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domingo, 8 de junho de 2014

Pentecostes

Em dia de Pentecostes, transcrevemos um breve comentário elaborado pelo P. Franclim Pacheco da Diocese de Aveiro:



Na solenidade de Pentecostes o texto evangélico é ainda tirado do evangelho de S. João e é importante lê-lo em paralelo com o texto de Act 2,1-11 que descreve o dom do Espírito ao grupo dos discípulos. A importância da festa litúrgica e do seu sentido eclesial, além do sentido cristológico, orienta-nos para a compreensão do texto bíblico.

O cumprimento da Páscoa, cinquenta dias depois, na festa do Pentecostes, que em Israel celebrava o dom da Lei, faz-nos compreender a ligação estreita entre Jesus ressuscitado, o Espírito Santo e a vida da Igreja. De facto, o dom do Espírito parte da Páscoa, é dom do Pai e do Filho e conduz a Igreja para a plenitude do Reino, pois guia, ilumina e sustenta os crentes na missão de anunciar o evangelho, continuando a obra do seu Mestre, o Senhor Jesus. O elo do Amor no seio da vida trinitária, o Espírito divino, torna-se assim o vínculo que une a comunidade crente e torna-a testemunha credível no mundo.

O texto deste domingo é parte do evangelho que escutámos no domingo de Páscoa em que o encontro do Senhor ressuscitado com os seus é acompanhado precisamente do dom do Espírito Santo e da missão; nesta solenidade o acento cai sobre o segundo elemento e sobre o papel do Espírito na vida do cristão, temáticas antecipadas nos textos dos dois últimos deste tempo pascal.

O texto coloca-nos no dia da ressurreição, em Jerusalém; depois da primeira parte do dia dia, com a descoberta do túmulo vazio, a visita de Pedro e João e das mulheres e o testemunho de Maria Madalena, chegou a tarde. O lugar não é especificado, o evangelista quer atrair a atenção para o carácter eclesial do acontecimento. Recordemos que para João ressurreição e dom do Espírito são um só acontecimento e, por isso, colocados no mesmo dia. A indicação da tarde pode, além disso, fazer referência às reuniões dominicais das primeiras comunidades cristãs.

Os discípulos, não somente os apóstolos, estão reunidos com as portas fechadas, com medo, numa situação de angústia que muda radicalmente com a chegada de Jesus que se faz presente aos seus discípulos naquela tarde como em qualquer outra circunstância ou tempo; a sua saudação «Paz a vós» (Shalom) é um dom efectivo de paz, como o próprio Jesus tinha prometido: «É a minha paz que eu vos dou; não a dou à maneira do mundo» (Jo 14,27). Jesus mostra as mãos e o lado, donde tinha saído sangue e água, para mostrar a fonte da eficácia salvífica da sua morte. Além disso sublinha-se a identidade entre o Senhor glorioso da Igreja e o Jesus crucificado. Os discípulos reconhecem imediatamente Jesus, sem reservas.

Jesus diz-lhes de novo: «Paz a vós». Com a ressurreição, Jesus deu início a um tempo novo, assinalado pela alegria, mas também caracterizado por uma nova tarefa confiada aos discípulos. «Como o Pai me enviou, também eu vos envio». Não se trata dum confronto entre duas acções de envio, a do Pai em relação ao Filho e deste em relação aos discípulos; é indicada, isso sim, a forte continuidade duma única missão recebida do Pai, primeiro por Jesus e agora pelos discípulos, não somente aqueles, presentes em Jerusalém, mas também os do futuro, de todas as épocas e lugares.

Após o envio segue-se o dom do Espírito Santo, em vista da missão de que são investidos os discípulos. O gesto de Jesus reproduz o gesto primordial da criação do homem, o que mostra o objectivo bem claro de sugerir que se trata aqui duma nova criação. Jesus glorificado comunica o Espírito que faz renascer o homem, concedendo-lhe poder partilhar a comunhão com Deus.

