervenientes, oriundos de países onde ser cristão não é nada fácil, exteriormente falando. Recordo um deles, do Próximo Oriente, que reagiu ao discurso dum colega europeu, exclamando algo assim: «Com todas as dificuldades e privações que desde há muito sofremos, parece que estamos melhor, animicamente melhor, do que vós na Europa!». E foi contagiante o entusiasmo de outros bispos, provenientes de territórios, como o Camboja, onde há pouco tudo parecia ter sido arrasado, que cristão ou religioso fosse…
Na verdade, a alegria que esta solenidade nos oferece é outra, muito mais certa e segura do que os efémeros surtos da nossa boa disposição – por mais que esta também conte, certamente conte.

2. Relembremos os trechos bíblicos de há pouco: Logo na primeira leitura, bradava o profeta: «Rompei em brados de alegria, ruínas de Jerusalém, porque o Senhor consola o seu povo!». Reparemos que é a “ruínas” que se dirige, não a uma cidade próspera e com gente conseguida… E a razão veio adiante: «Porque o Senhor consola o seu povo». Não que Deus os dispensasse, ou omitisse a colaboração; mas exatamente na medida em que se deixassem realmente “consolar”, que o mesmo é dizer “consolidar” por um Deus que nunca desiste de fazer e refazer caminho com a humanidade que Ele próprio sustenta.
No entanto, estimados irmãos, isto que pareceria fácil, revela-se particularmente difícil. Séculos e séculos de história bíblica – como se resumissem milénios inteiros de história mundial – comprovam negativamente a nossa dificuldade em fazer o que só aparentemente é mais fácil, ou mais óbvio. Refiro-me à nossa pouca disponibilidade para deixarmos que Deus seja realmente o nosso Deus, à nossa resistência em sermos segundos numa criação em que só Ele, de facto e de direito, pode ser primeiro. E é com muito pouca convicção que dizemos “Seja o que Deus quiser”, quando esperamos, isso sim, que Ele faça o que nós queremos de antemão que aconteça, mesmo com aquelas “boas intenções” que não enchem propriamente o céu… .
E assim vamos somando e somando projetos nossos, demasiadamente nossos, ideais até, onde a realidade nunca cabe, no tamanho grande que devia ter. E o que sobra insurge-se, trazendo-nos desilusões, que um maior realismo decerto evitaria. A autossuficiência - para não dizer o egocentrismo ou o egoísmo mais vulgar – é outro nome do irrealismo, a que o bíblico Qohélet chamou ilusão ou vaidade, destinada a esfumar-se no vazio que nunca deixa de ser.
A história faz-se com o Senhor dos tempos. Conta connosco, faz-nos quase concriadores com Ele, mas não se dispensa de ser Princípio, Fonte e Pai, para nos dar a vida que só Ele tem e oferece. A nós, infelizmente, custa muito e muitíssimo ser filhos, comportando-nos antes como pródigos e esbanjadores constantes de tudo o que só com Ele não se dissiparia por certo.

3. Nasceu Jesus no mundo, para nos ensinar a viver filialmente, como nele eternamente acontece. Lembrou-o há pouco a Epístola aos Hebreus, para que o entendêssemos por fim: «Muitas vezes e de muitos modos falou Deus antigamente aos nossos pais, pelos Profetas. Nestes dias, que são os últimos, falou-nos por seu Filho, a quem fez herdeiro de todas as coisas e pelo qual também criou o universo…».
Irmãos caríssimos: Olhemos bem para Jesus, sigamo-lo do Natal à Páscoa, para nele renascermos como filhos de Deus, nossa verdadeira condição e mais garantida alegria. Aquela de que falava São Paulo aos filipenses, como agora nos fala a nós: «Alegrai-vos sempre no Senhor! De novo vos digo: alegrai-vos! Que a vossa bondade seja conhecida por todos. O Senhor está próximo. Por nada vos deixeis inquietar…». E, versículos à frente, referindo-se a si mesmo: «Sei passar por privações, sei viver na abundância. […] De tudo sou capaz n’Aquele que me dá força» (Fl 4, 4-6.12-13).

