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domingo, 22 de dezembro de 2013

Advento tempo da esperança


Mais um texto do Departamento Nacional da Pastoral Juvenil, para nos ajudar a refletir neste tempo de Advento



Os nossos dicionários dão origem a muitas confusões. Por exemplo, quando falam de espera e de esperança. A espera é um acto de paragem, no tempo e no espaço, na expectativa de alguém passar e nos tomar.
Quantas vezes, durante a guerra civil de Angola, eu encontrei pessoas, cheias de embrulhos, sentadas nas bordas das estradas á espera que passasse um camião que aceitasse levar para um município do interior. E, muitas foram também as vezes, que, regressando ao fim da tarde, encontrei essas mesmas pessoas, já desesperadas, ainda sentadas no mesmo lugar, porque o camião não passou, ou se passou não levou. Esta espera conduz, muitas vezes, ao desespero. Na maioria das situações, esperar não resolve nada ou até agudiza os dramas que se estão a viver.
Mas a Esperança de que falam as Escrituras joga noutro campeonato. Fala-nos de promessas que vão ser cumpridas. Aponta-nos caminhos de salvação que todos podemos percorrer. Indica-nos projetos de felicidade que não custam muito a concretizar. Basta ter Fé, basta querer, basta comprometer-se.
O Natal vem aí, como já indicam as praças de Lisboa ou as luzes e cores das lojas comerciais. Sim, o advento dos negócios natalícios começa bem antes que o das Igrejas. A Esperança de que Cristo vai nascer no coração da Humanidade é uma certeza que Deus promete e vai cumprir. A bola está do nosso lado. Temos que abrir o coração para preparar o lugar ao Deus-Connosco, o Menino que se prepara para incarnar na história.
Os tempos que se vivem são de crise e, por isso, palavras como ‘Esperança’ cheiram a ousadia e a tábua de salvação. Não faz muito sentido querer só salvar o lado material da vida, pois este sem o espiritual fica com valor muito reduzido. É tempo de abrir de par em par as portas a Cristo para que Ele nasça e transforme os corações. E com Cristo, a história não terá lugar para crises que são sempre fruto do nosso egoísmo e do não reconhecimento dos outros como irmãos.
Se houver Advento a sério, a Esperança cumpre-se no Natal. Não nos podemos limitar a ficar á espera, temos que nos pôr a caminho de Belém. No presépio teremos o Menino para nos dar um abraço e, com ele, reganharmos o sentido da Vida e da Festa.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Deus quer que sejamos felizes...e surge o inesperado

Hoje transcrevemos um texto sobre o Advento, do Departamento Nacional da Pastoral Juvenil, da autoria do Pe. Eduardo Novo



O tempo de advento coloca-nos sempre numa atitude de Esperança, de escuta, de abertura ao mundo e à Vida de forma ainda mais autêntica e verdadeira, porque nos é dado a perceber a graça de ter um Deus que vem ao nosso Encontro, para trazer uma mensagem de Felicidade "O Reino de Deus é paz e alegria no Espírito Santo" (Rom 14,17).

O anúncio do anjo a Maria começando pela saudação "Alegra-te ó cheia de graça" é repleto de Alegria, é o convite a abrirmos o coração à surpresa inesperada de um amor que nos ultrapassa.

Não espanta pois que toda a mensagem ou programa de Jesus de Nazaré seja todo ele um convite à alegria, à felicidade, à bem-aventurança: bem-aventurados, felizes, alegres, ditosos aqueles que, apesar da pobreza, das lágrimas, das injustiças, das doenças, das calúnias, não descurarem o direito de serem felizes.

Esta "atrevida" mensagem de Jesus, não nos é apresentada como de circunstância, Ele mostra-nos a sua fonte, ela brota da confiança em Deus "Alegrai-vos sempre no Senhor! De novo o digo: alegrai-vos... O Senhor está próximo".

Jesus ao viver Ele próprio a vida nova que anuncia, conduziu à renovação radical do Homem, o Homem que nasce com uma condição tão humana que é divina: o direito a ser Feliz, porque o Espírito Santo depositou a alegria de Cristo ressuscitado em nós.

Deus partilhou a nossa condição, para que cada Homem se saiba amado com um amor de eternidade e encontre assim a sua alegria na comunhão e na relação com Deus.

Quando acreditamos n'Ele, os nossos olhos abrem-se ainda mais à beleza de tudo o que é humano, e em gestos repetidos de amor, como no cuidado aos doentes, como quando ensinamos, como no abraço de um amigo, no olhar enamorado de um casal, no amor de uma mãe pelo filho... nestes actos de generosidade, reconhecemo-Lo presente.

Felizes os que acreditam (Jo 20,29). A Fé alicerçada na Esperança e na confiança que nasce da relação com Deus é bela porque torna bela a vida e é fonte de verdadeira alegria.

Como Maria, somos felizes porque acreditamos.

As recentes Jornadas Mundiais da Juventude, no Rio de Janeiro, vividas com o Santo Padre, em ambiente de festa vieram dizer uma vez mais ao Mundo, como é bela a fé dos jovens e como eles desejam ser testemunhas de Jesus Cristo na Alegria. São estes os mesmos jovens que resistem a uma crise social e cultural instalada, uma geração "nem, nem" que com Fé, Esperança, sonho e ousadia é chamada a ser protagonista da mudança.

"Não te conformes, transforma-te. Bem Aventurados - protagonistas da mudança.

