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terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

A resignação de Bento XVI vista pelas outras religiões



Os ecos da resignação do Santo Padre ecoam por todo o mundo. Transcreve-se, parcialmente, uma reportagem da Rádio Renascença que demonstra isso mesmo:

Cristãos, judeus e muçulmanos foram unânimes ao revelar respeito, mas também pesar pela decisão de Bento XVI de resignar a partir de dia 28 de Fevereiro, às 20h00. 

O metropolita Hilarion, dirigente da Secção Internacional da Igreja Ortodoxa Russa (IOR), declarou hoje esperar que o sucessor de Bento XVI continue a luta contra a “ditadura do relativismo”, pela conservação dos valores cristãos tradicionais e pelo desenvolvimento das relações entre católicos e ortodoxos. O Papa Bento XVI não é uma estrela dos media, mas um homem da Igreja”, acrescentou o chefe da diplomacia ortodoxa russa.
 
“Esperemos que o seu sucessor continue no mesmo caminho e que as relações entre ortodoxos e católicos avancem para o bem comum de todo o mundo cristão”, frisa o metropolita num comunicado publicado no sítio oficial da IOR.
 
Outras igrejas cristãs separadas de Roma também não perderam tempo a comentar a notícia. O recém-empossado Arcebispo de Cantuária, Justin Welby, mostrou compreender a posição de Bento XVI.

O líder espiritual da Igreja Anglicana disse que a notícia o tinha deixado de “coração pesado”, mas realçou que o Papa levou a cabo o seu ministério com “grande dignidade, visão e coragem”.

O Papa da Igreja Copta, Tawadros II, ainda não se pronunciou, mas o líder dos coptas no Reino Unido emitiu um comunicado onde dava conta do “grande pesar” com que recebeu a notícia da resignação.

“Embora apenas tenha sido líder e pai da Igreja Católica Romana por um período relativamente curto, vimos as suas grandes contribuições e defesa não só do seu rebanho mas de todas as comunidades cristãs, no Médio Oriente e em todo o mundo”, escreve o bispo Angaelos, do Reino Unido, que promete rezar agora por aqueles que ficam encarregues de eleger um sucessor para Bento XVI.

Também os líderes de outras religiões manifestaram a sua surpresa e emoção perante o anúncio de Bento XVI. Segundo uma fonte citada pela agência italiana Ansa, o responsável pela Universidade de Al-Azhar, uma das mais importantes instituições do Islão Sunita, terá ficado “abalado” com a notícia.

De Israel vieram os melhores votos do rabino-mor daquele país, a principal autoridade judaica do mundo. Yona Metzger elogiou a aposta de Bento XVI no diálogo inter-religioso e disse que as relações entre Israel e o Vaticano nunca foram tão boas como agora.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

A leitura de D. Manuel sobre a resignação de Bento XVI



Em entrevista à Rádio Renascença, D. Manuel Clemente admite que “não estava minimamente preparado para receber” esta notícia, no entanto realça que ela “é reveladora de um testemunho de sabedoria, de coragem e de verdade com que Bento XVI assumiu as funções tão difíceis de sucessor de Pedro”.
D. Manuel Clemente esteve com Bento XVI em outubro, durante o último sínodo dos bispos, e admite ter encontrado um Papa em “evidente fraqueza física” mas ainda “absolutamente capaz do ponto de vista mental”.
Apesar de “algumas dificuldades de locomoção, ele teve uma atenção muito grande aos trabalhos. Nas intervenções em que esteve presente, e foram muitas, demonstrou muita sabedoria nas suas intervenções espontâneas", sustenta o Bispo do Porto.
No entanto, a “maior complexidade dos problemas e a maior disponibilidade que exigem levaram o Papa a tomar esta decisão, que deve ser respeitada”, conclui D. Manuel Clemente.
(fonte: Agência Ecclesia)

Resignação de Bento XVI


Hoje é noticia, em todo o mundo, o pedido de renuncia de Bento XVI uma vez que não tem "as forças" para dirigir a Igreja devido à "idade avançada" (Bento XVI tem 85 anos), a partir de 28 de Fevereiro.

Assim, de acordo com o porta-voz do Vaticano, haverá novo Conclave e será designado um novo Papa por alturas da Páscoa.

Bento XVI disse hoje: "Convoquei-vos para este Consistório, não só para as três canonizações, mas também para vos comunicar uma decisão de grande importância para a vida da Igreja. Depois de ter examinado repetidamente a minha consciência diante de Deus, cheguei à conclusão de que a minha força, devido à idade avançada, não permite mais um adequado exercício do ministério de São Pedro. Estou bem ciente de que este ministério, devido à sua natureza espiritual essencial, deve ser feito não só com palavras e ações, mas também com oração e sofrimento. No entanto, no mundo de hoje, sujeito a tantas mudanças rápidas e abalado por questões de relevância profunda para a vida da fé, para poder governar a casa de São Pedro e anunciar o Evangelho, é necessária a força da mente e do corpo, força essa que nos últimos meses tem-se deteriorado em mim, na medida em que eu tive que reconhecer a incapacidade de cumprir adequadamente o ministério que me foi confiado. Por esta razão, e bem consciente da seriedade deste ato, com total liberdade declaro que renuncio ao ministério de Bispo de Roma, sucessor de São Pedro, a mim confiado pelos cardeais em 19 de abril de 2005, de forma a que, a partir de 28 de fevereiro de 2013, às 20.00 horas, a Sé de Roma, a Sé de São Pedro, será livre e um Conclave para a eleição do novo Sumo Pontífice terá de ser convocado".

Despediu-se dizendo: “Queridos irmãos, agradeço-vos muito sinceramente por todo o amor e trabalho com o qual me apoiaram no meu ministério e peço perdão por todos os meus defeitos. E agora, vamos confiar a Santa Igreja aos cuidados de Nosso Supremo Pastor, Nosso Senhor Jesus Cristo, e implorar a sua santa Mãe Maria, para que ela possa ajudar os Padres Cardeais com a sua solicitude materna, na eleição de um novo Sumo Pontífice. Em relação a mim, quero também devotamente servir a Santa Igreja de Deus no futuro através de uma vida dedicada à oração".

(fonte: www.jn.pt)