De ontem para hoje, é em 2012 que estamos e como estamos. Poucos dirão que estamos bem, ou como gostaríamos de estar, falando em termos gerais, sociais, familiares, profissionais… Apesar de inegáveis esforços oficiais e particulares, as dificuldades atingem gravemente a sociedade portuguesa e outras sociedades também.
Não é este o lugar nem a ocasião para nos ocuparmos de assuntos que não são da nossa competência específica, ainda que devamos e queiramos participar responsavelmente na cidadania comum. Mas é lugar e ocasião para lembrarmos o que uma consciência “religiosa” propriamente dita nos garante, ou seja, que todo o problema humano tem um âmbito maior do que qualquer materialismo reduza; e só “filialmente” se resolve, abrindo-nos a um Deus que connosco fará «imensamente mais do que pedimos ou imaginamos, de acordo com o poder que eficazmente exerce em nós» (cf. Ef 3, 20).
Aliás, mesmo quando se adianta, de modo apenas racional e secular, que a presente situação não se ultrapassará fora duma ordem de princípios e valores em que verdadeiramente caibam “todos os homens e o homem todo”, já existe abertura a algo muito maior do que os interesses e desinteresses imediatos. Para nós, os crentes, esse algo é mais exatamente Alguém; e esse Alguém fez-se um de nós no Menino do Presépio, no Cristo do Evangelho inteiro, da alegre notícia que há de chegar a todos.

4. Ouvimos também, no texto proclamado, que «o Verbo fez-se carne e habitou entre nós». É a verdade central deste dia e o que mais importa reter. Não nos distraiamos da vida nem dos seus inegáveis problemas, imaginando “deuses”, ou desistindo dos homens. Escutemos autenticamente a Deus, como na verdade “falou” em Jesus seu Verbo, palavra dita e feita. E assim oferecida e patente, na humanidade que ganhou da Virgem Mãe e inteiramente compartilhou connosco, nas vicissitudes comuns de qualquer vida humana. Connosco, humanos como somos e divinos como havemos de ser, unidos a Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem.
Mais ainda, ou mais precisamente: Não há momento da vida - do nascer, ao crescer e ao morrer; da família aos amigos e às solidões; dos sonhos e da realidade que lhes resiste; dos êxitos fugazes às deceções sobrevindas -, nada que ficasse fora da encarnação do Verbo, onde Deus se disse e demonstrou absolutamente solidário e próximo de cada um de nós.
Mas, sendo esta a nossa alegria – precisamente a de nos sabermos e sentirmos tão acompanhados por um Deus que encarnou na nossa carne, para partilhar a nossa vida -, é também agora a nossa responsabilidade, diante de tantos males e problemas que afetam a sociedade que somos.
A resposta, vinda de Deus na encarnação do Verbo, é espiritual e íntima, de oração portanto. Problemas humanos são problemas divinos, como Jesus os enfrentou na união connosco e com o Pai. Vinte séculos de cristianismo demonstram bem – de Bento de Núrsia a Francisco de Assis ou Teresa de Calcutá – que grandes e positivos impactos sociais brotam de profundas vidas espirituais, outros tantos exercícios da filiação divina, que, “em Cristo”, tudo recebem do Pai para distribuir aos irmãos.
Mas essa mesma vida espiritual nos comunica a caridade divina - a absoluta solidariedade de Deus com a humanidade que Ele faz viver - e nos impele a multiplicados atos de inteligência, vontade e sensibilidade, em relação aos outros, especialmente os mais necessitados de corpo ou espírito. Proclamar a encarnação do Verbo, como esta solenidade o faz e a liturgia a celebra, requer da nossa parte a coerência grande com a ação libertadora de Deus, em relação a quanto oprima e apouque uma humanidade que Ele mesmo deseja realizada e feliz.