É tempo de ser Feliz, é tempo de ir sem medo para servir.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Ide sem medo para servir

Hoje transcrevemos um texto do Pe. Eduardo Novo disponível no site do Departamento Nacional da Pastoral Juvenil e que nos convida a pensar sobre a Fé. 

Este texto dirige-se aos mais jovens, mas não só. Assim se dá mais um passo neste Ano da Fé iniciado pelo Papa Bento XVI.



Se a Fé é luz e tudo é graça, o trabalho que Deus faz em nós é luz, que não se pode esconder. Transparece em gestos e modos de estar, mas também na forma e ação no conteúdo daquilo que podemos dizer. Poder ser luz para alguém é colaborar com o desejo de Deus de estar com cada um.
O Ano da Fé, ajuda-nos a perceber que este dinamismo se traduz no que é ser crente. Fazer da Fé vida, e sentido para a vida. É um acto de amor que gera e comunica amor. Porque ser crente é ser dinâmico, é movimentar-se em direcção aos outros para partilhar. Ser Crente e ser Cristão é escutar o convite de Jesus a conhecê-Lo. Quem faz a experiência do seu Amor, tem necessariamente que partilhar a beleza deste encontro. É o amor que nos torna evangelizadores " O Espírito de Amor é a alma da missão".
Por isso a Fé é inseparável da Esperança e da Caridade, e nos faz "Permanecer em Cristo", tema para o qual nos desafia o XV Fórum Ecuménico Jovem deste ano, que se realiza em Lamego dia 9 de novembro. Segundo o Novo Testamento, Jesus desejou que os seus seguidores fossem um só corpo e orou pela união dos mesmos (Jo 17,23). Os jovens são voz dessa esperança. O Fórum Ecuménico Jovem, tem vindo a criar uma plataforma de convivência ecuménica, de envolvimento das comunidades cristãs de enorme importância, pelo testemunho de autenticidade e de diálogo que traduzem. Estes impulsos de atividade são testemunho verdadeiro da vivência de Deus, e podem ser vistos como um projeto centrado em Cristo, que oferece profunda motivação da Fé vivida em comunidade e em verdade.
A mesma Fé que professamos, que não muda as coisas mas o nosso olhar sobre as coisas e as pessoas, encarnada e vivida exige projetos metidos na vida e no terreno, num diálogo aberto ao mundo, de modo a transmitir a razão de fé em contexto multirreligioso e multicultural.
Para isso é importante recuperar uma visão humanizante de educação hoje " O amor rico de inteligência e de inteligência plena de amor". (Bento XVI), educar o coração do homem como Deus o fez atingindo o modelo pedagógico do evangelho. Eu represento o que cristo me ensina a ensinar (exemplo de Emaús : Jesus aceita caminhar na direcção errada, Jesus não reage, caminha com eles..)
Educar é uma arte e ninguém vive uma arte no amadorismo...
Urge Educar na Fé, para testemunhar com Alegria a Boa Nova.
Não te conformes transforma-te. (Rom 12,2)

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Voos de liberdade



Hoje transcrevemos os "Altos Voos" do Departamento Nacional da Pastoral Juvenil. Todos os meses nos oferecem textos muito convidativos à meditação e à troca de ideias.

A propósito do "nosso dia da liberdade", 25 de Abril, o P. Eduardo Novo propõe-nos o seguinte texto:


25 de Abril
Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo (
Sophia de Mello Breyner Andresen)

Hoje,

Eu sou...liberdade.

E sinto-me grande na minha pequenez... Mas há sempre qualquer coisa de tesouro insuficiente, mesmo nos nossos ideais mais completos, saberei sequer que sou livre? Saberei que esta liberdade é reflexo da extraordinária capacidade de amar que me constitui no mais fundo? O que me impede de ser livre? Quais são as amarras que me aprisionam? Como posso construir a minha liberdade?

Liberdade com quê... com que valor, com que meios: com quem? O grande meio de transmitir um valor são as pessoas, porque só uma pessoa faz crescer outra pessoa. Valor é o que vale, pesa humanamente; o que torna Valente! O que dá lastro de humanismo e humanidade... A liberdade também é um valor!

E tu? Como crias o teu espaço de liberdade? Criar espaços de liberdade implica antes de mais uma aprendizagem da liberdade interior, saber dizer "sim" e "não".

Na arte da verdadeira liberdade aprende a dizer "não" às dependências. Está atento aos que à tua volta precisam de ti. Gere o excesso de informação, sabes desligar? Já tiveste certamente em inúmeras experiencias que gerir tensões como fascínio–medo! Sê mais contemplativo que turista. Arranja tempo e espaço para organizar o próprio pensar e sentir. Exercita a escolha com prioridades, cultivando a objetividade. Aviva a capacidade de escuta, ficando aberto a outros níveis de comunicação. Descobre que discutir (vendo quem ganha) é diferente de dialogar (buscando a verdade que está para além dos dois). Conhece-te aceitando os teus próprios limites.

Estás convicto do teu papel na sociedade e no mundo? Entendes o silêncio como um vazio ou como meio que permite saborear outros níveis de comunicação mais profundos?

A liberdade implica não ficar fechado em si mesmo, é relação. E isso é o princípio da transcendência: descoberta da religiosidade que nos faz pessoas. E, como nos ensina o Concílio Vaticano II (GS 17) "A verdadeira liberdade é, no homem, o sinal privilegiado da imagem de Deus".

O mistério da liberdade humana está no centro da grande aventura de viver bem a vida. Podemos prescindir de tudo, mas não da liberdade, do sonho e do futuro! Aposta na Vida!