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sábado, 10 de maio de 2014

Oração pela paz

Esta era uma das recomendações aos pastorinhos de Fátima, rezar pela paz. 

Assim, durante alguns dias vamos aqui publicar algumas orações pela Paz no Mundo. Começamos por uma oração do Beato João XXIII




Oração pela paz

Príncipe da paz, Jesus ressuscitado,
olha com benevolência para toda a humanidade.
É apenas de Ti que ela espera auxílio e conforto para as suas feridas.
Como nos tempos da tua vida terrena,
continuas a preferir os pequenos, os humildes, os que sofrem;
vais sempre à procura dos pecadores.
Faz com que todos Te invoquem e Te encontrem,
para terem em Ti o caminho, a verdade e a vida.
Concede-nos a tua paz,
Cordeiro imolado para nossa salvação:
Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo,
dai-nos a paz!
Afasta do coração dos homens
tudo aquilo que pode comprometer a paz,
e confirma-os na verdade, na justiça e no amor fraterno.
Ilumina os dirigentes dos povos, para que
juntamente com as justas solicitações pelo bem-estar dos seus irmãos,
garantam e defendam o grande tesouro da paz;
estimula a vontade de todos a superar as barreiras que dividem,
a reforçarem os laços da mútua caridade,
a estar prontos a compreender,
a partilhar, a perdoar,
a fim de que no teu nome todos se unam,
e triunfe nos corações, nas famílias, no mundo inteiro a paz,
a tua paz.

terça-feira, 6 de maio de 2014

A chave do céu

Apesar do título desta publicação, ela não se refere a S. Pedro, o apóstolo que costuma ser representado com um molho de chaves...do céu. 

Hoje, uma vez mais, transcrevemos uma mensagem da Agência Ecclesia - desta vez da autoria de João Aguiar Campos, do Secretariado Nacional das Comunicações Sociais


Sou do tempo em que os pregadores, em sermões debitados do púlpito, recorriam a breves parábolas ou estórias para ilustrarem a doutrina. Na mesma época, os livros de devoções para o Mês de Maio, Mês do Coração de Jesus, Mês do Rosário ou Mês das Almas – tal como para uma qualquer novena – não prescindiam, no final de cada meditação diária, de apresentar um “Exemplo”.

Foi esse modo de ensinar que me abriu a noções eventualmente complicadas para a minha tenra idade; como por exemplo, a da santificação do trabalho e pelo trabalho, ilustrada no episódio da Religiosa que, em seu leito de morte, pediu à Comunidade que alguém lhe trouxesse a “chave do céu”.

Sem perceberem o sentido imediato daquela última vontade, todas as Irmãs se desdobraram em propostas: desde o seu objecto de mais visível devoção, até ao livro recomendado no último retiro. Nada, porém, parecia corresponder ao desejo, que se reafirmava, cada vez mais débil: “tragam-me a chave do céu”.

Foi uma noviça quem, num golpe inspirado, se lembrou que aquela religiosa toda a vida tinha exercido a discreta tarefa de costureira. Correu, então, à antiga sala do seu labor e de lá trouxe um carrinho de linhas e uma agulha. Perante o olhar de espanto das suas Irmãs, a agonizante ofereceu-lhe o mais sereno dos olhares. Sim, ali estava a sua chave do céu – porque, afinal, o trabalho (qualquer trabalho) feito com amor nos santifica!...

Importa (re) pensar esta dimensão. Porque, habituados a falar do suor do rosto como preço do pão de cada dia, muitos deixam-se desviar para uma visão do trabalho quase como castigo – em vez de o assumirem como cooperação dignificante no cuidado da criação e, consequentemente, abraçarem o valor divino deste caminho humano.

Realmente, apesar de desfigurado pelo pecado, não perdeu a bênção original que sobre ele poisou o Criador; de tal modo que, sendo embora um bem árduo, não deixou de ser um bem, uma necessidade vital e uma afirmação de liberdade: uma liberdade que cada um de nós defende quando resiste à obsessão produtiva avaramente procurada ou injustamente imposta; e que ora desumaniza o próprio, ora marginaliza os mais fracos e acaba por afundar no materialismo prático quem se julga vencedor… A lógica da produção e do lucro asfixia, seguramente, quem se lhe entrega.


No seu catecismo para adultos, os bispos italianos exprimem claramente a essência desta “riqueza desumana” que continuamente ganha adeptos: coloca as coisas no lugar de Deus, impede que se ajude o próximo, fixa a atenção nas vantagens imediatas e afasta o pensamento da vida futura. É, enfim, pobreza interior, enquanto a pobreza evangélica é riqueza interior (1123). Uma perspectiva claramente percebida pelo carpinteiro José, profissional competente, homem justo e pai cuidados.