5. E não nos deixemos tolher pela magnitude dos problemas e a perplexidade que provocam. Para acolher a encarnação do Verbo e a continuarmos no mundo, também temos o exemplo garantido, da Anunciação a Maria ao que se seguiu depois e o Magnificat canta.
Grandes problemas eram então os de Israel, tão diferente estava, negativamente estava, do que outrora fora e do que as profecias indicavam para depois: terra pobre de gente pobre, nação submetida a um império estranho… E foi então que uma jovem de Nazaré da Galileia ouviu o que nunca ninguém ouvira, a propor-lhe o que ninguém pensaria: que deixasse nascer dela o próprio Deus feito homem, para poder ser, finalmente ser, o “Emanuel” (= Deus connosco).
Maria ainda adiantou um “Como será isso?”, mas para acabar dizendo: “Faça-se em mim segundo a tua palavra!”. Jesus nasceu e Deus pôde acontecer no mundo. Caríssimos irmãos, que celebramos o Natal de Cristo: É para hoje e é connosco esta lição também, face a tantos problemas que nos afligem, pessoal, familiar e socialmente. Não importa que sejam grandes, os problemas; é preciso que seja imensa a nossa fé, grandíssima a disponibilidade para dizermos “sim” a um Deus que quer continuar a viver connosco. Para isso requer a nossa inteligência, a nossa vontade, inteiramente repassadas pelas suas. E podemos concluir de 2000 anos de cristianismo que, com disponibilidade nossa, acontecerá o que deve acontecer no nosso pequeno ou vasto mundo e a partir de agora. Como semente que germina, como um pouco de fermento a levedar a massa. Neste sentido – e só neste essencial sentido – é verdade “ser Natal quando um homem quiser”.
Deixai-me concluir do modo mais prático e quase funcional: Neste mesmo dia e aí mesmo onde cada um esteja, olhai em redor, em casa, na vizinhança, ou onde poderdes chegar, do modo que seja; reparai em algo a fazer, alguém a ajudar, caso a resolver; não deixeis acabar o dia sem terdes feito algo nesse sentido, pouco que seja; amanhã mais um passo…E, com a humanidade vossa que assim lhe proporcionais, o Verbo de Deus atuará, soará e chegará aonde quer chegar. Repetidamente vos surpreendereis com o seu acontecer em vós e através de vós, em continuado Natal.
Este dia é belo demais para esperar outro ano. Tem de ser a verdade plena de vidas ao serviço da encarnação do Verbo. E dessa coincidência plena com a vontade de Deus, brotará a única alegria duradoura. – Que em nós se repercuta e progrida o que aconteceu em Maria!

Sé do Porto, Natal de 2012
+ Manuel Clemente

domingo, 16 de dezembro de 2012

Celebrações de Natal



A "tradicional" Missa do Galo será presidida por D. Manuel Clemente, Bispo do Porto, na nossa Paróquia do Bonfim (às 24horas de dia 24 para dia 25 de Dezembro).

A Igreja paroquial do Bonfim é na Rua Monte do Bonfim, na cidade do Porto (Portugal)

A Missa de Natal vai ser celebrada na Sé, por D. Manuel Clemente, dia 25 de Dezembro às 11horas.



 Celebrações da Missa do Galo nas Paróquias da Cidade do Porto 


Vigararia Porto Nascente
Amial 23h00
Antas 00h00
Areosa 00h00
Azevedo 23h00
Bonfim 00h00
Campanhã Não se realiza
Paranhos 00h00
Santo Ildefonso 00h00
Senhora da Conceição 00h00
Senhora do Calvário Não se realiza



Vigararia Porto Poente
Aldoar 00h00
Carvalhido 00h00
Cedofeita 00h00
Cristo-Rei 00h00
Foz do Douro Não se realiza
Lordelo do Ouro 00h00
Miragaia Não se realiza
Nevogilde 00h00
Nossa Senhora da Ajuda 00h00
Ramalde 00h00
Santíssimo Sacramento 00h00
São Nicolau Não se realiza
Sé (Santa Clara) 00h00
Senhora da Boavista 00h00
Senhora do Porto 00h00
Vitória Não se realiza