A seguir fala-se de perdão dos pecados. Referindo-se a Mt 26,28 e ao que é comum nos evangelhos, agora João explicita o conteúdo do mandato confiado aos discípulos: o perdão dos pecados, o dom da misericórdia. A fidelidade  de Jesus ao Pai na sua paixão e morte trouxe a salvação que se concretiza no acolhimento do pecador e na condenação do pecado. Graças à vitória de Cristo a salvação divina prevaleceu sobre as trevas e atingiu todas as pessoas através do ministério dos discípulos.

A formulação em positivo e negativo deste versículos deve-se ao estilo semítivo que exprime através dos contrários «perdoar/reter» a totalidade do poder misericordioso transmitido pelo Ressuscitado aos discípulos. Salvação para quem crê e acolhe o dom de Jesus, condenação para quem não se abre a Ele com fé.

sábado, 18 de maio de 2013

Pentecostes



Deixamos algumas palavras do  Pe. Amaro Gonçalo relativamente à Solenidade de Pentecostes:

Das Cinzas da Quaresma, ao fogo do Pentecostes, foram três meses intensos, deste belíssimo Ano da Fé! Propusemo-nos, dia a dia, semana a semana, a sós, em família, em grupo, em comunidade, “içar as velas da fé, na barca da Igreja, para a deixar navegar ao sopro do Espírito Santo”! Nos 40 dias de preparação, que já lá vão, e nestes 50 dias de celebração festiva da Páscoa, que agora se cumprem, procurámos deixar o sopro do Espírito Santo entrar por alguma fresta do nosso coração e reacender em nós a chama da fé. Na verdade, não é possível deixar navegar a barca da Igreja, ao sopro do Espírito Santo, se não forem içadas, pelo mesmo sopro, as suas velas, que são o coração de cada um dos baptizados  Não há, pois, reforma e avanço da Igreja, no mar da história, sem o aprofundamento e a renovação da fé, em todos e cada um dos seus membros.

(...)

Neste dia de Pentecostes, gostava simplesmente de vos dizer isto: “Não tenhais medo de desfraldar a vossa vela ao sopro do Espírito Santo” (João Paulo II, Discurso, 30-04.1998). Invocai-O todos os seus dias! E Ele virá, dos quatro ventos, com o seu sopro, reacender a vossa fé. E impelir a barca da Igreja, na aventura da missão!


Celebrando a Solenidade de Pentecostes:



Ao Espírito que dá Vida

És vento, fogo e água, 
brisa e frescura de nascente,
alegria que não se desfaz 
e declaração de amor para sempre.

És sonho que se realiza 
e ponte entre os contrários,
verdade oferecida 
aos que te procuram por caminhos vários.

És o segundo de cada hora, 
o respirar da própria vida,
sorriso que não se apaga
numa face desconhecida.

És íntimo e silencioso, 
entusiasmado e persistente,
farol que ilumina a noite 
em que se perde tanta gente.

És festa e comunhão, 
gerador de bondade,
amigo dos homens que guias
no caminho da verdade.

És atento e fiel
promessa enfim realizada,
mão que levanta o caído
e aponta a meta desejada.

Fazes do longe perto
e possível o impossível
contigo é tudo simples
como se visse o invisível.

Fazes límpido o olhar
e transparentes as almas
daqueles que em ti confiam
e nos mares da vida acalmas.

Fazes ver a beleza
que está para além do olhar,
não prometes o fácil
nada descobre quem não se aventurar.

Fazes amar a vida
e ensinas a estar contente
resistes a tudo o que é moda
na alegria de ser diferente.

Fazes descobrir os laços
que se enraízam no coração
e reconhecer no outro
o rosto de um irmão.

Faz sempre a maravilha
de darmos vida à vida,
e vem, Espírito Santo,
guiar-nos por caminhos novos
a nós que te amámos tanto.
Amen.

P. Vitor Gonçalves