Estas e outras informações no site da Diocese do Porto

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Semana dos Seminários 2012



Hoje replicamos uma publicação de D. Manuel Clemente, disponível no site da Diocese do Porto:

Uma Semana dos Seminários não se destina apenas a eles, mas a toda a Igreja, em cujo coração residem. Ainda antes, residem no coração de Deus, no coração pastoral de Cristo.
Não existiriam Seminários, se Cristo não continuasse a chamar quem O represente como pastor do seu povo. Isto sabem-no bem os próprios seminaristas, que sentem em si mesmos o chamamento de Cristo, para que um dia, confirmados pela Igreja, reproduzam os gestos salvadores de Cristo sacerdote, cabeça e pastor de nós todos. Sabe-o também o povo de Deus, que anseia por sacerdotes que o congreguem e animem, e por isso mesmo pede ao Senhor que envie muitos operários à sua messe.
Cada Semana dos Seminários aviva estes sentimentos em toda a Igreja, na oração e no apoio reforçado, material também, a estas casas de formação.
Na Diocese do Porto são três: Seminário do Bom Pastor (Ermesinde), Seminário de Nossa Senhora da Conceição (Sé) e Seminário Redemptoris Mater - Santa Teresa do Menino Jesus (Vilar): Rezemos por quantos os integram - padres, seminaristas e colaboradores! Este ano, o tema é “Sacerdote: irmão na fé e servidor da fé dos irmãos”. Assim os queremos de facto, aos nossos padres, actuais e futuros. Pois bem, pela oração e tudo o mais, mostremos isso mesmo, traduzindo o tradicional “querer é poder” no ainda mais importante “crer e rezar”!

Rezando convosco,
† Manuel Clemente, Bispo do Porto
Porto, 27 de setembro de 2012,
Memória de S. Vicente de Paulo

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Eis o Homem 12´13 - 1º Ciclo

Divulgamos hoje mais uma actividade da Diocese do Porto:




Recomeça no próximo dia 1 de Novembro um novo ciclo de Conferências EIS O HOMEM, este ano subordinado ao tema "O Sínodo da Nova Evangelização, nos 50 anos do Concílio Vaticano II"

O 1º ciclo de debates versa sobre a Recepção do Concílio do Sínodo da Nova Evangelização, tendo como oradores D. Manuel Clemente ( 1 de Novembro), D. António Couto ( 8 de Novembro) e Aura Miguel ( 15 de Novembro )

Esta é uma iniciativa conjunta da Universidade Católica Portuguesa, da Pastoral Universitária, da Associação Católica do Porto e do Secretariado Diocesano da Pastoral da Cultura.

Hora: 21h30
Local: Associação Católica do Porto - R. Passos Manuel, 54 - Porto

Estão, portanto, todos convidados a comparecer na Conferência. Parabéns aos responsáveis pela iniciativa

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

D. Manuel, o escutista!



D. Manuel é escuteiro há muitos anos. Ele esteve no 22.º Acampamento Nacional ACANAC (em Idanha-a-Nova). Este encontro teve como lema “Educar para a vida”, que é um dos lemas do espírito instituído por Baden Powell (na foto acima), que passa por “distribuir paz, amor e afetos” e “quebrar barreiras” entre as pessoas.

No vídeo abaixo D. António Santos e D. Manuel Clemente, partilham algumas histórias dos seus percursos escutistas:



Fonte: http://www.diocese-porto.pt/ e www.agencia.ecclesia.pt

sábado, 8 de setembro de 2012

Nova Evangelização: propor Cristo de novo





Hoje transcrevemos uma entrevista de D. Manuel Clemente, bispo do Porto, à Agência Eclésia. Em Outubro D. Manuel vai participar no Sínodo que decorrerá no Vaticano. Nesta entrevista são abordados temos que vão estar em debate no próximo Sínodo.



Agência ECCLESIA (AE) - Que significado novo trouxe à Igreja Católica a expressão “nova evangelização”?

D. Manuel Clemente (MC) - ”Nova evangelização” designou, desde João Paulo II, algo que vinha sendo sentido e não encontrara ainda expressão própria. Refiro-me à necessidade de relançar a evangelização na Europa e além desta, já patente em João XXIII e Paulo VI. Tal necessidade correspondia à consciência de que o mundo mudara muito ao longo do século XX e sobretudo depois da Segunda Guerra Mundial. Acentuara-se a deslocação das populações para os centros urbanos, perdendo ritmos religiosos tradicionais; rarefazia-se ou individualizava-se a conotação religiosa da existência; alargava-se a consciência mundialista e inter-religiosa, com acesso generalizado aos media…Estes e outros fatores questionavam íntima e externamente os crentes, em termos de desagregação social e familiar, secularismo, relativismo… Provindo duma Igreja resistente (ao ateísmo do regime  polaco da altura), João Paulo II trouxe para Roma e para o mundo católico uma nova militância, afirmativa e irradiante, muito além das fronteiras vaticanas. Incarnou à sua maneira forte e entusiasta a grande convicção cristocêntrica do Vaticano II e de Paulo VI. Como jovem bispo conciliar, colaborara na Gaudium et Spes, não se esquecendo de repetir e glosar em todo o seu longo pontificado um dos trechos mais incisivos daquela constituição pastoral: “O mistério do homem só se esclarece verdadeiramente no mistério do Verbo Encarnado” (GS 22). Para João Paulo II, na esteira dos seus referidos antecessores, “nova evangelização” significa propor Cristo de novo, como realização cabal da esperança humana, pela graça divina.

AE – Em 1983, no Haiti, quando falava na abertura da XIX Assembleia Plenária da CELAM, João Paulo II dizia que esta evangelização deveria ser “nova no seu entusiasmo, nos seus métodos, na sua expressão". Em causa estão questões formais?

MC - Entendemos a esta luz que a famosa expressão de João Paulo II, referindo uma evangelização “nova no ardor, nos métodos e na expressão” é muito mais do que retórica. E pela ordem enunciada, com primazia para o ardor ou entusiasmo. O Papa estava profundamente convicto de que a paixão por Cristo – e só esta! - encontraria no século XX os melhores métodos e expressões para O testemunhar a quem quer que fosse e onde quer que fosse. Assim como os discípulos de Emaús, a quem “ardia o coração”; assim como Paulo, que queria “alcançar Aquele que o alcançara”; assim como os evangelizadores das épocas expansivas do cristianismo bimilenar; assim como ele próprio assimilara na sua Polónia arriscadamente católica.

AE - Que alcance terão tido os projetos de nova evangelização já concretizados em Portugal?

MC - Para os que nascemos e tivemos catequese antes do Concílio, mantendo-nos depois na vida eclesial ativa, a visão retrospetiva recolhe vários indícios de “nova evangelização”, antes e depois de ser assim formulada. Destaco entre eles: a maior atenção à Palavra de Deus (em chave cristológica), ouvida, lida, meditada e compartilhada; a maior vivência comunitária dos sacramentos, sobretudo da Eucaristia, como realização do “corpo eclesial de Cristo”; o reforço da ação sociocaritativa, do diálogo ecuménico e inter-religioso e dos novos modos e protagonistas da missão, longe ou perto; a presença na comunicação social e mediática, assimilando também os seus modos e ritmos; a responsabilização laical e familiar na sociedade, como “fermento na massa” – e numa “massa” que já não se garante em termos de “cristandade”, antes a desafia em pontos cruciais da mentalidade e dos comportamentos… Nessa e noutras áreas, há muita coisa feita e muitíssima por fazer ou em curso. Quando se estudarem sistematicamente os planos, programas e iniciativas das dioceses, da CEP, dos institutos e movimentos em Portugal, do Concílio aos nossos dias, a visão geral será surpreendente.

AE - Que contributo espera que o Sínodo ofereça ao projeto da nova evangelização?

MC - O Sínodo dará, antes de mais, um conspecto geral e circunstanciado do que se tem feito e pensado sobre o tema, por esse mundo além. Depois, permitirá apurar conceitos, não sendo exatamente o mesmo encarar a “nova evangelização” do ponto de vista “cultural” - incluindo os indispensáveis debates filosóficos e a equação correta das relações entre ciência, razão e fé, bem como a dimensão estética do cristianismo -, ou verificar a condição básica do seu processamento, que passa pela redefinição ou reconfiguração comunitária da vida cristã, meio vital para que tudo o mais aconteça e irradie. Estas e outras são dimensões distintas e complementares da “nova evangelização”, que o Sínodo ajudará a esclarecer e sistematizar.

AE - É possível determinar o rumo de uma nova evangelização à escala universal? Que desafios estão reservados para as instâncias de decisão e de evangelização locais?

MC - O rumo será decerto cristocêntrico, porque, enquanto cristãos, é com a pessoa de Jesus Cristo que entraremos na reconstrução dum mundo tão fragmentário e dissonante como o atual. Entraremos pessoal, familiar e comunitariamente, vivendo em todas estas dimensões a dinâmica pascal da existência e oferecendo-a aos outros, como possibilidade de realização “em Cristo”. Isto em geral, porque localmente as concretizações serão conformes a cada espaço e cultura. Na primeira evangelização, o cristianismo ganhou a cor própria dos lugares onde chegou, mantendo a seiva comum do Espírito de Cristo. Mas, ainda hoje, mesmo com as particularidades linguísticas e rituais duma Igreja malabar ou copta, grega ou latina, em todas elas nos sentimos “em casa”. E o cristianismo é uma casa para toda a gente, porque toda a humanidade é a casa de Cristo. Também por isso João Paulo II lembrava que “o homem é o caminho da Igreja” (cf. Redemptor Hominis, 14).

(Fonte: www.diocese-porto.pt) 

Ficam, portanto, todos convidados a reflectir nas palavras do nosso Bispo do Porto.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Ano Pastoral 2012/2013 na Diocese do Porto








Celebra-se no próximo dia 9 de Setembro, às 16h, na Igreja Catedral (Porto), a Festa da Dedicação e a Celebração do Envio dos professores de EMRC. Deste modo, recomeça o calendário do ano pastoral 2012/2013, Ano da.

O Ano da Fé inicia-se a 11 de Outubro, data em que passam 50 anos da abertura do Concílio Vaticano II e 20 anos da publicação do Catecismo da Igreja Católica, terminando a 24 de Novembro de 2013, último domingo do ano litúrgico.

O arranque oficial do Ano da Fé na Diocese do Porto está agendado para o dia 4 de Novembro.




JORNADAS VICARIAIS DA FÉ
10-11 Novembro
Porto (Nascente e Poente)
17-18 Novembro
Gaia Sul
1-2 Dezembro
Gaia Norte
15-16 Dezembro
Valongo
05-06 Janeiro
Arouca / Vale de Cambra
12-13 Janeiro
Baião
19-20 Janeiro
Santo Tirso
26-27 Janeiro
Castelo de Paiva / Penafiel
9-10 Fevereiro
Maia
16-17 Fevereiro
Felgueiras
23-24 Fevereiro
Gondomar
02-03 Março
Paços de Ferreira
09-10 Março
Marco de Canaveses
16-17 Março
Santa Maria da Feira
13-14 Abril
Trofa/Vila do Conde
20-21 Abril
Paredes
27-28 Abril
Oliveira de Azeméis/S. João da Madeira
11-12 Maio
Lousada
15-16 Junho
Espinho/Ovar
22-23 Junho
Amarante
29-30 Junho
Matosinhos

 (mais informações em: http://diocese-porto.pt)